Inteligência Artificial

O próximo grande participante do mercado financeiro não é humano, aponta Tech as a Service brasileira

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A evolução da inteligência artificial (IA) e das finanças descentralizadas (DeFi) criou uma nova geração de participantes econômicos e não são pessoas. São agentes autônomos capazes de operar, negociar e tomar decisões financeiras sem intervenção humana.

A perspectiva é clara para Vinicius Chagas, fundador e CEO da HOUS3, departamento completo de tecnologia brasileiro, que enxerga a transformação estrutural no mercado financeiro global e aponta que o assunto exige novas discussões sobre infraestrutura, identidade digital e regulamentação.

O empreendedor aponta que nos últimos dois anos, empresas e protocolos internacionais aceleraram o desenvolvimento de soluções voltadas para a atuação financeira de agentes de IA. As novidades e inovações, contudo, forçam o mercado a uma mudança profunda na lógica operacional das finanças digitais.

“Não estamos mais falando apenas do uso de inteligência artificial para melhorar plataformas DeFi já existentes. O que emerge agora é uma nova classe de participantes econômicos que opera em velocidade incompatível com os sistemas financeiros tradicionais”, afirma Vinicius Chagas.

A análise do fundador da HOUS3, remonta a 2024, quando a Fetch.ai, relançada como uma das bases da ASI Alliance, apresentou o token ASI como meio de troca entre agentes autônomos. Na prática, esses sistemas passaram a contratar serviços, remunerar capacidade computacional e negociar dados de forma verificável e totalmente on-chain.

Máquinas cada vez mais ao centro

No mesmo período, relembra Vinicius, a Coinbase lançou o AgentKit, framework open-source que permite a agentes de inteligência artificial operar carteiras de criptoativos de maneira independente, realizando pagamentos, swaps e gerenciamento de saldos sem participação humana direta.

“Já no início de 2025, a Oobit, plataforma de pagamentos cripto sediada em Londres, apresentou uma solução específica para pagamentos autônomos entre agentes de IA, reforçando um movimento crescente de criação de infraestrutura financeira voltada para máquinas”, pontua.

Infraestruturas financeiras defasadas

Segundo o executivo, sistemas bancários e meios tradicionais de pagamento foram construídos considerando que existe sempre um humano responsável por cada transação. Isso, na visão do empreendedor, cria processos de validação, antifraude e liquidação incompatíveis com agentes autônomos capazes de executar centenas de operações por segundo.

“Um agente de IA executando arbitragem ou gerenciando posições em múltiplos protocolos pode operar em escala impossível para a infraestrutura bancária tradicional. É por isso que empresas e protocolos estão criando rails específicos para máquinas”, explica.

Nessa lógica, os principais desafios estão justamente no crescimento dos agentes autônomos, que abrem novas questões para o setor financeiro. Entre elas estão temas relacionados à identidade, reputação e responsabilização dessas entidades digitais.

Relatórios recentes do mercado já apontam uma mudança relevante no comportamento das redes blockchain. Parte crescente da atividade on-chain tem sido gerada por contratos inteligentes e sistemas automatizados interagindo entre si, e não necessariamente por usuários humanos adicionais.

“Como um agente de IA constrói histórico de crédito? Como um protocolo identifica se está negociando com um participante confiável? Essas respostas ainda estão em construção e representam a próxima grande fronteira da infraestrutura cripto”, diz Chagas.

Reguladores precisarão adaptar regras

O especialista aponta que o modelo pressiona reguladores em todo o mundo, não somente no Brasil. Para Chagas, os debates sobre o uso de IA em operações financeiras já começam a surgir, mas especialistas avaliam que eventuais proibições seriam pouco efetivas diante da velocidade da inovação tecnológica.
O CEO da HOUS3 destaca que órgãos reguladores ainda trabalham sob a premissa de que toda transação possui um humano identificável do outro lado, enquanto a realidade tecnológica caminha rapidamente em direção oposta.

“O desafio não é impedir agentes autônomos de operar, mas construir um framework adequado de responsabilização para participantes que não são pessoas físicas nem jurídicas no modelo tradicional”, avalia.

Além disso, o executivo também enxerga que a próxima etapa das finanças descentralizadas será marcada pela entrada massiva de agentes autônomos como participantes econômicos ativos e permanentes.
“Iniciativas ligadas à identidade digital descentralizada já mostram que o mercado reconheceu esse desafio. O que veremos nos próximos anos não será uma evolução incremental do DeFi, mas uma mudança estrutural impulsionada por máquinas negociando com máquinas”, conclui Vinicius Chagas.

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