Associação de “criptos” com crimes cresce em 2019; regulação poderia mudar cenário, diz empresa

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Desde 2009, ano em que a primeira versão do bitcoin foi lançada, o mercado de criptomoedas amadureceu e conquistou seu espaço. O investimento mundial nesse tipo de ativo deu um salto, o número de pagamentos com moedas digitais cresceu 65% só no ano passado e até governos passaram a “namorar” a nova tecnologia.

No entanto, apesar de todo o aspecto positivo do segmento, a natureza descentralizada e “semi-anônima” das criptomoedas tem sido um chamariz para criminosos financiarem atividades ilícitas. Alguns exemplos são golpes, pirâmides financeiras, lavagem de dinheiro e até terrorismo.

E o problema é que essas infrações, que infelizmente dão “má fama” ao mercado de criptomoedas, vêm crescendo a cada ano e alcançaram seu ápice em 2019. É o que diz o relatório “The 2020 state of crypto crime”, divulgado neste mês pela Chainalysis, empresa que rastreia transações com bitcoins e outras moedas.

US$ 11,5 bilhões em transações associadas a crimes

De acordo com o documento, no ano passado US$ 11,5 bilhões em transações de criptomoedas foram associadas a atividades criminosas, montante 300% superior ao registrado em 2018 e 100% maior do que o de 2017. O dado positivo disso é que, apesar do volume enome de 2019, o número representa apenas 1,1% do total de transações com criptomoedas.

No ano passado, ainda de acordo com o relatório, os golpes e as pirâmides financeiras foram de longe os maiores tipos de crimes que utilizaram criptomoedas. Os criminosos roubaram cerca de US$ 4,3 bilhões de vítimas em esquemas ponzi, por exemplo. O valor é três vez maior do que o registrado em 2018.

Além de pirâmides, criptomoedas também foram usadas para financiamento do terrosimo, roubo de fundos, uso de softwares maliciosos e negociação no mercado negro (compra de drogas, armas etc), além de outros.

Pirâmides atingem pessoas vulneráveis e mancham mercado

O documento também diz que golpes baseados em criptomoeda prejudicam a reputação da indústria como um todo e tendem a atingir populações vulneráveis, como os idosos.

“Os golpistas aproveitam a posição única que a criptomoeda atualmente ocupa aos olhos do público. A maioria das pessoas já ouviu falar e muitas acreditam que podem ficar ricas rápidas com elas. Mas muitas dessas pessoas também não conhecem o setor suficientemente bem para detectar uma farsa quando virem uma, tornando-as alvos maduros”, diz trecho do relatório.

Aqui no Brasil, por exemplo, o ano de 2019 foi repleto de casos, a exemplo da Unick Forex, da Blockchange e tantas outras. Um dos investidores ouvidos pelo Livecoins chegou a utilizar dinheiro de rescisão trabalhista para investir na GenBit, empresa que prometia rendimentos de 15% ao mês atrelados a supostos investimentos em criptomoedas.

Como mudar o cenário atual?

De acordo com a Chainalysis, mudar o cenário depende de um trabalho conjunto tanto de agentes do mercado, a exemplo de exchanges, como de reguladores e autoridades governamentais.

Para tentar evitar que investidores caiam em golpes, por exemplo, as corretoras poderiam impedir que clientes façam pagamentos para conhecidos esquemas de pirâmide. Além disso, poderiam avisar os investidores que eles podem estar prestes a enviar recursos para um possível golpe.

No caso de lavagem de dinheiro, a sugestão da empresa é que tanto policias como governos e outros órgãos passem a utilizar ferramentas que permitam a análise de transações na blockchain.

A empresa defende também a regulação do segmento e a criação de leis para proteger o consumidor. No Brasil, por exemplo, há discussões na Câmara e no Senado sobre a regulamentação do uso das criptomoedas no país.

Lucas Gabriel Marins
Lucas Gabriel Marins
Jornalista desde 2010. Escreve para Livecoins e UOL. Já foi repórter da Gazeta do Povo e da Agência Estadual de Notícias (AEN).

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