“Uso moedas digitais para comprar arroz e feijão”, diz pensionista do INSS

Pioneirismo da moeda digital brasileira chama atenção de mídia internacional

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Foto: Marcello Cabral Jr/Agência Brasil
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Em época de disparada de preços de itens da cesta básica, uma moeda digital brasileira tem dado um alívio para o bolso da pensionista do INSS Dorotea de Oliveira Ferreira, 55, que vive em Maricá, município a cerca de 60 quilômetros da cidade do Rio de Janeiro.

Desde 2013, o município disponibiliza para seus moradores de baixa renda a mumbuca, uma moeda digital que pode ser usada em 75% dos 11 mil estabelecimentos comerciais do local. Mercados, farmácias e até peixarias, por exemplo, aceitam o ativo.

Cada beneficiário, durante a pandemia do coronavírus, recebe R$ 300 em moedas digitais.

“Com minhas mumbucas, compro arroz e feijão e outros mantimentos para a casa. Utilizo as moedas digitais até para comprar remédios, pois tenho deficiência visual”, disse Dorotea ao Livecoins.

É preciso ser baixa renda para receber moeda digital brasileira

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Para ter acesso aos ativos digitais, o morador de Maricá deve comprovar que vive no município há mais de três anos. Além disso, precisa estar registrado no CadÚnico (Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal) e ter renda familiar de até três salários mínimos.

Dorotea, por exemplo, é mãe de três filhos. Ela disse que se mudou para Maricá há 15 anos. Antes, vivia com a família em uma comunidade de Teresópolis, município localizado a 96 quilômetros do Rio de Janeiro. “Me mudei para Maricá para tentar dar uma vida melhor para a minha família”, falou.

Dorotea de Oliveira Ferreira, 55, junto com seus filhos. Foto: Reprodução/WhatsApp

Por causa de um problema grave na visão, ela não pode trabalhador. Por isso, passou a ser pensionista do INSS e receber auxílio-doença do governo federal. “Nesse período de pandemia, e de alta de preços, o acréscimo que recebo em mumbuca tem sido uma ajuda e tanto”, disse.

Moeda digital brasileira movimenta a economia da cidade, diz secretário

Além de Dorotea, outros 42,5 mil moradores de Maricá – o que representa um quarto da população da cidade – também recebem as moedas digitais.

Os ativos são depositados no cartão Mumbuca, disponibilizado pela prefeitura. Os moradores também podem movimentar suas mumbucas por meio de um aplicativo, que funciona como o PicPay.

De acordo com o secretário de desenvolvimento econômico de Maricá, Magnun Amado, nos últimos seis meses o município depositou R$ 12,5 milhões de mumbucas para seus moradores.

moeda digital brasileira

“O mais interessante é que essa moeda digital não sai de Maricá. O que a gente investe aqui é consumido aqui. Isso está estimulando novos serviços, novos comércios e gerando ainda mais renda para a população”, disse Amado Livecoins.

Todo o custeio do programa, ainda de acordo com o secretário, só é possível porque a cidade recebe verbas da extração do petróleo. O campo de Lula, campo petrolífero considerado um dos mais produtivos do Brasil, fica na região.

Pioneirismo da moeda digital brasileira chama atenção de mídia internacional

Por causa de suas moedas digitais, o município de Maricá tem sido retratado pela imprensa internacional como um laboratório de renda básica universal.

Em maio, por exemplo, a revista Americas Quarterly contou um pouco do projeto da cidade na matéria “A (silenciosa) experimentação de uma cidade brasileira com a renda básica”.

De acordo com Fábio Waltenberg, professor de Economia da UFF (Universidade Federal Fluminense), o programa do município servirá de exemplo para o mundo.

“Maricá nos permitirá avaliar o impacto da renda garantida na inflação, no emprego, nos padrões de consumo e até na saúde física e mental”, disse à publicação norte-americana.

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Lucas Marins
Lucas Marins
Jornalista desde 2010. Escreve para Livecoins e UOL. Já foi repórter da Gazeta do Povo e da Agência Estadual de Notícias (AEN).
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