Criptomoedas

Site classifica bloqueio de Bitcoin como ‘boato’ no Brasil, mas dados mostram 40% de travas no Reino Unido

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O portal de verificação de fatos Boatos.org publicou na última sexta-feira (30) uma análise afirmando ser falso que instituições financeiras estejam bloqueando contas de clientes que compram criptomoedas. Segundo o texto, os relatos de congelamento de saldos e encerramento de contas não passam de medidas preventivas de segurança ou desconhecimento das normas bancárias por parte dos usuários.

A publicação argumenta que o suposto “bloqueio bancário” tornou-se um tema de teorias da conspiração em redes sociais como Telegram e TikTok. Para o site, o que ocorre é apenas uma desconexão entre a velocidade dos ativos digitais e os sistemas de segurança tradicionais.

De acordo com a análise do portal, os bancos possuem a obrigação legal de monitorar atividades atípicas sob as normas de Prevenção à Lavagem de Dinheiro (AML) e Combate ao Financiamento do Terrorismo (CFT).

Desta forma, movimentações financeiras para exchanges de bitcoin acionam alertas automáticos da mesma maneira que transferências para sites de apostas ou remessas internacionais inesperadas.

Dados internacionais mostram hostilidade bancária no Reino Unido: “40% das transações para corretoras de criptomoedas barradas ou atrasadas”

Entretanto, a narrativa de que os bloqueios são apenas procedimentos de rotina diverge de dados recentes divulgados pela indústria.

O Conselho de Negócios de Criptoativos do Reino Unido (UKCBC) lançou um relatório em janeiro de 2026 revelando que grandes bancos britânicos bloqueiam aproximadamente 40% das transações destinadas a corretoras de criptomoedas.

O levantamento ouviu dez das maiores plataformas centralizadas, incluindo a Coinbase (COIN) e a Kraken, e constatou que uma única empresa teve quase £ 1 bilhão (cerca de R$ 7 bilhões) em depósitos recusados pelos bancos em apenas um ano.

Além disso, instituições como Virgin Money, Metro Bank e Starling Bank mantêm bloqueios totais e explícitos contra transferências para o setor, contradizendo a tese de que os travamentos são pontuais.

O relatório britânico destaca ainda que 70% das empresas do setor classificam o ambiente bancário atual como “mais hostil” do que no passado. Portanto, embora o Boatos.org afirme que o objetivo dos bancos “é proteger o cliente e não puni-lo”, a realidade documentada em grandes centros financeiros além do Brasil sugere uma política sistêmica de restrição ao acesso a criptomoedas.

Orientação ao consumidor e cenário regulatório

O texto do site de verificação brasileiro recomenda que os usuários afetados entrem em contato com seus gerentes e forneçam a documentação necessária para liberar os recursos.

A publicação do Boatos.org cita erroneamente que o Brasil avançou na regulação com a lei aprovada em 2022, a qual reconhece o Bitcoin (BTC) e outros ativos como meios de pagamento legais sob supervisão do Banco Central do Brasil (BCB). Neste ponto, o Banco Central do Brasil responsável por regular corretoras de bitcoin não reconhece o bitcoin como meio de pagamento, apenas regula o funcionamento das corretoras de forma similar a bancos.

Por outro lado, a pesquisa do UKCBC aponta que 100% das empresas entrevistadas afirmaram que os bancos não fornecem explicações claras para os bloqueios de pagamento.

Isso gera um cenário onde, mesmo com a transparência sugerida pelo Boatos.org, o investidor muitas vezes fica sem resposta ou justificativa para a recusa de seu dinheiro.

Por fim, o debate evidencia a tensão contínua entre o sistema financeiro tradicional e a nova economia digital. Enquanto verificadores de fatos tratam o tema como alarme falso derivado de procedimentos padrão, associações comerciais apresentam números que indicam barreiras institucionais deliberadas contra a adoção das criptomoedas.

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Bruno Costa

Bruno Costa ingressou no jornalismo cripto quando o DeFi ainda era um experimento de nicho e, desde então, tornou-se uma das principais vozes brasileiras na cobertura de finanças descentralizadas e ativos digitais. Atualmente atua como Senior Content Manager na Starkware.co, uma empresa de PR e marketing focada em DeFi, NFTs e crescimento de comunidades Web3. Seu trabalho frequentemente explora como as economias de tokens podem impulsionar a inclusão financeira no país, conectando a adoção de blockchain à realidade local. Ele é Certified Bitcoin Professional (CBP), credenciado pelo CryptoCurrency Certification Consortium (C4). Graduado em Jornalismo pela Universidade Europeia, Bruno aprofundou sua expertise com formações como o curso DAO Fundamentals (EDU Trainings) e o Web3 Solidity Bootcamp (Metana). Sua cobertura inclui adoção de DeFi em mercados emergentes, cultura NFT na América Latina e análises de UX em aplicações descentralizadas. Entre suas principais competências estão reportagem investigativa, análise do mercado cripto, construção de narrativa e estratégia de conteúdo. No Brasil, o público o conhece por portais como Cointimes.com.br, onde é colaborador regular, além de suas reportagens investigativas que revelaram golpes no setor DeFi. Uma de suas séries chegou a contribuir para alertas regulatórios e maior fiscalização por parte da CVM. Seu guia sobre stablecoins alcançou mais de 50 mil leitores e foi referenciado por três grupos acadêmicos de pesquisa, enquanto sua consultoria para uma carteira DeFi ajudou a redesenhar o conteúdo de onboarding e atraiu mais de 10 mil novos usuários. Bruno já foi citado pelo Valor Econômico, fez coberturas presenciais na São Paulo NFT Expo e no Rio Blockchain Meetup, e participou de grandes eventos como a SP Tech Week e a Blockchain Conference Brasil, onde discutiu temas sobre regulação do DeFi, UX e inovação. Curioso e criativo, com um forte foco em conectar tecnologia e cultura, ele costuma lembrar colegas e leitores de que “Journalism should empower readers with clarity in a world full of crypto hype and misinformation.” Disclaimer: Todo o conteúdo aqui apresentado diz respeito a temas de criptomoedas, blockchain e Web3 e possui caráter exclusivamente informativo e educacional. Não constitui aconselhamento financeiro, de investimento ou jurídico. As análises refletem a experiência e a pesquisa pessoal do autor. O nome do autor é utilizado como pseudônimo. Sempre faça sua própria pesquisa (DYOR) antes de tomar decisões no ecossistema cripto.

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Autor:
Bruno Costa
Tags: Fake