
BIP-110 também gera o risco da criação de outra moeda, como aconteceu em 2017, caso rede se divida. Imagem: ChatGPT.
Jon Atack, desenvolvedor do Bitcoin Core, está recomendando que investidores evitem fazer transações de BTC após a ativação do BIP-110. A atualização, apoiada por uma pequena parte da rede, deve acontecer no próximo mês.
Em suma, Atack acredita que a ativação do BIP-110 pode resultar em reorganizações de blocos. Nos comentários do tuíte abaixo, o desenvolvedor também tira dúvidas sobre fechamentos de canais na Lightning Network e outras soluções.
“Evite fazer transações durante a segunda semana de agosto até a poeira baixar e o risco de reorg diminuir (a menos que eu esteja deixando passar algo). Vou rodar tanto a minha versão do Core quanto o Knots 110 para observar, mantendo os sats separados e fora de circulação.”
Em outro comentário, Atack fala em “blocos lentos, profundidade e frequência de reorgs e blocos órfãos, sinalização do hashrate, taxas e limpeza da mempool, divergências de PoW no chaintip, anúncios de exchanges e custodiantes”.
Em resumo, o BIP-110 é apresentado como uma solução temporária para limitar o tamanho dos dados arbitrários que podem ser inseridos no Bitcoin. A proposta ganhou força após o Bitcoin Core v30 aumentar o limite do -datacarriersize de 83 para 100.000 bytes, bem como permitir múltiplas saídas de OP_RETURN.
Dentre as mudanças do BIP-110 estariam a invalidação de transações superiores a 34 bytes (exceto OP_RETURN, que teria limite de 83 bytes), a invalidação de dados muito grandes dentro de scripts ou witness, o mesmo com scripts Taproot que usem condicionais como OP_IF ou OP_NOTIF, dentre outras.
As mudanças teriam duração de um ano (52.416 blocos), o que significa que possíveis bitcoins bloqueados seriam liberados após este período.
Conforme alguns endereços serão impedidos de realizar transações, o texto também aponta haver uma exceção para essas regras, revelando que todos os UTXOs criados antes da ativação do BIP podem ser gastos normalmente.
“As novas regras se aplicam apenas a UTXOs criados na altura da ativação ou depois. Quando o softfork expira, UTXOs de todas as alturas voltam a ficar sem restrições.”
Nas redes sociais, usuários do Bitcoin Knots demonstram forte apoio à proposta. No entanto, monitores mostram uma sinalização pequena por parte dos mineradores.
Nas redes sociais, Luke Dashjr, outro desenvolvedor do Bitcoin, aponta que “mineradores tentando bloquear o BIP110 estariam cometendo suicídio para seus próprios negócios”.
“Eles não deixariam à comunidade outra escolha a não ser mudar para outro algoritmo de prova de trabalho. E com que objetivo? Permitir que agentes mal-intencionados forcem CSAM sobre todos os bitcoiners? Não vejo isso acontecendo. É só FUD.”
Aos que acompanham a briga entre Core e Knots, os argumentos centrais são os mesmos.
Embora o BIP-110 se apresente como uma solução contra o spam de dados arbitrários no Bitcoin, críticos da proposta alegam que ela não resolverá esse problema, mas criará outros.
Um dos artigos mais completos sobre o tema foi escrito pelo perfil da Farside Investors na última segunda-feira (29).
“Como o BIP-110 altera regras do protocolo do Bitcoin, existe o risco de uma divisão temporária ou permanente da cadeia e do surgimento de uma nova moeda. Diferentemente da maioria dos soft forks bem-sucedidos do passado do Bitcoin, o BIP-110 é controverso e fortemente contestado, elevando o risco de um chainsplit.”
Seguindo, o texto aponta que o BIP-110 pode “quebrar carteiras” que oferecem suporte a miniscripts. Ainda que usuários possam receber fundos em endereços usando tapscript com OP_IF, por exemplo, eles não poderão gastá-los posteriormente.
Outro ponto seria a proibição de envio de bitcoins para endereços P2PK. No entanto, conforme as chaves públicas desses endereços estão sempre expostas, seu uso é quase nulo nos dias atuais.
“Na história do Bitcoin, uma proibição desse tipo nunca aconteceu antes, o que torna o BIP-110 altamente sem precedentes.”
Citando outras questões, os analistas da Farside concluem que a forma mais eficaz de combater o spam seria “por meios econômicos” e que os defensores do BIP-110 deveriam “combater o spam tornando o Bitcoin um dinheiro melhor”.
Como comparação, lembram o que aconteceu com a “Guerra do Tamanho dos Blocos” que deu origem ao Bitcoin Cash (BCH) e outros clones do Bitcoin após 2017.
Por fim, mais discussões sobre o assunto, contendo visões dos dois lados, podem ser encontradas nas redes sociais.