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Glassnode revela quais corretoras de Bitcoin estão mais expostas a computadores quânticos

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A Glassnode, empresa de análise on-chain, publicou um relatório nesta quarta-feira (20) sobre bitcoins expostos a ataques de computadores quânticos. Como destaque, o texto analisa as principais corretoras do mercado, bem como gestoras e governos.

Para compreender o estudo, é necessário entender primeiramente que existem dois tipos de ataques.

O primeiro deles é chamado de curto alcance, ou seja, o tempo máximo da exploração é entre o envio da transação para a rede e a sua confirmação pelos mineradores. Isso afeta todos os endereços de Bitcoin, mas tal ataque é muito mais difícil de ser realizado.

O segundo é chamado de longo alcance, tendo um tempo ilimitado. Isso acontece porque a chave pública de um endereço já foi revelada anteriormente, seja pelo tipo do endereço (como P2PK — Pay to Public Key) ou pela reutilização do endereço. Aqui entram os exemplos citados pelo estudo.

Glassnode revela que carteiras de Bitcoin de grandes corretoras estão expostas a ataques de computadores quânticos

Embora os computadores quânticos ainda não sejam uma ameaça real, o tema se tornou popular nos últimos meses devido ao avanço dessa tecnologia. Na prática, ainda não existem endereços resistentes à computação quântica, mas o uso de endereços que não tiveram suas chaves públicas reveladas é recomendado por especialistas.

Segundo a Glassnode, diversas corretoras estão expostas a ataques de longo alcance.

O destaque fica para a Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo, que está com 85% de seus bitcoins expostos.

Na sequência aparecem Bitfinex, Bithumb, Coincheck, Deribit, Crypto.com e Bitcoin.de com 100% de suas carteiras expostas. Por outro lado, Bitflyer apresenta somente 2%, Coinbase 5%, OKX 23% e Bitstamp 33%.

Estudo da Glassnode revela quais corretoras estão expostas a ataques de longo alcance por computadores quânticos. Fonte: Glassnode/Reprodução.

“Esses outputs não são necessariamente vulneráveis por design. Em vez disso, tornam-se expostos porque a chave pública já foi revelada enquanto o BTC permanece associado ao mesmo endereço, chave ou estrutura de script. Esse é o problema da reutilização de endereços.”

“As corretoras são o subconjunto rotulado mais importante. Dentro do grupo operacionalmente inseguro, 1,66 milhão de BTC, ou 8,3% da oferta total, está relacionado a corretoras”, explica a Glassnode.

Conforme esses ataques ainda não são práticos, o problema não é pontual. Para resolvê-lo, caso o risco se torne iminente, as corretoras só precisam transferir seus saldos para novos endereços.

Estudo também analisou bitcoins de gestoras e outras empresas

Seguindo com o texto, a Glassnode também analisou carteiras de gestoras e até mesmo governos.

O destaque fica para o governo dos EUA, que mantém 0% de exposição a ataques de longo alcance. O mesmo acontece com o governo de El Salvador, que dividiu seus bitcoins em 14 endereços, justamente por conta dessa ameaça quântica, e com o governo do Reino Unido.

Por outro lado, Robinhood, Franklin Templeton e WisdomTree estão 100% expostos, seguidos da Revolut com 99%. Outras empresas mencionadas são Fidelity (2%), Grayscale (52%), Cash App (2%), WBTC (13%), MtGox (0%) e o governo do Butão (50%).

Estudo da Glassnode destaca quais empresas e governos estão com carteiras de Bitcoin expostas a ataques de longo alcance de computadores quânticos. Fonte: Glassnode/Reprodução.

Por fim, o relatório também destaca que 1,1 milhão de bitcoins de Satoshi Nakamoto e outros ~620 mil bitcoins da Era Satoshi estão expostos, ambos devido ao uso de endereços P2PK. Já endereços Taproot acumulam cerca de 200 mil moedas expostas a esses ataques.

“Uma parcela relevante da exposição mensurável está nas mãos de entidades ativas que podem reduzi-la por meio de decisões operacionais já disponíveis hoje. Para corretoras e custodiante, a higiene de endereços, a gestão de reservas, a redução da reutilização de chaves e o planejamento de migração não são preocupações teóricas futuras, elas são as alavancas práticas pelas quais a exposição visível pode diminuir.”

“Até lá, esta análise deve ser lida de forma restrita. Não se trata de uma previsão sobre cronogramas quânticos, nem de uma estimativa de probabilidade de exploração, nem de uma afirmação de que moedas expostas enfrentam risco imediato”, explica a Glassnode. “Trata-se de um mapa de base que mostra onde as chaves públicas do Bitcoin já estão visíveis hoje e onde a oportunidade de reduzir essa exposição é mais mensurável.”
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Henrique HK

Formado em desenvolvimento web há mais de 20 anos, Henrique Kalashnikov encontrou-se com o Bitcoin em 2016 e desde então está desvendando seus pormenores. Tradutor de mais de 100 documentos sobre criptomoedas alternativas, também já teve uma pequena fazenda de mineração com mais de 50 placas de vídeo. Atualmente segue acompanhando as tendências do setor, usando seu conhecimento para entregar bons conteúdos aos leitores do Livecoins.