Web Summit Rio 2025 bate recorde de público com destaque para IA e criptomoedas

O Web Summit Rio 2025, realizado de 27 a 30 de abril no centro de convenções Riocentro (Rio de Janeiro), se consolidou como o maior evento de tecnologia e inovação da América Latina, atraindo mais de 34 mil participantes de 102 países. Em sua terceira edição brasileira, o evento bateu recordes de público e de startups presentes, e já garantiu sua permanência na cidade: um acordo firmado com a prefeitura do Rio assegurou a realização do Web Summit na capital fluminense até 2030.

Durante quatro dias de programação intensa, profissionais e entusiastas puderam acompanhar palestras, painéis e workshops sobre temas variados – de inteligência artificial e blockchain a sustentabilidade, empreendedorismo e cultura digital – com centenas de palestrantes nacionais e internacionais.

Destaques e temas principais do evento

Com 34.552 pessoas credenciadas no Riocentro, o Web Summit Rio 2025 superou as expectativas iniciais dos organizadores. O encontro reuniu 1.397 startups de 43 países – um recorde que representa crescimento de 31% em relação a 2024.

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Entre elas, 647 startups fundadas por mulheres, cerca de 46% do total, reforçando o compromisso do evento com a diversidade e a inclusão. Mais de 650 investidores e 500 palestrantes participaram, conectando empreendedores a potenciais parceiros e fomentando negócios.

Grandes empresas de tecnologia marcaram presença com estandes e executivos de alto escalão – casos de Microsoft, Nvidia, OpenAI, TikTok, IBM, Google, entre outras. Representantes do poder público e figuras da cultura digital também subiram ao palco, como o ministro Luiz Roberto Barroso (STF), a atriz Taís Araújo e o influenciador Felipe Neto, trazendo perspectivas sobre regulamentação, diversidade e mídias sociais.

Inteligência artificial (IA) foi o tema central de muitos debates nesta edição, refletindo a maturidade da tecnologia após o boom de IA generativa em 2024. Vários painéis discutiram os desafios éticos, a regulação e o impacto da IA no trabalho.

“A inteligência artificial já faz parte do presente do mercado de trabalho”, ressaltou Justina Nixon-Saintil, vice-presidente de impacto da IBM, durante sua palestra, defendendo a democratização dessa tecnologia para evitar o aumento de desigualdades.

Executivos de empresas como Nvidia e OpenAI detalharam aplicações práticas de IA nos negócios e a necessidade de marcos regulatórios claros para sua adoção segura. Sustentabilidade e clima também tiveram destaque, com discussões sobre tecnologia verde e iniciativas de redução de impacto ambiental. Outros tópicos em alta incluíram fintechs, big data, economia dos criadores de conteúdo digital e diversidade/inclusão no setor de TI – em linha com as 14 trilhas temáticas que segmentaram a programação deste ano.

O evento serviu ainda de plataforma para lançamentos e anúncios importantes. A Microsoft, por exemplo, aproveitou o Web Summit para anunciar um investimento de R$ 14,7 bilhões em infraestrutura de nuvem e IA no Brasil – o maior já feito pela empresa no país –, visando capacitar milhões de brasileiros em habilidades de inteligência artificial.

Startups em diferentes estágios exibiram suas soluções inovadoras em busca de visibilidade e financiamento, enquanto corporações tradicionais destacaram parcerias estratégicas com o ecossistema local. Nos pavilhões, o público pôde conhecer de perto projetos como o “Árvore BB”, uma instalação interativa do Banco do Brasil utilizando IA generativa para engajar os visitantes em ideias de sustentabilidade, exemplificando a união entre tecnologia e responsabilidade socioambiental promovida pelo evento.

Criptomoedas em foco nos painéis e estandes

Embora a inteligência artificial tenha liderado as atenções, o universo das criptomoedas e do blockchain teve espaço de destaque na programação. Uma das trilhas principais do Web Summit Rio 2025 abordou Web3, criptografia e finanças descentralizadas (DeFi), refletindo o crescente interesse do público por moedas digitais, tokens e tecnologias descentralizadas. Especialistas renomados dividiram suas visões sobre esses temas.

No painel “The Future of Crypto in Brazil and Beyond” (“O Futuro do Cripto no Brasil e Além”), André Portilho (head de ativos digitais do BTG Pactual) e Lucas Schoch (CEO da wallet Bitfy) discutiram os rumos do mercado cripto nacional e global. Eles destacaram que o Brasil já é o sexto país em adoção de criptomoedas, com cerca de 26 milhões de usuários (12% da população) utilizando criptoativos – um indicativo do enorme potencial local.

O painel enfatizou a adoção institucional de ativos digitais, o impacto das stablecoins e o potencial do DeFi para transformar a economia, argumentando que o país pode se posicionar como líder global em inovação cripto se conseguir equilibrar empreendedorismo e segurança jurídica.

