
Michael Saylor falando sobre o plano final da Strategy. Fonte: When Shift Happens/YouTube.
Michael Saylor, fundador da Strategy, participou de uma conversa com mais de duas horas de duração no canal When Shift Happens. Como destaque, o bilionário revelou qual é o plano final da Strategy com o Bitcoin.
Atualmente, sua empresa detém 843.738 bitcoins, equivalentes a mais de 4% da oferta total de 21 milhões de unidades da criptomoeda.
Embora Saylor tenha afirmado recentemente que eles podem vender algumas moedas, o bilionário se mostrou otimista nessa conversa, novamente recomendando que as pessoas vendam um rim, mas mantenham seus bitcoins.
A Strategy se tornou um ícone ao fazer suas ações valorizarem 4.300% entre agosto de 2020 e novembro de 2024 ao incorporar bilhões de dólares em Bitcoin em seu caixa. A estratégia foi tão boa que dezenas de outras empresas a copiaram.
Participando de uma conversa no podcast When Shift Happens na última quinta-feira (21), Michael Saylor foi questionado sobre qual o “endgame”, ou seja, o objetivo final, de sua empresa.
“Estamos retirando o desempenho e o risco do Bitcoin. O Bitcoin tem volatilidade de 40% e alto desempenho, mas a maior parte do mundo quer volatilidade zero. O que as pessoas querem é uma conta bancária que pague 10% ou 11%”, explica Saylor. “Elas não querem uma montanha-russa que paga 40%, mas em que você passa mal e tem que esperar uma década.”“Nosso objetivo final é que somos como um banco central. Temos um ativo de reserva, o Bitcoin. Vamos vender crédito.”
Atualmente, a Strategy oferece esses retornos por meio da STRC, uma ação preferencial na qual a empresa utiliza o dinheiro captado para comprar mais bitcoins.
Continuando sua explicação, Saylor aponta que a maioria das pessoas não quer se expor a riscos depois que atingiram um certo nível de riqueza. Ou seja, o que elas buscam é crescimento patrimonial com conforto.
“Já vendemos cerca de 10 bilhões de dólares em crédito. Criamos mais de 10 bilhões de dólares em crédito digital. Vamos criar 20 bilhões de dólares em crédito digital ao longo do próximo ano ou mais, e depois crescer isso de 30% a 50% ao ano. Então, 20 bilhões para 40, para 60, para 80”, comenta Saylor.“Nosso objetivo final é criar crédito digital para cada dólar de capital próprio em Bitcoin que temos. Chamamos isso de capital digital. Para cada dólar de capital digital, você pode criar de 10 a 20 centavos de crédito.”
As reservas de Bitcoin da Strategy estão avaliadas em US$ 66,7 bilhões. Michael Saylor acredita que sua empresa pode chegar à marca de US$ 1 trilhão no futuro, tanto pela valorização da criptomoeda quanto por mais aportes.
“Então, nosso objetivo final é criar esse crédito e retirar o risco. Retiramos o risco cambial, o risco econômico, a volatilidade. Destilamos o rendimento, encurtamos o prazo e entregamos para quem quer investir capital e crédito, algo de baixíssima volatilidade, algo como um fundo de mercado monetário digital para pessoas que confiam em ativos digitais e acreditam em capital digital”, explica Saylor.“Digamos que a gente tenha um trilhão de dólares em capital em Bitcoin. Podemos ter entre 200 e 400 bilhões de dólares em crédito, que pagam uma fração do desempenho do capital, algo como 10% de rendimento. No longo prazo, o capital deve crescer 20% ao ano e o crédito pode pagar 10%. O que estamos fazendo é criar esse crédito digital. Isso se torna a base, o combustível da economia do dinheiro digital, rendimento digital, DeFi, TradFi.”
Na conferência Bitcoin 2024, por exemplo, Saylor apontou que o Bitcoin pode chegar a US$ 30 milhões por unidade em 2045, ou então US$ 3 milhões no cenário mais pessimista.
Seguindo com a conversa, o bilionário explica que continuará fazendo seu trabalho até que não consiga mais fazê-lo, mas que a Strategy é “uma empresa com expectativa de vida infinita” que continuará existindo após uma passagem de bastão.
Questionado sobre qual preço o Bitcoin estaria sem as compras da Strategy, Saylor aponta que a criptomoeda poderia estar sendo negociada na faixa dos US$ 40.000 a US$ 50.000. “Talvez alguém tivesse feito melhor do que nós e o Bitcoin estaria mais alto”, ponderou o bilionário.
A conversa completa pode ser acompanhada no vídeo abaixo, onde Saylor também fala sobre outros temas do mercado.