João Paulo Mayall — empresário, pioneiro do Bitcoin no Brasil e fundador do primeiro ETF de Bitcoin da América Latina, o QBTC11 — acaba de publicar seu terceiro paper acadêmico no SSRN. E a tese é uma bomba.
O paper, intitulado “The Paradox of Gold Reserves: How Foreign Central Banks’ Gold Holdings Create Indirect Exposure to U.S. Treasuries”, defende que a corrida dos bancos centrais pelo ouro, longe de ser uma fuga do dólar, na verdade cria exposição indireta aos títulos do Tesouro americano por sete canais distintos.
“Todo mundo chama a compra de ouro de ‘de-dolarização’. Mas quando você olha a infraestrutura — quem precifica, onde negocia, quem custodia, o que move o preço — o ouro não sai do sistema dólar. Ele gira dentro dele”, afirmou J. P. Mayall ao Livecoins.
New paper: "The Paradox of Gold Reserves: How Foreign Central Banks' Gold Holdings Create Indirect Exposure to U.S. Treasuries"
Foreign central banks are buying gold at the fastest pace in decades. The consensus view: de-dollarization.
I argue the opposite. Gold accumulation… pic.twitter.com/RY1ykUwSHf
— J. P. Mayall (@jpmayall) March 31, 2026
Quem é J. P. Mayall
Para quem não acompanha, João Paulo Mayall é um dos nomes mais relevantes do ecossistema Bitcoin no Brasil e tem projeção internacional crescente.
Como cofundador da QR Capital, Mayall foi responsável pelo lançamento do QBTC11, o primeiro ETF 100% de Bitcoin da América Latina, além dos ETFs QETH11 (Ethereum), QDFI11 (DeFi) e QSOL11 (Solana). Atuou como COO, CMO e CEO da BlockTrends, a edtech da QR que criou o CCA®, primeira certificação de criptoativos da América Latina em parceria com ANCORD e FGV.
Em junho de 2025, como o Livecoins noticiou, Mayall concluiu a venda de sua participação na QR Capital em uma reestruturação acionária que transferiu o controle da holding para investidores do mercado financeiro tradicional — seu quinto exit. Sua trajetória inclui a venda de uma empresa publicitária, do clube Orlando City e de iniciativas cripto como SingularityNET e Foxbit (via QR Capital), com três projetos superando R$ 1 bilhão em valuation.
No X (@jpmayall), suas análises de macroeconomia e dados on-chain são acompanhadas por milhares de pessoas, incluindo figuras como Nick Szabo, o criptógrafo criador do Bit Gold e forte candidato a ser Satoshi Nakamoto, e Saifedean Ammous, autor do The Bitcoin Standard, que vendeu mais de 1 milhão de cópias em 39 idiomas.
Os 7 canais que prendem o ouro ao dólar
O paper documenta sete mecanismos pelos quais as reservas de ouro criam exposição estrutural indireta aos Treasuries americanos:
- O efeito âncora das 8.133 toneladas de ouro dos EUA — o maior estoque soberano do mundo
- A COMEX controlando 74% da descoberta de preço global do ouro
- A denominação em dólar de mais de 90% das transações de ouro
- A custódia no Federal Reserve de Nova York, que guarda 6.331 toneladas para 36 bancos centrais estrangeiros
- A dependência de caminho de Bretton Woods
- O nexo ouro-yields — a correlação persistente com as taxas reais dos Treasuries
- A substituição por stablecoins — quando bancos centrais vendem Treasuries, a Tether e a Circle entram comprando
“A Tether sozinha é o 17º maior detentor de títulos do Tesouro americano. Quando a China vende, a Tether compra. O sistema se autocorrige”, explicou Mayall.
O dado que ninguém comenta: +33% em holdings estrangeiras
Uma das contribuições mais impactantes do paper é a análise dos dados do Treasury International Capital (TIC). Enquanto a narrativa global foca na China reduzindo US$ 396 bilhões em Treasuries, os dados mostram que o total de holdings estrangeiras de Treasuries subiu 33% (+US$ 2.328 bilhões) entre janeiro de 2020 e novembro de 2025.
15 países aumentaram suas posições. Apenas 4 reduziram.
“Todo mundo foca na China vendendo. Ninguém fala dos quinze países que compraram mais do que a China vendeu”, disse Mayall.
Bitcoin: a porta que o ouro nunca abriu
Em talvez a contribuição mais provocativa do paper, J. P. Mayall aplica o framework dos 7 canais ao Bitcoin — e mostra que ele resolve cada uma das dependências estruturais do ouro por design.
O paper inclui duas tabelas comparativas: uma que mapeia cada canal do ouro contra o Bitcoin, e outra com 14 critérios (volatilidade, liquidez, resistência a confisco, portabilidade, settlement, etc.) onde o ouro ganha em 8 critérios tradicionais e o Bitcoin ganha em 6 — sendo que os 6 onde o Bitcoin vence são exatamente os que o paper identifica como as fraquezas estruturais do ouro.
“Se a tese está correta — que o ouro falha como saída do dólar porque sua infraestrutura é americana — então a pergunta lógica é: que ativo opera em infraestrutura que não pertence a ninguém? O Bitcoin é o único que atende esse critério hoje”, argumentou Mayall.
A frase que encerra o paper já está circulando: “Se o Bitcoin abrirá a porta que o ouro jamais abriu: eis a questão crucial da gestão de reservas no século XXI.”
O post de Mayall que atraiu o Bessent e a Lummis
Não é a primeira vez que Mayall provoca reações em Washington com suas teses sobre ouro e Bitcoin.
