Executivo do Sphere State Group conta como é o trabalho investigativo de recuperação de criptomoedas

Executivo explica que investigações iniciais levam entre quatro a seis semanas, mas que é preciso escolher a melhor opção para a recuperação dos fundos

Ilya Umanskiy, executivo do Sphere State Group, conversou com o Livecoins na conferência Consensus 2026, onde explicou o trabalho investigativo de sua empresa sobre  a recuperação de criptomoedas roubadas.

Além de trabalharem com escritórios de advocacia, eles também atendem clientes individuais e institucionais, ajudando-os a coletar dados on e off-chain para a recuperação de ativos.

“Os ativos reais também são de grande importância porque podem ser apreendidos: apartamentos, barcos e qualquer outra coisa que você possa possuir”, comentou Umanskiy, notando que as investigações podem ir para fora da internet.

Livecoins fonte preferencial

Criptomoedas são ativos globais, e as investigações também, aponta Umanskiy

Questionado se o Sphere State Group atende clientes brasileiros, Ilya Umanskiy disse ter familiaridade com o país. Além de ter passado pela Kroll, onde fez trabalhos no Brasil, o executivo aponta que também já trabalhou na Prudential Financial, que possui em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Em relação às criptomoedas, Umanskiy aponta que esses ativos não têm fronteiras, assim como seus trabalhos.

“Trabalhamos com criptomoedas no mundo todo. Também somos muito competentes em fazer trabalho no mundo real, rastreando criminosos reais, golpistas, seres humanos… E os ativos reais e tangíveis que eles roubam, também podemos rastrear.”

Stablecoins podem ser facilmente congeladas, explica executivo do Sphere State

Atualmente, as stablecoins são responsáveis pelo maior volume de transações no mercado cripto, superando até mesmo o Bitcoin. No entanto, ao contrário de criptomoedas descentralizadas, seus contratos inteligentes possuem funções que permitem que endereços sejam proibidos de realizar novas transferências.

Em suma, seria como um bloqueio de conta. Após isso, a emissora pode cunhar essas moedas novamente e enviá-las a um novo endereço.

Ilya Umanskiy explica que isso facilita o trabalho de recuperação de fundos.

“Se você provar sua reivindicação de propriedade de ativos roubados, eles podem cunhar novamente esses ativos e devolvê-los a você.”

“Então, imagine que você foi hackeado, fundos em stablecoin foram roubados e acabaram em outro lugar. Uma vez que você consiga provar que “estes são meus fundos e estão na carteira do golpista”, e se você apresentar um caso convincente, seja através do tribunal ou diretamente através de um advogado para os operadores da stablecoin, eles podem cancelar os fundos na carteira do golpista e cunhar novamente esses fundos para você, cobrando uma taxa”, explica o executivo.

Caso os fundos estejam em Bitcoin, Ethereum ou outra criptomoeda que não possua essa função de congelamento, ainda é possível recuperá-los caso eles tenham sido enviados para corretoras centralizadas.

Indo além, Umanskiy explica que eles podem coletar dados de KYC caso essas moedas já tenham saído de uma plataforma, intensificando as buscas.

“Nós também rastreamos essa criptomoeda até o seu destino, mesmo após mixers e blenders”, comenta o executivo do Sphere State Group.

Por outro lado, eles afirmam ter dificuldades na obtenção de informações de corretoras não licenciadas e que não possuem sistemas de KYC. Afinal, não há como obrigá-las a congelar os fundos, tampouco exigir dados dos clientes, já que não existem.

Isso explica por que muitos golpistas optam por essas plataformas.

Trabalho de investigação também exige contatos

Caso dados on-chain não sejam suficientes para a recuperação dos fundos, Ilya Umanskiy explica que eles utilizam contatos para buscar uma resposta.

Isso inclui fazer perguntas para outras pessoas da indústria para saber o que elas estão vendo ou ouvindo sobre um determinado roubo.

Quanto aos softwares utilizados, o executivo destaca as ferramentas da Chainalysis e da Elliptic. No entanto, diz ser necessário utilizar duas, três, quatro ou até mesmo cinco ferramentas diferentes para provar a conexão das carteiras em um tribunal.

“Eu diria que cerca de 70% dos nossos casos são mais diretos e 30% são golpes muito sofisticados que são difíceis de rastrear por natureza, porque os golpistas os configuraram dessa forma.”

Questionado sobre o tempo de cada investigação, Umanskiy aponta que geralmente leva de quatro a seis semanas. No final, o trabalho é convencer os juízes.

“Os juízes não entendem nada sobre terminologia de cripto. Nada. Fiz trabalho de testemunha especialista e os juízes vão te parar a cada momento se você começar a usar jargão”, comenta o executivo.

Objetivo é a recuperação do dinheiro, diz executivo

Embora existam diversas ferramentas no mercado, Ilya Umanskiy explica ser necessário escolher quais caminhos são mais relevantes que outros. Caso contrário, eles ficariam anos no mesmo caso, sem chegar a uma conclusão.

“Meu cliente só ficará impressionado se receber o dinheiro de volta.”

“Meu trabalho é dizer a eles muito rapidamente, após a avaliação inicial: “Ok, aqui está a direção que vamos tomar porque acreditamos que a probabilidade de recuperação está nessa direção”, e não em outras três opções”, explica Umanskiy. “Então sempre daremos opções, mas, ocasionalmente, os criminosos fazem coisas estúpidas.”

Como exemplo, o executivo do Sphere State Group cita um caso em que um criminoso tinha US$ 6 milhões em criptomoedas presos na falida FTX, mas também um apartamento de US$ 17 milhões em seu nome.

“Então, o que fizemos foi apresentar opções ao nosso cliente. Dissemos: “Você pode ir atrás das criptomoedas ou pegar aquele apartamento.” E a coisa mais engraçada foi que aquele apartamento ficava na colina, logo acima do escritório do nosso cliente. Eu literalmente mostrei no Google Earth para o meu cliente e disse: “Aqui está o ativo que você quer ir atrás, aqui está o seu escritório. Tenha um bom dia.””

Conforme o uso de criptomoedas acelera mundialmente, a tendência é que a taxa de crimes também aumente. Portanto, a conversa mostra os novos desafios encontrados por empresas especializadas, incluindo análise on-chain, mas também investigações fora do ambiente digital.

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Henrique HK
Henrique HKhttps://github.com/sabotag3x
Formado em desenvolvimento web há mais de 20 anos, Henrique Kalashnikov encontrou-se com o Bitcoin em 2016 e desde então está desvendando seus pormenores. Tradutor de mais de 100 documentos sobre criptomoedas alternativas, também já teve uma pequena fazenda de mineração com mais de 50 placas de vídeo. Atualmente segue acompanhando as tendências do setor, usando seu conhecimento para entregar bons conteúdos aos leitores do Livecoins.

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