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Michael Saylor defende que o ciclo de 4 anos já não é mais importante e que o mercado será cada vez mais dominado por investidores institucionais

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Michael Saylor, fundador da Strategy, publicou um longo texto em suas redes sociais neste domingo (5). Dentre os destaques está sua fala sobre o ciclo de quatro anos ficar cada vez menos importante.

Na visão do bilionário, a criptomoeda agora é “institucional demais” e, enquanto a oferta continua encolhendo, a demanda está sendo transformada. Como exemplo estão ETFs, empresas de tesouraria, reservas soberanas, dentre outros casos.

Em outro trecho, o executivo também afirma que o Bitcoin não foi feito para pagar pelo café do dia a dia, mas sim otimizado para liquidação final.

Ciclo de quatro anos está se tornando menos importante, diz Saylor

Iniciando seu texto, Michael Saylor aponta que o Bitcoin não é uma ação de tecnologia, empresa de pagamento ou plataforma de software, mas que seu objetivo é “se mover devagar e não quebrar”.

“Essa distinção vai definir a próxima década.”

Seguindo, o bilionário explica que o Bitcoin já venceu a sua primeira grande batalha. Ou seja, o mundo já vê a criptomoeda como um capital digital que é escasso, durável, portátil, divisível, programável e transferível globalmente.

“A camada base não é otimizada para pagar café. Ela é otimizada para liquidação final. É espaço de bloco escasso, protegido por energia, criptografia, incentivos econômicos e consenso global.”

Sua ideia é que a camada base seja usada para liquidações de alto valor, reservas de tesouraria, liquidação de garantias e transferência final de propriedade. Já pagamentos, empréstimos e outros serviços devem se desenvolver ao redor do Bitcoin.

Quanto ao ciclo de quatro anos, Saylor acredita que ele terá cada vez menos importância nos preços.

“O Bitcoin agora é institucional demais, global demais, líquido demais e integrado demais aos mercados de capitais para ser explicado por uma narrativa simples de ciclos de varejo. O lado da oferta continua encolhendo, mas o lado da demanda está sendo transformado.”

Como exemplo, o fundador da Strategy cita uma série de investimentos institucionais que guiarão o preço no futuro.

  • Fluxos de ETFs;
  • Fluxos de tesourarias corporativas;
  • Fluxos de reservas soberanas;
  • Fluxos de crédito bancário;
  • Fluxos de derivativos;
  • Fluxos de seguros;
  • Fluxos de garantias;
  • Fluxos de crédito estruturado;
  • Fluxos de poupança global.

Explicando seu pensamento, Saylor afirma que “o halving diminui a oferta e os fluxos de capital definem a trajetória de crescimento”.

Saylor afirma que Bitcoin seguirá os passos do ouro

Voltando a defender o Bitcoin como um capital digital, Michael Saylor acredita que a próxima evolução seria uma transformação em crédito digital e, então, em dinheiro. A última etapa seria uma interface entre o Bitcoin e a economia global.

Em maio, o bilionário afirmou que o plano final da Strategy é se tornar um banco central, criando crédito com base nos bitcoins em suas reservas.

“Isso não enfraquece o Bitcoin. Isso fortalece o Bitcoin.”

Como exemplo, Saylor afirma que o ouro se tornou mais útil quando bancos, mercados de capitais e outros serviços passaram a se desenvolver ao seu redor.

O mesmo aconteceu com imóveis com a chegada de hipotecas, REITs, securitização, seguros e mercados de crédito, bem como com as ações com a criação de bolsas, fundos de índice, derivativos e outras ferramentas.

“O Bitcoin seguirá o mesmo padrão, só que mais rápido e em uma rede digital global. A próxima onda de adoção não ficará limitada a pessoas comprando Bitcoin. Ela vai incluir indivíduos, empresas, bancos, fundos, seguradoras, fundos de pensão, Estados soberanos e mercados de crédito usando Bitcoin como capital.”

Nem todos usarão o Bitcoin da mesma forma

Na sequência, Michael Saylor explica que todos vão querer se aproveitar das propriedades do Bitcoin, mas que nem todos vão querer ter a mesma relação com a criptomoeda.

  • Alguns vão guardar chaves privadas;
  • Alguns vão usar ETFs;
  • Alguns vão ter Bitcoin por meio de bancos;
  • Alguns vão ter Bitcoin por meio de empresas;
  • Alguns vão usar Bitcoin como garantia;
  • Alguns vão deter crédito lastreado em Bitcoin;
  • Alguns vão usar dinheiro digital lastreado em crédito digital lastreado em Bitcoin.

Saylor aponta os principais riscos para o Bitcoin

Em outro trecho, Michael Saylor enumera uma série de riscos para o Bitcoin. Na sua visão, o maior perigo não é o Bitcoin desaparecer, mas sim mudanças em seu código.

O bilionário já havia se pronunciado sobre esse tema em setembro de 2025, quando disse que o maior perigo seria um desenvolvedor talentoso tentar fazer algo bom.

“O primeiro risco é a corrupção do protocolo. A integridade monetária do Bitcoin depende de consenso rígido. Mudanças na camada base devem ser raras, cuidadosamente analisadas e apoiadas apenas após alinhamento esmagador.”

Já o segundo ponto seria o “Bitcoin de papel”. Ou seja, a criação de moedas falsas por intermediários, como corretoras negociando bitcoins que não existem em suas carteiras, como aconteceu com a FTX.

“O terceiro risco é a centralização da custódia. Se a maioria dos usuários mantiver Bitcoin por meio de poucos bancos, corretoras, fundos e aplicativos, o Bitcoin continua escasso, mas a experiência do usuário se torna cada vez mais permissionada.”

O quarto risco seria a captura regulatória e o quinto a incerteza do mercado de taxas de transação para que mineradores continuem tendo motivos monetários para manter a segurança da rede à medida que a recompensa base cai a cada halving.

O que Saylor espera para a próxima decada?

Quanto ao futuro, Michael Saylor diz esperar que o Bitcoin seja amplamente mais detido, mais profundamente institucionalizado, mais politicamente relevante, mais integrado financeiramente e mais intensamente defendido até 2036.

  • Ele será um ativo global de capital digital;
  • Servirá como capital de reserva de tesouraria para indivíduos, empresas, fundos, bancos e Estados soberanos;
  • Se tornará um ativo dominante de garantia para mercados de crédito digital;
  • Liquidará transações de alto valor com finalidade;
  • Ancorará novas formas de dinheiro digital;
  • Sustentará um ecossistema crescente de crédito, rendimento, derivativos, seguros, custódia e produtos financeiros estruturados.

Finalizando, o bilionário volta a dizer que o protocolo base mudará menos do que quase tudo construído ao redor dele. “Esse é o paradoxo do Bitcoin”, explica Saylor.

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Henrique HK

Formado em desenvolvimento web há mais de 20 anos, Henrique Kalashnikov encontrou-se com o Bitcoin em 2016 e desde então está desvendando seus pormenores. Tradutor de mais de 100 documentos sobre criptomoedas alternativas, também já teve uma pequena fazenda de mineração com mais de 50 placas de vídeo. Atualmente segue acompanhando as tendências do setor, usando seu conhecimento para entregar bons conteúdos aos leitores do Livecoins.

Autor:
Henrique HK