“Anarcocapitalismo me inspirou a criar a criptomoeda”, diz Nick Szabo
17/02/2026 12:30 12:30
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Nick Szabo (Foto/X)
Nick Szabo ganhou nova atenção na segunda-feira (16) ao refletir sobre as raízes ideológicas do Bitcoin e moedas digitais descentralizadas. O cientista da computação e criador do conceito de “contratos inteligentes” usou sua conta no X (ex-Twitter) para admitir a influência libertária em seu trabalho e, de acordo com ele, a filosofia de ausência do Estado foi o combustível inicial para a invenção da tecnologia.
“O anarcocapitalismo é um ideal maravilhosamente abstrato capaz de inspirar a inovação. Ele ajudou a me inspirar a ajudar a inventar a criptomoeda“, afirmou Szabo.
O especialista, contudo, aproveitou a publicação para fazer um alerta técnico e jurídico aos entusiastas mais radicais. Ele refutou a ideia de que as criptomoedas operam em um vácuo legal ou que dispensam totalmente a confiança.
Para Szabo, o termo correto para o Bitcoin não é “trustless” (sem confiança), mas sim “trust-minimized” (confiança minimizada).
Ataques jurídicos ainda colocam o bitcoin em uma pressão da qual ele não está preparado para se defender
Szabo destacou que cada projeto possui uma “superfície de ataque jurídico”. Isso representa as brechas que governos ou entidades privadas podem usar para tentar interromper as operações da rede via tribunais.
Ele elogiou a primeira camada do Bitcoin por suportar interferências, mas lembrou que a tecnologia possui limites claros.
O criptógrafo avalia que o setor já aprendeu a lidar com ataques vindos da legislação financeira. O motivo para esse sucesso é a união entre a tecnologia robusta e um “exército de advogados” especializados.
Porém, o cenário muda quando o assunto envolve dados arbitrários inseridos na blockchain.
“A superfície de ataque legal a partir de dados arbitrários é muito maior e muito menos previsível. A indústria cripto não tem a experiência jurídica para lidar com isso“, alertou. A fala de um dos candidatos a ser Satoshi Nakamoto revela uma grande oportunidade para advogados libertários se engajarem com o projeto e ajudar a conter os danos legais que o Estado poderia explorar.
“Bitcoin não é mágica”
A declaração ocorre em um momento de debate sobre o que deve ou não ser armazenado na blockchain além de transações financeiras. Szabo encerrou sua reflexão com uma crítica direta aos que acreditam na invencibilidade absoluta do protocolo contra qualquer tipo de Estado.
“Pensar que o Bitcoin, ou qualquer outra criptomoeda, é um canivete suíço anarcocapitalista mágico capaz de resistir a qualquer tipo de ataque governamental em qualquer área legal é insanidade“, concluiu.
A fala de Szabo reforça a necessidade de vigilância constante por parte dos desenvolvedores. Para ele, o sistema só funciona porque existe uma atenção diligente para mantê-lo como uma forma de dinheiro com o mínimo de confiança necessária.
Vale destacar que ele criou o Bit Gold, tecnologia considerada por muitos como fundamental para o lançamento do Bitcoin anos depois.
Nick Szabo alerta para riscos ao bitcoin (Fonte: X).
Bruno Costa ingressou no jornalismo cripto quando o DeFi ainda era um experimento de nicho e, desde então, tornou-se uma das principais vozes brasileiras na cobertura de finanças descentralizadas e ativos digitais. Atualmente atua como Senior Content Manager na Starkware.co, uma empresa de PR e marketing focada em DeFi, NFTs e crescimento de comunidades Web3. Seu trabalho frequentemente explora como as economias de tokens podem impulsionar a inclusão financeira no país, conectando a adoção de blockchain à realidade local. Ele é Certified Bitcoin Professional (CBP), credenciado pelo CryptoCurrency Certification Consortium (C4). Graduado em Jornalismo pela Universidade Europeia, Bruno aprofundou sua expertise com formações como o curso DAO Fundamentals (EDU Trainings) e o Web3 Solidity Bootcamp (Metana). Sua cobertura inclui adoção de DeFi em mercados emergentes, cultura NFT na América Latina e análises de UX em aplicações descentralizadas. Entre suas principais competências estão reportagem investigativa, análise do mercado cripto, construção de narrativa e estratégia de conteúdo. No Brasil, o público o conhece por portais como Cointimes.com.br, onde é colaborador regular, além de suas reportagens investigativas que revelaram golpes no setor DeFi. Uma de suas séries chegou a contribuir para alertas regulatórios e maior fiscalização por parte da CVM. Seu guia sobre stablecoins alcançou mais de 50 mil leitores e foi referenciado por três grupos acadêmicos de pesquisa, enquanto sua consultoria para uma carteira DeFi ajudou a redesenhar o conteúdo de onboarding e atraiu mais de 10 mil novos usuários. Bruno já foi citado pelo Valor Econômico, fez coberturas presenciais na São Paulo NFT Expo e no Rio Blockchain Meetup, e participou de grandes eventos como a SP Tech Week e a Blockchain Conference Brasil, onde discutiu temas sobre regulação do DeFi, UX e inovação. Curioso e criativo, com um forte foco em conectar tecnologia e cultura, ele costuma lembrar colegas e leitores de que “Journalism should empower readers with clarity in a world full of crypto hype and misinformation.” Disclaimer: Todo o conteúdo aqui apresentado diz respeito a temas de criptomoedas, blockchain e Web3 e possui caráter exclusivamente informativo e educacional. Não constitui aconselhamento financeiro, de investimento ou jurídico. As análises refletem a experiência e a pesquisa pessoal do autor. O nome do autor é utilizado como pseudônimo. Sempre faça sua própria pesquisa (DYOR) antes de tomar decisões no ecossistema cripto.
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