A questão da regulamentação das criptomoedas também permeou os debates. Em um painel voltado a regulação financeira, Guto Antunes, head de ativos digitais do banco Itaú, defendeu medidas cautelosas até que haja regras claras no setor. Segundo Antunes, instituições tradicionais devem impor limites temporários – como a restrição que o Itaú adota, de não permitir saques de criptomoedas para carteiras externas – a fim de prevenir crimes financeiros e proteger investidores.

“Descentralizar é bom até o bem comum da lei”, afirmou o executivo, ressaltando preocupações com lavagem de dinheiro na ausência de fiscalização adequada. A expectativa, porém, é que o cenário mude em breve: o Banco Central e outros órgãos trabalham em um marco regulatório para ativos virtuais que traga segurança jurídica ao mercado, incluindo projetos como a moeda digital brasileira (conhecida como Drex).

Muitos participantes defenderam que uma regulamentação equilibrada pode trazer credibilidade sem sufocar a inovação, abrindo caminho para usos mais amplos de blockchain em setores como governo, cadeias de suprimentos e tokenização de ativos.

No espaço de exposições, o público teve contato direto com empresas cripto apresentando novidades. A exchange Bybit, por exemplo, montou um estande interativo onde demonstrou soluções de pagamento que integram criptomoedas ao Pix, o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos. “Queremos mostrar como as transações de ativos digitais podem ser simples e seguras”, afirmou Israel Buzaym, country manager da Bybit no Brasil, ao explicar o objetivo da empresa em desmistificar o uso de criptoativos pelo usuário comum.

Recepção do público e impacto para a inovação na América Latina

Ao longo do Web Summit Rio 2025, a recepção do público foi extremamente positiva. As arenas de palestras estiveram lotadas nas apresentações mais aguardadas, e os visitantes circulavam pelos pavilhões com entusiasmo visível, participando de sessões de perguntas e interagindo com as demonstrações tecnológicas. Muitos destacaram a oportunidade de networking global proporcionada pelo evento – encontrando desde fundadores de startups promissoras até investidores de fora do país interessados no mercado latino-americano.

Segundo os organizadores, cerca de 846 jornalistas estiveram presentes cobrindo as atividades, levando as discussões dali para um público ainda maior. Nas redes sociais, participantes elogiaram a qualidade do conteúdo e a diversidade de perspectivas trazidas pelos palestrantes, do técnico ao inspiracional. A atmosfera comparou-se a edições internacionais do Web Summit, comprovando a capacidade do Brasil de sediar um encontro tech de padrão mundial.

Os resultados concretos também foram comemorados pelas autoridades locais. Eduardo Paes, prefeito do Rio, celebrou o sucesso do evento e o impacto na imagem da cidade como polo de inovação. Durante a cerimônia de abertura, foi anunciada a assinatura de um novo contrato de cinco anos para manter o Web Summit no Rio até 2030.

A expectativa é de um legado duradouro: um estudo da prefeitura estima em R$ 170 milhões o impacto econômico direto gerado pela edição de 2025 para a cidade, entre turismo, serviços e novos negócios fomentados. “O Web Summit sempre foi mais do que as conversas em nossos palcos… trata-se de construir conexões que impulsionem novas parcerias comerciais, desbloqueiem investimentos e levem ideias locais para o mundo todo.

É exatamente isso que está acontecendo aqui no Rio”, comentou Paddy Cosgrave, CEO e fundador do Web Summit, ressaltando a vocação do evento em catalisar o ecossistema de tecnologia.

Observadores do setor apontam que a realização consecutiva do Web Summit no Brasil vem turbinando o ambiente de startups na América Latina. Desde a primeira edição carioca em 2023, o número de investidores internacionais de olho em projetos latino-americanos cresceu, e dezenas de acordos de investimento têm sido fechados durante ou após o evento.

Além disso, o intercâmbio de conhecimento proporcionado por palestras de líderes globais – sobre tópicos que vão da computação quântica à inclusão digital – ajuda a nivelar por cima o debate tecnológico regional. O fato de quase metade dos participantes serem mulheres e de haver forte presença de iniciativas de impacto social sugere um ecossistema de inovação mais diverso e comprometido com os desafios locais. Em síntese, o Web Summit Rio 2025 não apenas quebrou recordes numéricos, mas deixou um impacto palpável: reforçou a confiança de que o Brasil e seus vizinhos podem protagonizar a próxima onda de inovação global, conectando talentos, capital e ideias a partir da América Latina.

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Mateus Nunes
Mateus Nuneshttps://livecoins.com.br
Fundador do Livecoins. Formado em Ciência da Computação e profissional de segurança da informação há mais de 10 anos. Escreve sobre Bitcoin desde 2012. Tradutor do site Bitcoin.org

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