
(Foto crédito: MJSP)
O Ministério Público de São Paulo (MPSP) iniciou um treinamento focado em investigações de criptomoedas nesta terça-feira (15), e agentes públicos e analistas da instituição participam das aulas para aprender táticas de rastreio.
“Estamos vendo um futuro muito acelerado chegando, e é até difícil para a gente descrever esse futuro por falta de palavras para descrever as novidades que têm chegado“, disse a secretária de Estratégia e Inovação do MPSP, Carmen Kfouri.
A capacitação marcada para quatro dias de encontros com foco nos detalhes da plataforma Chainalysis, uma ferramenta que auxilia os servidores estatais a monitorar as transações financeiras no mercado cripto.
O subprocurador de relações institucionais do órgão, Arthur Lemos Junior, abriu o evento de qualificação. Ele destacou a urgência de preparar o corpo técnico do Estado para enfrentar a evolução tática das facções estruturadas.
Lemos Junior explicou que a nova plataforma amplia o alcance das apurações criminais conduzidas pelos promotores de justiça. De acordo com o gestor, as quadrilhas recorrem aos criptoativos para lavar os fundos oriundos de delitos diversos.
Agências de governos internacionais já adotam sistemas parecidos para asfixiar as finanças de invasores e fraudadores. O acesso dos investigadores paulistas à ferramenta ocorre por vias de um termo de cooperação assinado com a desenvolvedora do programa.
O chefe da área criminal do MPSP, Ivan Agostinho, alertou sobre a falta de preparo das autoridades de segurança. Para este diretor, o crime organizado explora a lentidão do setor público na adoção das novas tecnologias descentralizadas.
Agostinho sugeriu a criação de um grupo permanente de debates para acelerar a distribuição de conhecimentos sobre o tema. Essa ação unificada ajudaria a nivelar o preparo dos policiais com os métodos adotados pelos infratores cibernéticos.
O promotor de justiça do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), Francisco de Assis Machado Cardoso, palestrou no encontro paulista. Cardoso detalhou que a iniciativa surgiu das discussões do Conselho Nacional dos Procuradores para modernizar as investigações no país.
O diretor regional da Chainalysis na área da América Latina, Carlos Jaramillo, participou da abertura do evento corporativo. Jaramillo definiu o treinamento como uma janela de estudos para os alunos assimilarem a linguagem complexa do ecossistema financeiro.