Robert Mitchnick, head de ativos digitais da BlackRock, revelou que 90% de seus clientes são investidores de longo prazo. Como exemplo, o executivo aponta que o IBIT, ETF de Bitcoin da gestora, foi o único com retornos negativos em 2025 que teve entradas no período.
Em conversa com a CNBC, publicada na quinta-feira (12), Mitchnick também falou sobre o lançamento do ETHB, novo ETF da BlackRock de Ethereum que fará staking dessas moedas, gerando uma recompensa adicional em comparação ao ETHA.
“O que eu acho realmente notável é o quão resilientes esses fluxos têm sido e o quanto eles são desproporcionalmente compostos por investidores de longo prazo, do tipo comprar e manter, com foco em fundamentos, que temos visto nesses produtos”, explica Mitchnick.
BlackRock fala sobre perfil de investidores de seu ETF de Bitcoin
Lançado em janeiro de 2024, o ETF de Bitcoin da BlackRock rapidamente se tornou o maior do setor. Atualmente, a gestora mantém 781,7 mil bitcoins em suas carteiras, avaliados em US$ 55,6 bilhões.
Como comparação, a Strategy de Michael Saylor detém 738,7 mil moedas em caixa.
Conversando com a CNBC, Robert Mitchnick, head de ativos digitais da BlackRock, falou sobre o perfil de seus clientes.
“O Bitcoin caiu quase 50% em relação à máxima histórica que atingiu em outubro, mas os fluxos do IBIT no acumulado do ano estão, na verdade, levemente positivos”, explicou Mitchnick.
“Então, é claro que houve muita pressão de venda em outras partes do ecossistema do Bitcoin, nas corretoras de cripto e nessas plataformas offshore alavancadas, mas a base de investidores dos ETFs adotou uma visão muito mais estável e de longo prazo, focada nos fundamentos.”

Seguindo, o executivo revela que investidores de varejo são mais oportunistas, focados em comprar as quedas do Bitcoin como se fossem um desconto quando se pensa no longo prazo.
“A única parte da base de demanda em que vemos alguma tendência ao curto prazo é cerca de 10%, aproximadamente, composta por hedge funds”, explica Mitchnick.
“Já os outros mais de 90% da base de investidores, sejam investidores de varejo diretos, assessores financeiros ou outros investidores institucionais, têm se mostrado muito estáveis e vêm seguindo um caminho de acumulação de forma bastante consistente.”
Uma prova disso é que o IBIT foi o único dos maiores ETFs que teve entradas mesmo com o preço caindo. “Apesar das quedas no preço do Bitcoin, o IBIT foi o quarto ETF do mundo em entradas, com US$ 26 bilhões”, finalizou o executivo.
BlackRock lança novo ETF de Ethereum
Embora tenha falado bastante sobre o ETF de Bitcoin, Robert Mitchnick participou do programa da CNBC para comentar sobre o ETHB, novo ETF de Ethereum da BlackRock.
A gestora já possuía um ETF do tipo desde julho de 2024, hoje com US$ 12 bilhões. No entanto, o novo fundo dará uma recompensa extra aos seus detentores conforme parte das moedas será usada para staking.

Segundo calculadoras, hoje o staking de Ethereum está rendendo cerca de 4% ao ano, mas os retornos para os detentores do ETHB devem ficar um pouco abaixo disso, já que a gestora precisa deixar algumas moedas destravadas para honrar pedidos de saques.
Dado que eles já estão há quase dois anos trabalhando com o ETHA e entendem o perfil de seus clientes, é provável que eles maximizem o número de moedas travadas.
