Deutsche Bank diz que Bitcoin “passou dos limites” e não pode mais ser ignorado

De acordo com o banco, as grandes economias tentarão de todas as formas evitar que as criptomoedas ofusquem as moedas que hoje dominam o sistema monetário.

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Bitcoin regulação. Imagem: ShutterStock
Bitcoin regulação. Imagem: ShutterStock

A popularidade crescente do Bitcoin está incomodando governos e bancos centrais. A gota d’água foi a legalização da criptomoeda em El Salvador. De acordo com economistas do Deutsche Bank, vários políticos, autoridades, banqueiros e economistas estão clamando por regulamentação do mercado, e esta regulamentação visa não apenas proteger investidores, mas acima de tudo preservar o monopólio do controle do dinheiro que os poderes públicos desfrutam hoje.

“Bitcoin, junto com outros ativos criptográficos (sic), ultrapassou os limites do uso generalizado e não pode mais ser ignorado… À medida que as criptomoedas começam a competir seriamente com as moedas convencionais e fiduciárias, os reguladores e legisladores entrarão em ação.”, dizem os especialistas do banco alemão.

O relatório do Deutsche Bank foi publicado depois que o Comitê de Supervisão Bancária da Basiléia lançou uma consulta pública na qual propõe que os bancos criem requisitos mais rígidos ao lidar com Bitcoin e outra criptomoedas.

A proposta é dividir os ativos digitais em dois grupos, colocando o Bitcoin naquele de maior risco. Com base nisso, qualquer ativo desse grupo que esteja em carteira receberá uma ponderação de risco de 1.250%, a maior contemplada pelo Comitê da Basileia.

Na prática, isso significa que um banco precisaria de um dólar em caixa para cada dólar de Bitcoin, tudo com base em um requisito de capital mínimo de 8%.

Governos tentarão evitar que criptomoedas concorram com moedas fiduciárias

De acordo com o banco, as grandes economias tentarão de todas as formas evitar que as criptomoedas ofusquem as moedas que hoje dominam o sistema monetário.

A maioria dos países do G20 têm ativos criptográficos em suas agendas. Essas nações não querem permitir que as criptomoedas concorram com moedas fiduciárias apoiadas pelo governo.

Em termos de medidas regulatórias, o banco espera que 2021 mude as regras do jogo e, em 2022 as economias mais avançadas terão uma estrutura regulatória sólida para ativos criptográficos.

“Os governos em todo o mundo fragmentaram as abordagens para regulamentar o Bitcoin e outras criptomoedas. Alguns países, como El Savaldor, permitiram que o Bitcoin se tornasse moeda corrente“, diz o banco, acrescentando “… A decisão de El Salvador abre caminho para que outras economias emergentes tomem medidas semelhantes. Isso é especialmente verdadeiro para economias que sofrem de instabilidade e forte dependência do dólar americano.”

Por que a obsessão em regular algo que não pode ser regulado?

Apenas para tentar evitar que as criptomoedas coloquem em risco o domínio que as autoridades exercem sobre o sistema monetário, a moeda e a política monetária.

O Bitcoin é descentralizado e não pode ser regulado – o mercado sim o Bitcoin não. Assim, não importa o que os governantes e as “autoridades” decidam, o Bitcoin sempre funcionará da forma pelo qual foi criado.

Apesar de maior parte da regulamentação das criptomoedas ainda estarem em palavras e não em ações, os comunicados mais recentes das autoridades passam uma mensagem bastante clara.

A ponta da lança virá dos EUA sob o comando de Joe Biden. Com a chegada do democrata à Casa Branca, as autoridades financeiras americanas se preparam para assumir um papel mais ativo na regulação do mercado.

A desculpa para tentar sufocar o mercado pode ser muito bem a narrativa de que as criptomoedas são usadas em atividades ilícitas.

“Algumas criptomoedas são usadas por terroristas para atividades criminosas, por hackers, golpistas. A atividade na Darknet e no ransomware tem crescido continuamente desde 2019. Em 2020, os esquemas de ransomware aumentaram em mais de 30%. Esses golpes, que costumam usar criptomoedas, continuam sendo a maior fonte de atividade ilícita do mundo. Os golpistas receberam quase 2,5 bilhões de dólares em 2020.”, disseram os analistas do Deutsche Bank.

O banco concluí o relatório dizendo que as criptomoedas representam cada vez mais uma ameaça à estabilidade monetária e financeira, e os bancos centrais e governos não abrirão mão de seus monopólios monetários.

Assim, à medida que o Bitcoin e outras criptomoedas começam a competir seriamente com as moedas fiduciárias dos governos, os reguladores e legisladores tomarão medidas duras em breve.

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