Radius Mining anuncia contrato com Axia (antiga Eletrobras) para mineração de bitcoin

Em um mercado potencial de R$9,7 bilhões, empresa especializada em datacenters modulares para mineração de bitcoin construirá POC de 6 MWm

De olho no desperdício de cerca de R$2,4 bilhões por ano em energia não aproveitada por limitações do sistema elétrico e no potencial brasileiro de gerar R$9,7 bilhões por ano em receita de mineração, Flávio Hernandez criou a Radius Mining. A empresa especializada em datacenters modulares para mineração de bitcoin acaba de ganhar reforços: um investimento próprio e seed round que somam R$28 milhões, e a companhia já nasce com uma POC de 6MWm e um contrato de O&M com a Axia (B3: AXIA3), antiga Eletrobras.

Com larga experiência no mercado financeiro e de investimentos, Flávio ampliou sua atuação para o setor de mineração de criptoativos ao integrar uma companhia com operações nos Estados Unidos, onde a atividade já se encontra consolidada.

Permaneceu na empresa até o final de 2024, quando iniciou a estruturação da Radius Mining, combinando sua expertise financeira com o desenvolvimento de projetos no setor de energia e de datacenters modulares.

A Radius identifica e desenvolve oportunidades em que a disponibilidade de energias renováveis (principalmente eólica) possam ser convertidas em valor por meio da implantação de data centers modulares de mineração de criptoativos.

Com a rodada, Flávio trouxe para o seu cap table Leonardo Midea, com vasta experiência no mercado de energia (fundador da Prime Energy, vendida para a Shell em 2023).

O objetivo é usar institucionalmente a mineração de Bitcoin, convertendo energia desperdiçada em uma solução para o mercado de energia, com uso de energia 100% renovável.

Segundo Flávio, a primeira operação proprietária deve consumir cerca de 6 MWm, com um total de 1064 Asics (computadores específicos de mineração), gerando um consumo total em 6 anos aproximado de 315,4 GWh, o equivalente a um custo de energia total de R$ 65 milhões ao longo de 6 anos.

A empresa surge como uma alternativa aos geradores em curtailment, redução forçada da produção de energia elétrica por uma usina geradora em função de questões de infraestrutura e regulatórias.

No caso do Brasil, parte do problema está no aumento da quantidade de projetos eólicos mesmo sem linha de transmissão necessária para escoar a energia. Os estados mais impactados pelo curtailment são Bahia e Rio Grande do Norte, atingindo ainda outros estados do Nordeste.

Além da POC 6 MWm, a companhia nasce com um contrato de O&M com a Axia (antiga Eletrobras). A operação proprietária da geradora brasileira é parte de um projeto de desenvolvimento e crescimento do setor da listada.

De forma contraintuitiva, a recente queda do bitcoin torna o cenário ainda mais propício para novos investimentos no segmento de atuação da empresa, pois há uma correlação de preço entre os equipamentos de mineração e o bitcoin.

Além disso, segundo estudo conduzido pela Radius, o país possui 87% de sua matriz elétrica proveniente de fontes renováveis, e mais de 40 companhias do setor elétrico enfrentam perdas recorrentes.

Enquanto isso, há a movimentação política com o objetivo de melhorar as condições regulatórias e fiscais para data centers, o que pode tornar o ambiente mais propício para investimentos em infraestrutura de energia elétrica e tecnológica.

Inicialmente, a empresa deve operar 6 MWm os quais seriam desperdiçados. A título de comparação, isso equivale a um mês da energia necessária para atender uma cidade que tenha em torno de 24 mil habitantes.

O Brasil tem uma combinação rara de fatores: uma das matrizes mais limpas do mundo, custo competitivo de energia e, agora, a intenção de formar um cenário regulatório que incentiva o uso inteligente dessa abundância. A mineração institucional já se provou nos EUA como peça-chave para a infraestrutura de energia elétrica, agora chegou a hora do Brasil. A mineração de bitcoin é hoje a forma mais eficiente e com capex mais competitivo para se obter carga flexível que aproveite energia elétrica desperdiçada“, afirma Flávio.

Segundo o empreendedor, a projeção é fechar o ano de 2026 com até 50 MW instalados. “Se o Brasil decidir consumir todos os desperdícios de energia elétrica, seremos capazes de impactar o mercado global de mineração de Bitcoin“, finaliza.

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Gustavo Bertolucci
Gustavo Bertoluccihttps://github.com/gusbertol
Graduado em Análise de Dados e BI, interessado em novas tecnologias, fintechs e criptomoedas. Autor no portal de notícias Livecoins desde 2018.

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