Em agosto de 2025, como o Livecoins noticiou, J. P. Mayall publicou no X uma proposta direta ao secretário do Tesouro americano Scott Bessent sugerindo que os EUA convertessem 13,88% de suas reservas de ouro em 1 milhão de bitcoins — resolvendo o problema da dívida pública sem custo ao contribuinte.
Um dia depois, Bessent foi à Fox Business dizer que os EUA “não iriam comprar Bitcoin”, mas acrescentou que estavam “explorando formas de aquisição de mais Bitcoin com orçamento neutro” — exatamente o que Mayall havia proposto. A senadora Cynthia Lummis, autora do BITCOIN Act que prevê a compra de 1 milhão de BTC, ecoou o argumento de Mayall: “Podemos reavaliar as reservas de ouro pelos preços de hoje e transferir o aumento no valor para construir a SBR.”
O novo paper formaliza academicamente essa tese — provando com dados que o ouro não é a saída que se imagina e que o Bitcoin é a alternativa lógica.
Saifedean Ammous reconheceu o trabalho de Mayall
O paper de ouro é o terceiro estudo publicado por Mayall no SSRN e faz parte de um programa de pesquisa que combina economia austríaca, Bitcoin e finanças internacionais.
Em 2025, Mayall publicou “Bitcoin as Validation of the Regression Theorem: An Austrian Synthesis with Szabo and Ammous”, que sintetiza as teorias monetárias de Menger, Mises e Hayek com o trabalho de Nick Szabo e Saifedean Ammous para provar que o Bitcoin valida as teorias clássicas de emergência monetária. O paper acumulou mais de 2.000 visualizações e 747 downloads no SSRN.
Saifedean Ammous — autor do The Bitcoin Standard, que vendeu mais de 1 milhão de cópias em 39 idiomas, e conselheiro econômico do governo de El Salvador — comentou publicamente na divulgação do paper no X, reconhecendo a síntese de suas ideias com o framework de Szabo. Uma validação significativa vinda do autor do livro mais influente sobre Bitcoin já escrito.
O debate com Nick Szabo
A relação intelectual de Mayall com Nick Szabo também é pública e documentada. Em novembro de 2025, como o Livecoins noticiou, os dois travaram um debate aberto no X sobre os riscos jurídicos que podem frear o Bitcoin.
Szabo, preocupado com a “superfície de ataque legal” das criptomoedas, argumentou que “anarcocapitalismo é um ideal maravilhosamente abstrato, mas as criptomoedas do mundo real não são trustless — elas são trust-minimized.” Mayall respondeu comparando a trajetória do Bitcoin com a legalização do cristianismo por Constantino.
O novo paper reflete diretamente o princípio mais famoso de Szabo — que “terceiros confiáveis são brechas de segurança” — aplicando-o aos sete canais de infraestrutura americana dos quais o ouro depende.
“A COMEX, o cofre do Fed em Nova York, o settlement em dólar — cada um é um terceiro confiável que as reservas de ouro não conseguem evitar. O Bitcoin foi desenhado para eliminar exatamente essas dependências”, disse Mayall.
Paper sobre inflação também causou impacto
Além dos papers sobre ouro e Bitcoin, Mayall é co-autor com Gerson de Souza Raimundo Júnior (PUC-Rio) de “Inflation: Unraveling the Impact of Monetary Expansion and Interest Rates”, que atingiu mais de 2.575 visualizações e 634 downloads. O paper, divulgado no X por Mayall, propõe uma nova métrica de medição de inflação com base na expansão da base monetária.
“Os três papers formam um programa de pesquisa coerente. O de inflação prova que a criação de moeda é o problema. O do teorema da regressão prova que Bitcoin é dinheiro legítimo. E o do ouro mostra que até o dinheiro mais duro do mundo não escapa da infraestrutura fiat. Juntos, eles mostram que Bitcoin não é ativo alternativo — é a evolução monetária lógica”, disse Mayall.
O que vem pela frente
Uma troca recente no X chamou atenção no ecossistema cripto: J.P. Mayall elogiou o trabalho da OKX Brasil sob liderança de Guilherme Sacamone (@GSacamone), em post de 9 de fevereiro de 2026 @jpmayall. Hong Fang (@hfangca), presidente global da OKX, respondeu:
“Glad to hear such feedback from an industry leader and an entrepreneur like @jpmayall in Brazil. Obrigada!” .
Além disso, Star Xu (@star_okx), fundador e CEO, seguiu Mayall – um sinal que alimenta rumores de parceria. Como jornalista, isso levanta especulações: Mayall estaria se aproximando da OKX para expandir na América Latina? Desde a saída da QR Capital, ele foca em pesquisas acadêmicas, análises e eventos. Questionado sobre próximos passos – fundar empresa, cargo executivo ou board, Mayall diz:
“Explorando opções: fundar algo novo ou parcerias com stake/opções de ações claras para compromisso de pelo menos 4 anos. Conversas com players nacionais e internacionais rolam, mas nada oficial. Busco projetos institucionais que usem regulação como vantagem competitiva.”
Com currículo de ETF pioneiro, exits bilionários e conexões globais, Mayall é nome quente. Essa interação com a OKX pode ser pista de algo maior? O mercado acompanha.
Os papers são gratuitos
📄 The Paradox of Gold Reserves (2026): https://ssrn.com/abstract=6325139
📄 Bitcoin as Validation of the Regression Theorem (2025): https://ssrn.com/abstract=5376225
📄 Inflation: Unraveling the Impact of Monetary Expansion (2025): https://ssrn.com/abstract=5370998
J. P. Mayall pode ser encontrado no X como @jpmayall.
