
Empresa afirma que TAPSIGNER, OPENDIME e SATSCARD não foram afetados porque utilizam bases de códigos diferentes. Imagem: Coldcard/Redes sociais/Reprodução.
Após usuários relatarem perdas de R$ 38,5 milhões em Bitcoin possivelmente ligadas às carteiras da Coldcard, a empresa reconheceu que seus dispositivos contêm uma vulnerabilidade que gera seeds inseguras.
Na primeira nota, a Coldcard afirmou que a falha estava ligada somente aos modelos Mk3. No entanto, em novo texto publicado nesta sexta-feira (31), a empresa aponta que os modelos Mk4, Mk5 e Q também foram afetados.
Identificada a falha, a empresa lançou novos firmwares para corrigi-la. A recomendação é que usuários façam a atualização e, após isso, gerem uma nova seed.
Rodolfo Novak, fundador da Coinkite, desenvolvedora da Coincard, afirmou em um primeiro momento que os rumores sobre suas carteiras estarem comprometidas eram apenas rumores e a vulnerabilidade não havia partido de seus dispositivos.
No entanto, conforme mais clientes da Coldcard começaram a relatar os mesmos problemas, a empresa acabou reconhecendo uma possível falha nos modelos Mk3. Novak apagou todos os seus tuítes onde negava essas informações.
Em nota publicada nesta sexta-feira (31), a empresa publicou um resumo sobre a vulnerabilidade encontrada.
“Uma sequência complexa e sutil de bugs impediu que o RNG (gerador de números aleatórios) de hardware contribuísse com aleatoriedade em determinadas versões do firmware. Não tínhamos conhecimento desse bug até hoje. Alterações introduzidas para o Mk4 adicionaram entropia proveniente do SE1 e do SE2, reduzindo parcialmente o impacto nos modelos mais recentes, mas sem restaurar o objetivo pretendido de 128 bits de segurança.”
Seguindo, a empresa nota que o código-fonte da Coldcard sempre foi aberto e assume que alguém utilizou ferramentas de Inteligência Artificial (IA) para revisar versões de firmware antigas e encontrar a falha.
“Há algumas semanas, usamos um dos melhores modelos de IA disponíveis para revisar nosso código em busca de problemas de segurança, e ele não encontrou esse bug nem qualquer outro problema grave. Atacantes e defensores dispõem das mesmas ferramentas de IA, mas, desta vez, elas não nos ajudaram e apenas beneficiaram os invasores.”
Dando detalhes técnicos sobre o ocorrido, a empresa afirma que a falha estava presente desde 2021, quando migraram suas operações de curva elíptica para a biblioteca libsecp256k1 do Bitcoin Core, o que exigia a adição de uma biblioteca chamada libNgU.
“A escolha criptográfica foi correta. A integração não foi”, reconhece a empresa, notando que a maior parte da aleatoriedade de suas carteiras provinha de um PRNG (gerador pseudo-aleatório de números) que os desenvolvedores não sabiam que estava sendo usado.
“Ao mesmo tempo, o código de TRNG (gerador verdadeiramente aleatório de números) cuidadosamente desenvolvido por mim estava sendo utilizado, mas apenas por acaso e somente para funções menos importantes.”
Quanto aos modelos afetados, a empresa afirma que a Mk3, alvo do ataque de 594 bitcoins, possui somente 40 bits de segurança efetiva, quando deveria ter 128.
Os modelos Mk4, Mk5 e Q teriam 72 bits, por misturarem valores de TRNG com PRNG, mas também ficam abaixo do valor recomendado.
Ou seja, 40 bits representam 2⁴⁰ possibilidades (1,1 trilhão), 72 bits representam 2⁷² (4,7 sextilhões) e 128 bits representam 2¹²⁸ (340 undecilhões, um número muito maior). Tentando explicar a diferença entre os números em relação ao objetivo de 128 bits, a aleatoriedade seria 10²⁶ vezes mais fraca para o primeiro caso e 72 quadrilhões de vezes para o segundo.
Ainda falando sobre os dispositivos afetados, a Coldcard aponta que a falha estava presente desde março de 2021 no modelo Mk3, afetando as versões de firmware a partir da 4.0.1 até a 4.1.9.
A empresa também lançou o firmware 5.6.0 para os modelos Mk4 e Mk5, bem como o firmware 1.5.0Q para o modelo Q, recomendando instruções semelhantes às listadas acima. Os downloads podem ser feitos no site oficial da Coldcard.
Por fim, até o fechamento desta matéria, a empresa não se pronunciou sobre possíveis reembolsos aos clientes afetados pela vulnerabilidade.