Ceará confirma planos para atrair fazendas de mineração de bitcoin com energia limpa

Empresa de tecnologia do estado vai utilizar infraestrutura ociosa de fibra óptica no interior e excedente de energia eólica e solar

O estado do Ceará está se posicionando para se tornar o novo paraíso tecnológico da América Latina e colocou o ecossistema de bitcoin e criptomoedas oficialmente em seu radar de investimentos.

Aproveitando o aniversário de 26 anos da Empresa de Tecnologia da Informação do Ceará (Etice), o governo confirmou que possui uma estratégia clara para atrair fazendas de mineração de bitcoin e criptomoedas e data centers focados em Inteligência Artificial.

A principal aposta do estado para seduzir os mineradores de Bitcoin e outras criptomoedas é a combinação de dois fatores essenciais para a atividade, como a abundância de energia barata e infraestrutura de internet de altíssima qualidade.

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Cinturão Digital e energia de sobra podem levar mineração de bitcoin para o Ceará

Enquanto a mineração de criptomoedas enfrenta barreiras globais devido ao consumo elétrico, o Ceará oferece um cenário ideal focado em sustentabilidade. Segundo Hugo Figueirêdo, presidente da Etice, o estado gera muito mais energia limpa do que consegue gastar.

Atualmente, o consumo médio cearense é de 1,65 GW. No entanto, a geração própria estadual por meio de fontes eólica e solar chega a 4,5 GW em sua capacidade plena.

Esse cenário gera um excedente formidável de 2,8 GW de energia renovável. Como os parques eólicos e solares estão distribuídos por todo o estado, o interior cearense se torna um terreno fértil para a instalação de data centers de alto consumo.

Para conectar essas futuras fazendas de mineração ao mundo, a Etice utilizará o seu principal ativo: o Cinturão Digital do Ceará (CDC). Trata-se de uma infraestrutura robusta com 5.942 km de cabos de fibra óptica que percorre 139 municípios.

O sistema possui 12 pares de fibra óptica, mas apenas cinco estão em uso atualmente. A grande novidade anunciada pela Etice é que os sete pares restantes, que estão “apagados”, serão ativados e disponibilizados especificamente para atrair data centers para o interior do estado, com foco expresso em mineração de criptomoedas e treinamento de inteligência artificial.

Cinturão digital do Ceará
Cinturão digital do Ceará (Foto/Divulgação: Etice).

Hub global e bilhões em investimentos

A atração de mineradores faz parte de um movimento tecnológico muito maior que já está transformando a região.

Hoje, a capital Fortaleza é o segundo maior ponto de troca de tráfego de internet do Brasil e consolida o maior hub de conectividade da América Latina, abrigando 16 cabos submarinos internacionais.

Essa estabilidade geopolítica, aliada à regulação tributária favorável e à abundância energética, já está rendendo frutos colossais.

O estado foi recentemente escolhido para receber um investimento monumental de R$ 200 bilhões para a instalação de um data center da gigante TikTok/ByteDance/Omnia no Complexo do Pecém, em Caucaia.

Para garantir que a rede suporte o fluxo massivo de dados das operações de blockchain e IA, o Ceará também confirmou que o Cinturão Digital dobrará a sua atual velocidade de transmissão ao longo de 2026, saltando de 200 Gbps para 400 Gbps.

Com o Plano de Negócios 2026-2030 focado em expansão e cibersegurança, o estado pavimenta o caminho para se tornar a capital brasileira da mineração verde de Bitcoin.

Vale lembrar ainda que no estado existe a primeira Bitcoin Beach do Brasil, em Jericoacoara, mostrando um ponto turístico bitcoiner já disponível na região.

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Gustavo Bertolucci
Gustavo Bertoluccihttps://github.com/gusbertol
Graduado em Análise de Dados e BI, interessado em novas tecnologias, fintechs e criptomoedas. Autor no portal de notícias Livecoins desde 2018.

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