Polícia Civil abre inquérito para investigar empresa que tem ex-capitão da seleção brasileira como embaixador

Os investigadores de Barueri acreditam que as 50 vítimas ouvidas até agora no inquérito não representem nem 10% do total de clientes da empresa.

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Cafu foi embaixador da ArbCrypto, empresa acusada de operar pirâmide financeira
Cafu foi embaixador da ArbCrypto . Reprodução
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A Polícia Civil de Barueri, em São Paulo, instaurou inquérito para investigar a ArbCrypto, plataforma que prometia rendimentos de até 2,5% ao dia por meio da arbitragem de criptomoedas. A empresa, com sede em Belize, na América Central, tem o ex-capitão da seleção brasileira Cafu como embaixador.

A investigação foi aberta na semana passada e ainda está em fase inicial. Cerca de 50 clientes, segundo investigadores do 1º Distrito Policial de Barueri, foram ouvidos até agora. Todos, de acordo com a investigação, relataram problemas ao tentar fazer saques na plataforma. Além disso, afirmaram também não conseguir mais contatar o suporte da empresa.

A reportagem do Livecoins conversou com um dos investidores, que pediu para não ter o nome revelado.

“Investi R$ 50 mil na plataforma e no dia 30 de agosto solicitei parte do valor investido, mas não obtive resposta, mesmo após diversas tentativas. Entrei então em contato com a empresa por meio do suporte ao cliente, mas ninguém respondeu”.

Em grupos e no Reclame Aqui investidores relatam atraso

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Há diversos relatos parecidos em grupos do WhatsApp e do Telegram. “Perdemos a grana”, “levamos um golpe” e “como faz para denunciar a empresa” são alguns deles. No Reclame Aqui há outros 11 depoimentos. “Pagamentos pendentes” e “quero o meu dinheiro de volta” dizem alguns clientes na plataforma de reclamações.

No YouTube, um investidor fez um vídeo falando sobre o problema:

A reportagem do Livecoins ligou para o advogado que defende a empresa na tarde da quinta-feira (31), mas ele não atendeu. Por meio do WhatsApp foram enviadas a ele questões que tratavam da data da regularização do pagamento, do motivo do atraso e da falta de respostas aos clientes. Não houve resposta.

A Polícia Civil de Barueri informou à reportagem que a ArbCrypto tem justificado o atraso com um suposto golpe praticado por um hacker, alegação semalhante à usada por empresas como Grupo Bitcoin Banco e Wolf Trade Club, ambas em Curitiba (PR).

Empresa tem características de pirâmide financeira

A ArbCrypto, em operação no Brasil deste o primeiro semestre deste ano, afirmava conseguir lucros de 2,5% ao dia por meio da arbitragem de criptomoedas, feita automaticamente por um suposto robô. Esse sistema seria capaz de executar ordens nas principais exchanges, identificando oportunidade de lucros acima de 0,5% por operação, segundo o site da empresa.

Em vídeos divulgados na internet, verificados anteriormente pelo Livecoins, a empresa prometia fazer os pagamentos em até três dias úteis após a solicitação do cliente. Já os saques podiam ser realizados nos dias 15 e 30 de cada mês.

Além do lucro diário alto, a empresa também oferecia outros benefícios característicos de um esquema de pirâmide, como o pagamento de comissão a investidores que indicassem outros para entrar no negócio e prêmios milionários por bom desempenho, como viagens para Dubai e carros de luxo.

Outro aspecto do negócio que levanta dúvidas é o seu quadro de funcionários, que tem Alexandre Cesario Kwok como presidente, segundo clientes. Kwok, conforme relatos na web, era dono da Prosperity Clube, pirâmide financeira criada em 2017 que lesou centenas de pessoas.

Número de clientes pode chegar a 20 mil

Os investigadores de Barueri acreditam que as 50 vítimas ouvidas até agora no inquérito não representem nem 10% do total de clientes da empresa. Não há dados oficias, mas clientes estão divulgando em grupos de conversas que o número pode chegar a 20 mil investidores no Brasil.

Outro jogador que recentemente se envolveu em um suposto esquema de pirâmide foi Ronaldinho Gaúcho, apontado como sócio da 18kRonaldinho.

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Lucas Marins
Lucas Marins
Jornalista desde 2010. Escreve para Livecoins e UOL. Já foi repórter da Gazeta do Povo e da Agência Estadual de Notícias (AEN).
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