Computação Quantica

Computadores quânticos podem quebrar o Bitcoin entre 2030 e 2042, mas isso pode acontecer do dia para a noite, diz Project Eleven

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A Project Eleven publicou nesta terça-feira (5) um relatório de 110 páginas sobre os riscos dos computadores quânticos para o Bitcoin e outras criptomoedas.

Como destaque, eles citam que o chamado “Q-Day” (Dia-Q) pode acontecer entre 2030 e 2042, mas que a evolução desses computadores não é linear e pode surpreender desenvolvedores.

No mês passado, o projeto deu um prêmio de 1 Bitcoin para um pesquisador que quebrou uma chave ECC de 15 bits. No entanto, especialistas afirmam que o uso de um computador quântico não teve relação com o resultado.

Project Eleven projeta três datas para o “Q-Day”

A computação quântica se tornou um dos principais assuntos dos últimos meses para investidores de Bitcoin e outras criptomoedas. Enquanto alguns acreditam que soluções devem ser apresentadas às pressas, como a apresentação de endereços resistentes a essa tecnologia, outros acreditam que o tema está sendo utilizado para causar pânico no mercado.

Para a Project Eleven, o risco é real e pode afetar carteiras ainda em 2030.

Como exemplo, eles analisam o aumento de qubits físicos, da qualidade dos qubits (portas 2Q), da eficiência de correção de erros, da sobrecarga de controle e dos requisitos algorítmicos para apresentar três datas possíveis para o Q-Day.

Project Eleven acredita que computação quântica pode quebrar endereços de Bitcoin e outras criptomoedas entre 2030 e 2042. Fonte: Project Eleven/Reprodução.

Em outro gráfico, eles apontam que a evolução dos computadores quânticos não é linear, podendo surpreender desenvolvedores e investidores.

“Resumo do modelo do Q-Day: curvas de crescimento exponencial implicam trajetórias do tipo “nada, depois tudo de uma vez” até o Q-Day.”

Previsão da evolução dos computadores quânticos mostra que isso não acontecerá de forma linear. Fonte: Project Eleven/Reprodução.

Em outro trecho, eles citam Hartmut Neven, diretor do laboratório de Quantum AI do Google, que ainda em 2019 afirmou que os processadores quânticos do Google estavam evoluindo “a uma taxa duplamente exponencial”.

“O que parecia uma ameaça distante torna-se iminente em meses, não anos.”

Cerca de 7 milhões de bitcoins estão expostos

Focando no Bitcoin, o relatório aponta que cerca de diversos endereços de Bitcoin foram reutilizados, ou seja, suas chaves públicas estão expostas, permitindo ataques de longo alcance.

No total, o relatório aponta que 6,9 milhões de bitcoins estão expostos, equivalentes a 32% de toda oferta da criptomoeda.

Endereços reutilizados de Bitcoin que expuseram suas chaves públicas. Fonte: Project Eleven/Reprodução.

Em relação ao Ethereum, que utiliza outro modelo, o estudo aponta que 65% das moedas estão expostas a este ataque.

No caso das stablecoins, os analistas apontam que os riscos são ainda maiores. Isso porque hackers não focariam em carteiras individuais, mas sim em tomar posse das chaves que controlam esses contratos inteligentes.

“No Bitcoin, um atacante com capacidade quântica drena UTXOs individuais, limitado ao saldo exposto por endereço. Em uma stablecoin, um atacante quântico com acesso à chave de administração pode comprometer toda a moeda.”

Quanto a outras criptomoedas, como Solana, Sui, Aptos, Near e Stellar, o estudo aponta que 100% dos endereços estão vulneráveis.

Nas páginas seguintes, é possível encontrar recomendações, diferenças da migração feita por sistemas tradicionais, impactos, bem como possíveis mitigações.

“A transição pós-quântica não é um problema futuro. É um desafio de engenharia e coordenação no tempo presente, com um prazo definido pela física e pelo progresso do hardware, não pelo momento em que a indústria de blockchain decidir que está pronta”, finaliza o texto.

“A lacuna não é técnica; os padrões do NIST existem, os algoritmos funcionam e implementações de referência estão disponíveis. A lacuna é inteiramente de coordenação, urgência e disposição para aceitar os custos da migração.”

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Henrique HK

Formado em desenvolvimento web há mais de 20 anos, Henrique Kalashnikov encontrou-se com o Bitcoin em 2016 e desde então está desvendando seus pormenores. Tradutor de mais de 100 documentos sobre criptomoedas alternativas, também já teve uma pequena fazenda de mineração com mais de 50 placas de vídeo. Atualmente segue acompanhando as tendências do setor, usando seu conhecimento para entregar bons conteúdos aos leitores do Livecoins.