Mineradores de Bitcoin chineses se mudam para Etiópia, assunto já causa polêmica

A migração já está causando polêmicas. Como destaque, o SCMP aponta que países como Cazaquistão e Irã já tentaram abraçar o setor de mineração, mas isso acabou gerando crises de energia e obrigando os mineradores a empacotar seus equipamentos e enviá-los para outros lugares.

Desde 2021, quando a China baniu a mineração de Bitcoin, mineradores chineses estão migrando para outros países em busca de eletricidade barata. A nova aposta é a Etiópia, um país africano com 120 milhões de habitantes e com condições climáticas adequadas para a atividade.

No entanto, a chegada dos mineradores na Etiópia já está causando polêmica. Um dos motivos é a falta de acesso à eletricidade a boa parte da população local. Segundo dados de 2021, apenas 54% dos etíopes tinham acesso à eletricidade.

Outra curiosidade é que a negociação de criptomoedas é proibida no país, mas a mineração é permitida desde 2022. Um paradoxo.

Mineradores chineses migram para a Etiópia

Embora a China tenha banido as criptomoedas de seu país há quase 3 anos, é difícil saber o quão efetivo foi esse banimento. Como exemplo, um estudo recente do WSJ revelou que chineses continuam negociando Bitcoin via P2P e também com o auxílio de VPN para driblar o grande firewall da China.

Já nesta semana, a China divulgou uma nota prometendo intensificar o combate a mineração de criptomoedas. Ou seja, grandes mineradoras podem ter fechado suas portas, mas outras menores seguem ativas.

Segundo informações publicadas pelo South China Morning Post (SCMP) nesta quinta-feira (8), o destino atual dos mineradores é a Etiópia. Sendo mais específico, aos arredores da Represa do Renascimento, uma hidrelétrica que contou com um empréstimo chinês de US$ 1 bilhão e foi inaugurada em 2020.

“Na Primavera passada, começaram a aparecer contêineres de carga perto de subestações eléctricas ligadas à recentemente construída Represa do Renascimento (GERD, na sigla inglesa), a maior de África”, destacou o SCMP. “Dentro havia pilhas de computadores poderosos e que consumiam muita energia.”

A migração já está causando polêmicas. Como destaque, o SCMP aponta que países como Cazaquistão e Irã já tentaram abraçar o setor de mineração, mas isso acabou gerando crises de energia e obrigando os mineradores a empacotar seus equipamentos e enviá-los para outros lugares.

Outro agravante é que, mesmo com a inauguração da hidrelétrica, cerca de metade da população da Etiópia continua sem acesso à energia elétrica. Ou seja, é um problema que já era existente, mas pode forçar mineradores a deixarem o país no futuro.

“A Etiópia prometeu se tornar o maior centro de mineração de Bitcoin na África — se os mineradores conseguirem navegar num processo regulatório lento”, escreveu o Hashrate Index em dezembro do ano passado em estudo sobre o continente africano.

Das 21 mineradoras que operam no país, o SCMP destaca que 19 delas são chinesas. Além da energia barata (R$ 0,16 por kWh) e condições climáticas favoráveis (entre 5 °C e 25 °C), a diplomacia entre Etiópia e China é outro fator que atrai mineradores.

“Os mineradores chineses não têm problemas em construir instalações na África”, comentou Nuo Xu, fundador da China Digital Mining Association. “É como outra província chinesa.”

Por fim, mesmo tendo liberado o setor de mineração em 2022, atraindo diversos mineradores, a Etiópia ainda não permite a negociação de criptomoedas em seu país. Portanto, até mesmo os mineradores precisam vender seus bitcoins em outro local.

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Henrique HK
Henrique HKhttps://github.com/sabotag3x
Formado em desenvolvimento web há mais de 20 anos, Henrique Kalashnikov encontrou-se com o Bitcoin em 2016 e desde então está desvendando seus pormenores. Tradutor de mais de 100 documentos sobre criptomoedas alternativas, também já teve uma pequena fazenda de mineração com mais de 50 placas de vídeo. Atualmente segue acompanhando as tendências do setor, usando seu conhecimento para entregar bons conteúdos aos leitores do Livecoins.

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