Um novo edital aberto pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no Brasil procura interessados em executar um estudo técnico sobre a certificação de crédito de Carbono no país, inclusive com possível utilização da tecnologia blockchain.
“O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por intermédio do Departamento de Apoio à Sustentabilidade (DESUST) da Área de Planejamento e Pesquisa Econômica (AP), torna pública a abertura da Seleção Pública de Proposta e de Parceiro Executor para o Estudo Técnico “Certificação de Crédito de Carbono no Brasil”, conforme descrito a seguir“, diz a chamada.
O edital de Seleção Pública FEP FOMENTO – Nº 01/2026 já se encontra disponível para consultas dos interessados.
“O estudo reforça o papel do BNDES como indutor e articulador da agenda climática e de desenvolvimento sustentável, em diálogo com os ministérios responsáveis pela formulação e governança das políticas públicas relacionadas ao tema“, observou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, em nota pública.
Brasil ainda depende de certificadoras internacionais para o mercado de carbono e tem um potencial inexplorado, diz edital com oportunidade de apoio em até R$ 10 milhões
Com um apoio não reembolsável de até R$ 10 milhões do Fundo de Estruturação de Projetos do Banco (BNDES FEP), este estudo tem como objetivo diagnosticar o ecossistema nacional de certificação de créditos de carbono e identificar oportunidades para fortalecer e expandir a capacidade de certificação de projetos no Brasil.
A iniciativa é uma parceria estratégica entre o BNDES, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e o Ministério da Fazenda (MF), que tem como objetivo mapear o mercado de certificação no Brasil e seus principais atores.
Além disso, busca identificar necessidades de aprimoramento das metodologias atuais, considerando as especificidades nacionais, analisar os arranjos de governança e descobrir oportunidades para reduzir custos e prazos.
“A oferta de serviços de certificação de créditos de carbono no Brasil é ainda incipiente diante de seu potencial, e depende fortemente de certificadoras internacionais. Estima-se que a maioria expressiva dos créditos emitidos no país tenha sido certificada por duas entidades estrangeiras, o que, embora sinalize maior aceitação global, pode gerar restrições para o atendimento do potencial de demanda doméstica e internacional de créditos brasileiros“, diz trecho do edital analisado pela reportagem.
Tudo isso visa ampliar a inclusão e a participação, alinhando-se às melhores práticas internacionais e fortalecendo o posicionamento estratégico do Brasil no mercado global de carbono.
O prazo previsto para a conclusão dos trabalhos é de até seis meses. Conduzido em âmbito nacional, o estudo técnico levará em conta as particularidades do país, com foco especial em integridade ambiental, segurança jurídica, governança, transparência e credibilidade internacional.
Além disso, serão estruturados processos que promovam maior eficiência, redução de custos e ganhos de escala. Gratuitas, as inscrições vão até o dia 9 de fevereiro de 2026.
A iniciativa envolve a colaboração entre atores públicos, privados e da sociedade civil. Os dados técnicos gerados pelo estudo servirão como base para promover avanços e melhorias no ambiente institucional do mercado de carbono brasileiro.