Justiça condena campeão de xadrez que deu golpe com Tether USDT no Brasil
04/02/2026 10:12 10:12
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Colombiano prometeu 2% ao mês de juros para vítima se dizendo empresário espanhol de sucesso (Foto/Reprodução)
O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) condenou o réu Daniel Uribe Arteaga a uma pena de 8 anos, 10 meses e 15 dias de reclusão pelos crimes de estelionato majorado por fraude eletrônica e lavagem de dinheiro.
A decisão, proferida pelo juiz Márcio Evangelista Ferreira da Silva, marca também mais uma colaboração entre a polícia brasileira e emissores de stablecoins, no caso a Tether (USDT).
Segundo os autos do processo, Daniel se passava por um empresário espanhol bem-sucedido, residente em Barcelona, que movimentava milhões semanalmente com a importação de iPhones e operações no Paraguai.
Utilizando uma narrativa sofisticada e valendo-se da confiança de contadores e amigos em comum, ele convenceu a vítima a transferir 1,5 milhão de USDT (Tether) sob a promessa de um lucro de 2% em uma operação de câmbio.
Após receber os ativos digitais no dia 25 de novembro de 2024, o acusado enviou os fundos em diversas carteiras e corretoras como Bybit e OKX, cortando contato com a vítima.
Investigações apontaram que ele usou parte do dinheiro para comprar artigos de luxo na Louis Vuitton e fugiu de jatinho particular para o Panamá. Sites como Chess.com mostram que ele tinha uma carreira como enxadrista no passado, antes de se envolver com golpes.
Emissora do USDT, Tether congelou saldo roubado pelo colombiano em colaboração com autoridades policiais brasileiras
Um dos pontos que chama atenção na sentença foi a validação da atuação policial junto à empresa emissora do token.
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) conseguiu, mediante cooperação direta com a Tether Operations Limited, o bloqueio administrativo de 1.095.003 USDT (cerca de 73,5% do total roubado).
A defesa do réu tentou anular essa prova, alegando que a comunicação por e-mail com a empresa nas Ilhas Virgens Britânicas violava tratados de cooperação internacional.
Entretanto, o magistrado rejeitou a tese, afirmando que a medida foi necessária devido à “alta volatilidade, rápida circulação e facilidade de ocultação” dos ativos virtuais.
O juiz destacou que a Tether possui capacidade técnica para monitorar e restringir carteiras, tornando sua cooperação indispensável para evitar o esvaziamento patrimonial da vítima.
Desta forma, a decisão reforça que a ação direta para congelamento de stablecoins é legítima em casos de urgência.
Polícia Civil do DF conseguiu ajuda da Tether para bloquear valores roubados (Foto/Trecho de decisão judicial).
Condenado a prisão e a devolver valores para vítima
A condenação também citou o crime de lavagem de capitais, visto que Daniel tentou dissimular a origem dos fundos através de múltiplas transferências e conversão em bens.
Além da pena de prisão em regime fechado, o réu foi condenado a reparar a vítima em R$ 404.997,00, valor correspondente ao montante que não foi recuperado pelo bloqueio da Tether.
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Bruno Costa
Bruno Costa ingressou no jornalismo cripto quando o DeFi ainda era um experimento de nicho e, desde então, tornou-se uma das principais vozes brasileiras na cobertura de finanças descentralizadas e ativos digitais. Atualmente atua como Senior Content Manager na Starkware.co, uma empresa de PR e marketing focada em DeFi, NFTs e crescimento de comunidades Web3. Seu trabalho frequentemente explora como as economias de tokens podem impulsionar a inclusão financeira no país, conectando a adoção de blockchain à realidade local. Ele é Certified Bitcoin Professional (CBP), credenciado pelo CryptoCurrency Certification Consortium (C4). Graduado em Jornalismo pela Universidade Europeia, Bruno aprofundou sua expertise com formações como o curso DAO Fundamentals (EDU Trainings) e o Web3 Solidity Bootcamp (Metana). Sua cobertura inclui adoção de DeFi em mercados emergentes, cultura NFT na América Latina e análises de UX em aplicações descentralizadas. Entre suas principais competências estão reportagem investigativa, análise do mercado cripto, construção de narrativa e estratégia de conteúdo. No Brasil, o público o conhece por portais como Cointimes.com.br, onde é colaborador regular, além de suas reportagens investigativas que revelaram golpes no setor DeFi. Uma de suas séries chegou a contribuir para alertas regulatórios e maior fiscalização por parte da CVM. Seu guia sobre stablecoins alcançou mais de 50 mil leitores e foi referenciado por três grupos acadêmicos de pesquisa, enquanto sua consultoria para uma carteira DeFi ajudou a redesenhar o conteúdo de onboarding e atraiu mais de 10 mil novos usuários. Bruno já foi citado pelo Valor Econômico, fez coberturas presenciais na São Paulo NFT Expo e no Rio Blockchain Meetup, e participou de grandes eventos como a SP Tech Week e a Blockchain Conference Brasil, onde discutiu temas sobre regulação do DeFi, UX e inovação. Curioso e criativo, com um forte foco em conectar tecnologia e cultura, ele costuma lembrar colegas e leitores de que “Journalism should empower readers with clarity in a world full of crypto hype and misinformation.” Disclaimer: Todo o conteúdo aqui apresentado diz respeito a temas de criptomoedas, blockchain e Web3 e possui caráter exclusivamente informativo e educacional. Não constitui aconselhamento financeiro, de investimento ou jurídico. As análises refletem a experiência e a pesquisa pessoal do autor. O nome do autor é utilizado como pseudônimo. Sempre faça sua própria pesquisa (DYOR) antes de tomar decisões no ecossistema cripto.
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