Para Tiago Reis, fundador e CEO da Suno Research, o Bitcoin é o “único investimento que as pessoas perdem 80% e ainda aplaudem”. Segundo o economista formado em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), isso se compara com a “síndrome de Estocolmo” – fenômeno psicológico em que a vítima desenvolve um relacionamento de lealdade e solidariedade com seu agressor.
Tiago Reis é um dos maiores críticos do Bitcoin no Brasil, já tendo falado diversas vezes que não investe na moeda digital e recomendando que seus seguidores não invistam na criptomoeda.
Reis afirmou também que “a maioria dos que promovem a moeda digital pararam de investir na mesma. “Só promovem. Pararam de gastar dinheiro e passaram a gastar saliva.” – disse, acrescentando que o fluxo para o Bitcoin caiu significativamente.
Bitcoin é o único investimento que as pessoas perdem 80% e ainda aplaudem.
Isso se chama “síndrome de Estocolmo”.
— Tiago Guitián Reis (@Tiagogreis) November 22, 2022
Na verdade, a maioria dos que promovem pararam de aportar em Bitcoin. Só promovem. Pararam de gastar dinheiro e passaram a gastar saliva.
O fluxo para Bitcoin caiu significativamente.
— Tiago Guitián Reis (@Tiagogreis) November 22, 2022
O tuíte foi comentado por diversos usuários, com o médico da UFMG, Bruno Oliveira, comparando a situação com “esquizofrenia”.
“Tiago, você acertou no fato mas errou na conclusão. O comportamento dos cripto fãs faz parte do que a medicina chama de Dissociação Cognitiva Coletiva. Não importa a realidade, mas sim as interpretações que reforcem as crenças dessas pessoas. Se aproxima da esquizofrenia.”
Tiago, você acertou no fato mas errou na conclusão.
O comportamento dos cripto fãs faz parte do que a medicina chama de Dissociação Cognitiva Coletiva. Não importa a realidade, mas sim as interpretações que reforcem as crenças dessas pessoas. Se aproxima da esquizofrenia.
— Bruno Oliveira (@bruno_brdo) November 22, 2022
A esquizofrenia, vale notar, é um transtorno mental grave em que as pessoas interpretam a realidade de forma anormal. Ela pode resultar em alguma combinação de alucinações, delírios e pensamentos e comportamentos extremamente desordenados que prejudicam o funcionamento diário e podem ser incapacitantes.
Bitcoin em queda
Em 2022, o Bitcoin caiu 73%, saindo da casa de 69 mil dólares e sendo negociado agora na faixa de US$ 15,700. Apesar disso, seus investidores não dão a mínima, já que acreditam que a moeda digital continua forte em seus fundamentos e voltará a subir.
Apesar de o ativo ter caído quase 80% no último ano, como apontam os críticos, o Bitcoin valorizou mais de 240% desde o crash em 2020, como notou o usuário Diego Kolling em resposta a Tiago Reis.
“O engraçado é que ele valorizou 240% desde o crash de março de 2020 e foi, portanto, a melhor classe de ativo no período. Nos últimos: 3 anos: 180% 5 anos: 200% 7 anos: 68x Porque você não posta os retornos da @sunoresearch e observamos quem deve ser aplaudido?”
O engraçado é que ele valorizou 240% desde o crash de março de 2020 e foi, portanto, a melhor classe de ativo no período.
Nos últimos:
3 anos: 180%
5 anos: 200%
7 anos: 68xPorque você não posta os retornos da @sunoresearch e observamos quem deve ser aplaudido?🤔
— Diego Kolling (@diegokolling) November 22, 2022
Psicopatas
Usar adjetivos para se referir a investidores de Bitcoin não é nenhuma novidade, no início do ano, um estudo feito pelo The Conversation comparou os fãs da moeda digital com “psicopatas impulsivos”.
Segundo o estudo, pessoas com esta condição são mais resistentes ao estresse e à ansiedade, fazendo com que os mesmos arrisquem mais.
Indo além, o estudo também apontou outros três laços de personalidade destes investidores, narcisismo, maquiavelismo e sadismo, os quais são traduzidos em pensamentos positivos, crenças conspiratórias e medo de perder oportunidades.