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STJ mantém sigilo sobre extradição de operador financeiro acusado de lavar R$ 1,2 bilhão com criptomoedas

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O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Herman Benjamin, indeferiu o pedido de liminar da defesa de Munir Constantino Haddad Junior, conforme publicação no dia 13 de janeiro.

O réu, investigado no âmbito da Operação Alcaçaria, solicitava acesso aos autos do seu processo de extradição. A decisão mantém o sigilo sobre as tratativas internacionais para trazer ao Brasil o operador, que atualmente reside no Sultanato de Omã, no Oriente Médio.

As autoridades apontam Munir como uma peça central em uma sofisticada rede financeira que movimentou cerca de R$ 1,2 bilhão em apenas três anos. O esquema operava como um “banco paralelo”, atendendo a diversos grupos criminosos no país.

Segundo a Polícia Federal (PF) e a Receita Federal, o grupo utilizava empresas de fachada e “laranjas” para receber depósitos em espécie, convertendo parte desses valores em criptomoedas.

Esses ativos digitais eram posteriormente enviados para carteiras no exterior, servindo como pagamento para fornecedores internacionais de armas e drogas, dificultando o rastreio tradicional pelas autoridades financeiras. Com informações do STJ.

Risco de fuga motiva bloqueio de informações para defesa

A defesa recorreu ao STJ após uma negativa inicial do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3). Os advogados sustentaram que o acesso aos autos é um direito fundamental para o exercício da defesa e argumentaram que o réu possui residência fixa conhecida em Omã, o que afastaria o risco de fuga.

Contudo, o ministro Herman Benjamin manteve o entendimento das instâncias inferiores. O magistrado destacou que a publicidade das informações neste momento poderia frustrar as diligências em andamento para localizar e extraditar o acusado.

Desta forma, o sigilo visa garantir a eficácia da cooperação internacional, protegendo dados sensíveis sobre as estratégias adotadas entre o Brasil e as autoridades de Omã.

O ministro ressaltou que não identificou “ilegalidade manifesta ou situação de urgência” que justificasse a intervenção do STJ nesta fase processual. Assim, a corte priorizou a segurança da aplicação da lei penal e a recuperação dos ativos em detrimento da publicidade imediata dos atos.

Operação Alcaçaria e o uso de criptoativos

A prisão preventiva do operador foi decretada em setembro de 2024, com denúncia formalizada em dezembro do mesmo ano. A operação contou com os agentes da Receita Federal e Polícia Federal do Brasil.

O caso ilustra a complexidade das novas tipologias de lavagem de dinheiro, que mesclam o sistema bancário tradicional com a tecnologia blockchain para ocultar a origem ilícita de capitais.

A Operação Alcaçaria expôs como facções criminosas terceirizam a lavagem de capitais para especialistas financeiros, que cobram taxas para limpar o dinheiro do tráfico.

O mérito do Habeas Corpus ainda será analisado em definitivo pela Sexta Turma do STJ, sob relatoria do ministro Og Fernandes.

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Bruno Costa

Bruno Costa ingressou no jornalismo cripto quando o DeFi ainda era um experimento de nicho e, desde então, tornou-se uma das principais vozes brasileiras na cobertura de finanças descentralizadas e ativos digitais. Atualmente atua como Senior Content Manager na Starkware.co, uma empresa de PR e marketing focada em DeFi, NFTs e crescimento de comunidades Web3. Seu trabalho frequentemente explora como as economias de tokens podem impulsionar a inclusão financeira no país, conectando a adoção de blockchain à realidade local. Ele é Certified Bitcoin Professional (CBP), credenciado pelo CryptoCurrency Certification Consortium (C4). Graduado em Jornalismo pela Universidade Europeia, Bruno aprofundou sua expertise com formações como o curso DAO Fundamentals (EDU Trainings) e o Web3 Solidity Bootcamp (Metana). Sua cobertura inclui adoção de DeFi em mercados emergentes, cultura NFT na América Latina e análises de UX em aplicações descentralizadas. Entre suas principais competências estão reportagem investigativa, análise do mercado cripto, construção de narrativa e estratégia de conteúdo. No Brasil, o público o conhece por portais como Cointimes.com.br, onde é colaborador regular, além de suas reportagens investigativas que revelaram golpes no setor DeFi. Uma de suas séries chegou a contribuir para alertas regulatórios e maior fiscalização por parte da CVM. Seu guia sobre stablecoins alcançou mais de 50 mil leitores e foi referenciado por três grupos acadêmicos de pesquisa, enquanto sua consultoria para uma carteira DeFi ajudou a redesenhar o conteúdo de onboarding e atraiu mais de 10 mil novos usuários. Bruno já foi citado pelo Valor Econômico, fez coberturas presenciais na São Paulo NFT Expo e no Rio Blockchain Meetup, e participou de grandes eventos como a SP Tech Week e a Blockchain Conference Brasil, onde discutiu temas sobre regulação do DeFi, UX e inovação. Curioso e criativo, com um forte foco em conectar tecnologia e cultura, ele costuma lembrar colegas e leitores de que “Journalism should empower readers with clarity in a world full of crypto hype and misinformation.” Disclaimer: Todo o conteúdo aqui apresentado diz respeito a temas de criptomoedas, blockchain e Web3 e possui caráter exclusivamente informativo e educacional. Não constitui aconselhamento financeiro, de investimento ou jurídico. As análises refletem a experiência e a pesquisa pessoal do autor. O nome do autor é utilizado como pseudônimo. Sempre faça sua própria pesquisa (DYOR) antes de tomar decisões no ecossistema cripto.

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