Plataforma de criptomoedas admite ter feito apostas sobre sua própria arrecadação de fundos

Plataforma arrecadou US$ 6 milhões em nova rodada de investimento, mas passa por crise de confiança após ganhar cerca de US$ 15.000 em aposta relacionada a esta venda pública

A P2P.me, uma plataforma de conversão de criptomoedas, admitiu nesta sexta-feira (27) ter feito apostas na Polymarket sobre qual valor eles arrecadariam na sua própria venda pública.

Anteriormente, em tuíte já deletado, a equipe afirmou que não comentaria se a conta “P2PTeam” pertencia a eles.

“Não sabemos por que deram ao perfil o nome “P2P Team”; talvez quisessem irritar um monte de retardados aqui no CT (Crypto Twitter) e explorar a atenção de neurônios viciados em dopamina barata e pensamento de curtíssimo prazo”, apontava o texto capturado por seguidores.

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“US$ 20 mil em apostas, com um potencial de ganho arriscado de US$ 30 mil em um mercado com volume de vários milhões de dólares, não é manipulação de mercado nem uso de informação privilegiada; é “convicção” antecipada e diversão”, continuava o tuíte. “Estudem “convicção”, seus retardados; talvez assim possamos ter mais um “bull market” do qual todos possamos nos orgulhar.”

P2P.me admite ter feito apostas na Polymarket após chamar seguidores de retardados

As acusações sobre insider trading contra a P2P.me estavam em alta nas redes sociais, incluindo postagens com investigações on-chain ligando a conta na Polymarket com endereços da empresa.

“Encontraram a @P2Pdotme apostando na própria venda pública no Polymarket. Eles já estão com lucro de +US$ 5.472 antes mesmo de a venda começar. A conta P2PTeam foi financiada pela mesma carteira por trás de: p2pme.eth, p2pfoundation.eth e gov.p2pfoundation.eth. Eles já sabem o resultado?”

“Sem comentários da nossa parte sobre isso! Mas, convenhamos: que tipo de time seria esse se não apostasse em si mesmo?”, respondeu a P2P.me.

Acusações de insider trading contra a P2P.me. Fonte: X.
Acusações de insider trading contra a P2P.me. Fonte: X.

Já nesta sexta-feira (27), a P2P.me publicou uma longa nota admitindo que eles estavam comandando a conta.

“Uma observação sobre as posições no Polymarket que vocês viram on-chain: a conta chamada “P2P Team” é nossa. Queríamos ser transparentes. O capital veio da conta da nossa fundação e todos os resultados retornam para ela.”

“Dez dias antes de a nossa rodada se tornar pública, fizemos apostas de que atingiríamos a meta de mais de US$ 6 milhões”, escreve a P2P.me. “Naquele momento, tínhamos apenas um compromisso verbal da Multicoin (US$ 3 milhões) — sem term sheets assinados, sem alocações garantidas, nada vinculante. Estávamos apostando em nós mesmos.”

A justificativa é que não se tratou do uso de informações privilegiadas para obter lucros, mas sim uma forma de sustentar sua palavra (de que arrecadariam US$ 6 milhões) ao colocar o seu próprio dinheiro em jogo.

“Entendemos por que isso levanta questionamentos. Negociar com base em um resultado que você pode influenciar corrói a confiança”, continua o texto, “Levamos tempo para estudar as implicações legais antes de nos manifestar, por isso permanecemos em silêncio até agora com a postura de “Sem comentários!”, o que também é uma crítica justa.”

Equipe da P2P.me admite ter feito apostas na Polymarket sobre sua própria arrecadação de fundos. Fonte: X.
Equipe da P2P.me admite ter feito apostas na Polymarket sobre sua própria arrecadação de fundos. Fonte: X.

A empresa já havia arrecadado US$ 2 milhões em abril de 2025 em rodada liderada pela Coinbase Ventures e pela Multicoin Capital. As empresas não se pronunciaram sobre o assunto.

Na nova rodada de captação, em andamento, a P2P.me arrecadou pouco mais de US$ 6 milhões.

ICO da P2P.me. Fonte: MetaDAO/Reprodução.
ICO da P2P.me. Fonte: MetaDAO/Reprodução.

Comunidade segue criticando projeto após admição de culpa

Nos comentários do tuíte acima, diversos perfis seguiram criticando a moralidade da P2P.me, justificando que eles só tornaram essas informações públicas após serem descobertos pela comunidade.

“Por que vocês negaram isso inicialmente? Por que vocês venderam suas posições? Por que vocês apostaram contra outros projetos? Bônus: Por que vocês chamaram todo mundo de “retardados”?”, questionou um seguidor.

“Que época para estar vivo. Um projeto de palhaços admitindo abertamente insider trading. Quando vocês já tinham conhecimento de cerca de 50% do compromisso da venda e de vários outros acordos, que outra informação ainda precisariam? Vocês precisam ser processados”, escreveu outro.

Os fundadores do projeto são anônimos.

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Henrique HK
Henrique HKhttps://github.com/sabotag3x
Formado em desenvolvimento web há mais de 20 anos, Henrique Kalashnikov encontrou-se com o Bitcoin em 2016 e desde então está desvendando seus pormenores. Tradutor de mais de 100 documentos sobre criptomoedas alternativas, também já teve uma pequena fazenda de mineração com mais de 50 placas de vídeo. Atualmente segue acompanhando as tendências do setor, usando seu conhecimento para entregar bons conteúdos aos leitores do Livecoins.

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