
Christopher Wood, chefe global de estratégia de ações da Jefferies, disse estar removendo Bitcoin de seu portfólio modelo. A justificativa é a ameaça da computação quântica.
A revelação foi anunciada em sua newsletter chamada “Greed & Fear” e as informações foram extraídas e publicadas pela Bloomberg nesta sexta-feira (16).
Nas redes sociais, nomes famosos da comunidade do Bitcoin já debatem o tema há algum tempo. Alguns estão preocupados, outros nem tanto.
Até então o Bitcoin representava 10% do portfólio modelo de Christopher Wood. O espaço será ocupado e dividido igualmente por ouro físico e ações de mineradoras de ouro, cada qual com 5% do total.
Segundo Wood, os avanços na computação quântica estão enfraquecendo a tese do Bitcoin sendo uma reserva de valor confiável, especialmente para investidores de longo prazo.
Devido a sua escassez, muitos vem o Bitcoin como um ouro digital. No entanto, além do longo histórico monetário do metal, ele não possui esses riscos adjacentes às criptomoedas.
O primeiro temor dos investidores é que aproximadamente 20 a 50% de todos os bitcoins estejam vulneráveis à computação quântica. O ataque permitiria obter as chaves privadas e então controlar esses fundos.
Como destaque, executivo da Jefferies também aponta que a mineração poderia ser comprometida e, portanto, essa ameaça “é potencialmente existencial, pois mina o conceito do Bitcoin como reserva de valor e, portanto, como uma alternativa digital ao ouro”.
No momento desta redação, quase 20 milhões de bitcoins já estão em circulação, restando pouco mais de 1 milhão a ser minerado no próximo século.
Atualmente já existem algumas propostas para mitigar os efeitos da chegada dos computadores quânticos. Isso se dá, por exemplo, pela chegada de novos endereços, embora mais pesados.
No entanto, moedas consideradas perdidas, como as de Satoshi Nakamoto, que chegam a 1,1 milhão de unidades, continuariam expostas. Alguns desenvolvedores propõem que esses bitcoins sejam congelados.
Nas redes sociais, alguns especialistas defendem que a ameaça quântica é uma narrativa para criar “FUD”, sigla inglesa para Medo, Incerteza e Dúvida. Por outro lado, outros se sentem incomodados pela falta de avanços concretos.
Nic Carter, citado pela Bloomberg, escreveu no mês passado que “a discrepância entre o capital e os desenvolvedores nesse tema é enorme”. Ou seja, enquanto desenvolvedores parecem não se importar, investidores estão retirando alocações, como o estrategista da Jefferies.
“O capital está preocupado e buscando uma solução. Já os desenvolvedores, em sua maioria, estão em completa negação. A incapacidade de sequer reconhecer o risco quântico já está pesando sobre o preço.”
“Isso é totalmente diferente da filosofia de ser proativo e paranoico que normalmente caracteriza o Bitcoin”, adicionou Carter.
Em dezembro, o Livecoins conversou com Narcélio Filho, especialista em Bitcoin no Brasil, sobre o tema.
Reagindo aos comentários de Nic Carter e Adam Back, o desenvolvedor afirmou que a ameaça não é iminente, mas que a comunidade precisa estar atenta. Na conversa, o brasileiro também cita a preocupação com outras vulnerabilidades mais importantes no momento.
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