A repressão ao uso ilícito de bitcoin e criptomoedas continua a exigir uma integração cada vez maior entre as forças de segurança de diferentes países.
Em abril de 2026, a capital do Equador, Quito, será o palco de um importante treinamento internacional focado no rastreio de bitcoin e criptomoedas, e o Brasil marcará presença com especialistas da Polícia Federal.
A autorização oficial para a viagem foi publicada nesta segunda-feira (23) no Diário Oficial da União (DOU).
O despacho, assinado pelo Diretor-Geral da Polícia Federal, Andrei Augusto Passos Rodrigues, confirma o envio de agentes brasileiros para a imersão tecnológica no país vizinho.
Foco em OSINT e rastreio de bitcoin e criptomoedas em evento sediado pelo Equador
De acordo com o documento oficial, o Perito Criminal Federal João Fernando Paiva Castro foi designado para representar a instituição brasileira no evento.
A capacitação ocorrerá entre os dias 13 e 18 de abril e tem como tema central o “Rastreio de Criptoativos e OSINT” (Inteligência de Fontes Abertas, na sigla em inglês).
O encontro faz parte do escopo do EL PACCTO 2.0, um programa consolidado de cooperação internacional financiado pela União Europeia, que visa o combate ao crime organizado transnacional na América Latina e no Caribe.
A capacitação também é chancelada por redes estratégicas de inteligência policial, como a Red Cibel@ (focada em cibercrime) e o RADAR (Rede de Ação Digital Antifraude).
Cerco internacional contra a lavagem de dinheiro
A participação da Polícia Federal neste tipo de evento reflete a necessidade urgente de padronizar as técnicas de investigação no continente.
Como os crimes envolvendo Bitcoin e outras criptomoedas não respeitam fronteiras físicas, as polícias latino-americanas estão formando frentes unidas para compartilhar ferramentas de análise de blockchain e desvendar esquemas de lavagem de dinheiro.
O uso de OSINT, que será um dos pilares do treinamento em Quito, é uma técnica fundamental na caçada a cibercriminosos.
Ela consiste na coleta e análise avançada de dados disponíveis publicamente na internet, desde fóruns na dark web até o cruzamento de endereços de carteiras digitais, para identificar e desmascarar os beneficiários finais de fraudes financeiras.
Vale lembrar que o presidente Lula defendeu, em um discurso lido na Colômbia no dia 21 de março, que as autoridades da América Latina se unam para coibir crimes envolvendo criptomoedas.
