
França teve o maior número de ataques físicos contra investidores de criptomoedas em 2025. Foto: Jonas Manske/Pixabay.
Uma agente da Receita Federal da França, identificada como Ghalia C. (32), foi presa após explorar um sistema do órgão onde trabalhava para obter e repassar informações de diversas pessoas, incluindo investidores de criptomoedas, para integrantes do crime organizado.
Suas ações chamaram atenção porque as pesquisas que não tinham relação com as suas funções. Além disso, movimentações financeiras suspeitas e vínculos indiretos com presos também são mencionados no processo.
Conforme noticiado pelo Le Parisien, Ghalia C. foi presa ainda em junho de 2025, mas algumas novas informações foram publicadas na última terça-feira (6) após ela participar de uma audiência judicial.
As denúncias apontam para repasses ilegais de informações do sistema Mira, do fisco francês, para seus comparsas.
Dentre os exemplos de alvos das pesquisas estão Vincent Bolloré, um dos bilionários mais conhecidos da França, bem como um agente penitenciário que mais tarde foi agredido junto à sua esposa em sua própria casa por três homens armados.
“A pesquisa [de Ghalia no programa da Receita] não pode estar ligada à sua atividade, pois ela cuida da tributação de empresas.”
“Essa mulher, aliás, é desfavoravelmente conhecida da Justiça”, disse o presidente da sessão do tribunal. “Seu prontuário criminal registra duas condenações, notadamente por entrega de objetos e de entorpecentes a detentos na prisão de Réau (Seine-et-Marne), onde seu tio está encarcerado. Seu namorado, Hichem M., também está preso, mas em Laon (Aisne). Este último tem um amigo, um tal de Moussa B., que está encarcerado em La Santé, justamente onde trabalha a vítima deste caso.”
Outro grupo que aparece entre os alvos das pesquisas são investidores de criptomoedas.
Isso porque investidores franceses vivem um pesadelo. Dos 72 casos de ataques físicos registrados no mundo em 2025, 19 aconteceram na França, um deles na semana passada.
Ainda segundo o Le Parisien, os agentes também descobriram grandes depósitos em dinheiro e transferências via Western Union nas contas da acusada.
Ghalia C. está sendo indiciada por cumplicidade em violências agravadas, cumplicidade em ameaças e associação criminosa. Os três suspeitos de invadirem a casa do agente penitenciário também foram presos e se declararam culpados.
Os homens explicam que foram contratados por cerca de 800 euros (R$ 5.000) para realizar o trabalho sujo. Já a funcionária da Receita reconhece que passou as informações, mas diz não saber o que seria feito com elas.
“Forneci informações sobre essa pessoa [o agente penitenciário]. Eu não sabia de nada do que foi feito e desejo pedir perdão a esse casal que foi agredido.”
Por hora, não há informações sobre a ligação da agente da Receita com algum sequestro de investidores de criptomoedas. No entanto, o fato do tema aparecer na cobertura da mídia francesa sugere que isso é considerado relevante no contexto da investigação.
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