Líder da pirâmide com Bitcoin, ArbCrypto, é preso em Minas

Ele era foragido da Justiça pelos crimes de organização criminosa e pirâmide financeira, após golpes praticados junto com sócios em ao menos 200 pessoas.

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Eneas Tomaz e Alexandre Cesario Kwok, sócios da ArbCrypto. Imagem: Reprodução/YouTube

Um dos fundadores da empresa ArbCrypto – que atuava com arbitragem de criptomoedas – Alexandre Cesário Kwok, foi preso em Uberaba, no Triângulo Mineiro, nesta quinta-feira (25). Havia um mandado de prisão expedido contra ele e os outros fundadores da empresa desde outubro do ano passado.

De acordo com a Polícia Militar, ele estava com a mulher e o filho em um Corolla, com placa de Belo Horizonte, quando foi abordado para uma fiscalização de rotina na cidade. O empresário demonstrou nervosismo e apresentou documentação falsa.

Durante a abordagem, ele confessou que era foragido da Justiça e os policiais descobriram um mandado contra ele por crimes contra a ordem econômica e organização criminosa. Agora, ele vai ter que responder também por uso de documentação falsa, com nome de Alessandro.

2.500 bitcoins

O pedido de prisão, feito pelo Ministério Público de São Paulo, foi acatado pela Justiça, em 23 de outubro do ano passado. Além de Kwok, os outros fundadores da empresa, Eneas de Lima Tomaz, Luiz Carlos Rosa da Silva e João Paulo Alves da Silva, também estão com mandados em aberto.

Eles são suspeitos de organização criminosa e podem pegar até oito anos de prisão. Segundo a Polícia Civil de Minas Gerais, Kwok já foi encaminhado ao sistema prisional e está a disposição da Justiça.

De acordo com as investigações da Polícia Civil de Barueri, em São Paulo, a estimativa é que a empresa tenha arrecadado 2.500 bitcoins (que atualmente equivalem a R$ 665,3 milhões) com os golpes aplicados em, pelo menos 200 pessoas, mas há suspeita da polícia que existam mais de 20 mil vítimas.

Cafú

A empresa não libera saques para os investidores desde agosto de 2019 e tinha o ex-jogador da seleção brasileira Cafú como garoto propaganda. Kowk também foi fundador das pirâmides Prosperity Plus e Proswallet, que em 2017 lesou centenas de pessoas oferecendo lucros de 2,5%.

Cafú participou de evento de luxo promovido pela ArbCrypto - Reprodução/Facebook
Cafú participou de evento de luxo promovido pela ArbCrypto – Reprodução/Facebook

Justiça considera reincidência do réu na prática de pirâmide financeira

Na decisão judicial de outubro de 2020, o juiz considerou que os réus são reincidentes na prática de pirâmide financeira para decretar a prisão.

“Os elementos amealhados até o momento indicam que os denunciados integraram organização de considerável nível de sofisticação, cuja estruturação demandou recursos financeiros e domínio de tecnologia. A repercussão econômica da atividade ilícita é impactante, a julgar pelo volume de recursos por ela angariados. Há notícia de numerosas vítimas residentes em diferentes regiões, o que indica abrangência territorial dos crimes”, escreveu o juiz.

A Justiça mencionou também que Kwok pretendia dar um novo golpe financeiro se valendo de uma nova plataforma de pirâmide na ArbCrypto.

“O Ministério Público também colheu informações a respeito de tratativas estabelecidas pelo denunciado Alexandre para o desenvolvimento de uma nova plataforma pautada por mecanismos semelhantes aos empregados no caso sub judice. À vista desse panorama, concluo que a prisão tanto é necessária para resguardo da ordem pública e econômica, como para assegurar a futura aplicação da lei penal e, ao menos no momento, também para tentar assegurar algum ressarcimento às vítimas; se os denunciados simplesmente desaparecerem elas não serão indenizadas”, diz a decisão judicial.

Na época da conclusão do inquérito policial, o advogado de defesa da ArbCrypto, Carlos Alberto Costa e Silva, disse que a empresa tinha sido vítima de um suposto desvio de bitcoins.

A defesa também disse acreditar não que os empresários seriam presos, por estarem colaborando com as investigações. A reportagem do Livecoins não conseguiu contato com o advogado nesta sexta (26).

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Natália Oliveira
Jornalista desde 2011. Já atuou em grandes mídias de Minas Gerais. Tem interesse por tecnologia e economia.
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