Uma iniciativa dentro do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) do Governo Lula, a Rede-Lab destacou na terça-feira (27) os principais pontos de melhora que ocorreram em investigações criminais no Brasil nos últimos anos, citando até o movimento de ampliação do monitoramento e rastreio de operações com criptomoedas.
De acordo com publicação da Rede Nacional de Laboratórios de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro (Rede-Lab), o crime no país avançou para novas modalidades cibernéticas, aumentando os desafios para as autoridades.
Assim, com operações financeiras mais complexas, as investigações buscaram melhorar as estratégias de enfrentamento à criminalidade financeira.
A Rede-Lab, contudo, não atua diretamente nas investigações e apenas colabora com Laboratórios de Tecnologia de Lavagem de Dinheiro (Lab-LD). Estes laboratórios funcionam dentro da polícia civil dos Estados, da polícia federal, ministério público e outras instituições.
Cabe à Rede-Lab padronizar conceitos, difundir tecnologias, promover o intercâmbio de experiências e multiplicar o conhecimento técnico. “A rede atua como facilitadora. Não interfere nas investigações, mas cria condições para que os laboratórios tenham capacidade técnica e operacional de identificar e analisar indícios de lavagem de dinheiro“, explicou o coordenador da Rede-Lab, Danilo Ferreira de Toledo.
Ampliação do rastreio de bitcoin e criptomoedas, fraudes bancárias e golpes com inteligência artificial
Dentre os principais destaques apresentados pela Rede-Lab em seu trabalho, um deles envolve a ampliação do rastreio de bitcoin e criptomoedas utilizados por criminosos. Além disso, o projeto destaca que as fraudes bancárias no Brasil e os golpes com inteligência artificial também entraram na mira das autoridades.
Em nota sobre o trabalho, a Rede-Lab indica que em 2026 continuará desenvolvendo projetos para enfrentar as organizações criminosas. Um dos pontos envolve a incorporação do Guia de Rastreamento e Investigação Patrimonial (GRINPA) a estrutura dos trabalhos.
Assim, a plataforma digital pretende reunir conteúdos atualizados sobre rastreamento patrimonial, de bitcoin e criptomoedas, além de outros procedimentos investigativos.
“A proposta é oferecer um instrumento permanente de consulta, que auxilie o investigador a lidar com novos desafios sem depender exclusivamente de capacitações presenciais, ao mesmo tempo em que será uma biblioteca viva, constantemente atualizada pelos membros da rede“, explicou Toledo na nota do MJSP.
A iniciativa criada no âmbito da Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (Enccla), em 2006, se consolidou como política pública do Estado. Em 2023, por exemplo, o GaFi reconheceu formalmente a iniciativa brasileira como altamente promissora.
