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Baleias voltam a comprar Bitcoin após tombo de 40% e ajudam a segurar queda

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As maiores carteiras de Bitcoin voltaram às compras nos últimos dias, ajudando a estabilizar o preço da criptomoeda após uma forte queda. No entanto, a demanda ainda é restrita a um grupo específico de grandes detentores, as chamadas baleias, enquanto a maior parte do mercado permanece cautelosa — o que levanta dúvidas sobre a sustentabilidade da recuperação.

De acordo com dados da empresa de análise on-chain Glassnode, carteiras com mais de 1.000 bitcoins — conhecidas como “whales” (baleias) — acumularam cerca de 53 mil BTC na última semana. Trata-se do maior volume de compras desde novembro de 2025. Em valores atuais, isso representa mais de US$ 4 bilhões adicionados às reservas desses grandes investidores.

O movimento interrompeu um ciclo de desinvestimento que vinha pressionando o mercado. Desde meados de dezembro, mais de 170 mil BTCs — equivalentes a aproximadamente US$ 11 bilhões — saíram dessas carteiras, considerando dados que excluem fundos negociados em bolsa (ETFs) e exchanges. Ao longo desse período, o Bitcoin acumulou uma desvalorização de cerca de 40% em relação ao pico registrado em outubro.

Bitcoin Exchange Whale Outflow. Source: Glassnode

Grandes investidores voltam a comprar bitcoin

A reação recente das baleias contribuiu para conter a queda acentuada que levou o ativo à faixa dos US$ 60 mil na semana passada. Desde então, o preço se recuperou e voltou a operar próximo de US$ 70 mil, sendo negociado acima de US$ 69 mil na manhã de quarta-feira, segundo dados compilados pelo Livecoins.

Apesar da retomada pontual das compras por grandes detentores, analistas acreditam que o suporte ainda é limitado. “Isso desacelera qualquer queda mais forte, mas ainda precisamos ver mais dinheiro entrando no mercado”, afirmou Brett Singer, chefe de vendas da Glassnode.

A principal preocupação é a ausência de participação mais ampla. Investidores que adquiriram Bitcoin por meio dos ETFs lançados recentemente nos Estados Unidos estão, em muitos casos, com prejuízo, o que reduz o apetite para novas compras agressivas.

Paralelamente, empresas listadas em bolsa que haviam adotado o Bitcoin como ativo de reserva também reduziram o ritmo de aquisições, pressionadas pela desvalorização de suas próprias ações.

Esse comportamento irregular por parte dos grandes detentores reacende uma questão recorrente no mercado: quem irá sustentar o próximo rali consistente? Historicamente, ciclos de alta mais duradouros foram acompanhados por acumulação contínua e participação distribuída entre diferentes perfis de investidores — algo que ainda não é observado no atual cenário.

Para alguns participantes veteranos do setor, o momento ainda inspira cautela. “Quando a tempestade passar, voltaremos a comprar, já que vendemos parte das posições antes do fim do ano passado. Mas ainda estamos no meio da tempestade”, afirmou Bruno Ver, investidor de longa data no mercado cripto.

Os dados da Glassnode analisam agrupamentos de carteiras, e não indivíduos específicos, podendo incluir investidores privados de grande porte, custodiante institucionais e contas vinculadas a empresas. Mesmo assim, o padrão recente sugere que a atual recuperação pode representar mais um movimento de contenção de danos do que o início de uma nova tendência de alta sustentada.

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Bruno Costa

Bruno Costa ingressou no jornalismo cripto quando o DeFi ainda era um experimento de nicho e, desde então, tornou-se uma das principais vozes brasileiras na cobertura de finanças descentralizadas e ativos digitais. Atualmente atua como Senior Content Manager na Starkware.co, uma empresa de PR e marketing focada em DeFi, NFTs e crescimento de comunidades Web3. Seu trabalho frequentemente explora como as economias de tokens podem impulsionar a inclusão financeira no país, conectando a adoção de blockchain à realidade local. Ele é Certified Bitcoin Professional (CBP), credenciado pelo CryptoCurrency Certification Consortium (C4). Graduado em Jornalismo pela Universidade Europeia, Bruno aprofundou sua expertise com formações como o curso DAO Fundamentals (EDU Trainings) e o Web3 Solidity Bootcamp (Metana). Sua cobertura inclui adoção de DeFi em mercados emergentes, cultura NFT na América Latina e análises de UX em aplicações descentralizadas. Entre suas principais competências estão reportagem investigativa, análise do mercado cripto, construção de narrativa e estratégia de conteúdo. No Brasil, o público o conhece por portais como Cointimes.com.br, onde é colaborador regular, além de suas reportagens investigativas que revelaram golpes no setor DeFi. Uma de suas séries chegou a contribuir para alertas regulatórios e maior fiscalização por parte da CVM. Seu guia sobre stablecoins alcançou mais de 50 mil leitores e foi referenciado por três grupos acadêmicos de pesquisa, enquanto sua consultoria para uma carteira DeFi ajudou a redesenhar o conteúdo de onboarding e atraiu mais de 10 mil novos usuários. Bruno já foi citado pelo Valor Econômico, fez coberturas presenciais na São Paulo NFT Expo e no Rio Blockchain Meetup, e participou de grandes eventos como a SP Tech Week e a Blockchain Conference Brasil, onde discutiu temas sobre regulação do DeFi, UX e inovação. Curioso e criativo, com um forte foco em conectar tecnologia e cultura, ele costuma lembrar colegas e leitores de que “Journalism should empower readers with clarity in a world full of crypto hype and misinformation.” Disclaimer: Todo o conteúdo aqui apresentado diz respeito a temas de criptomoedas, blockchain e Web3 e possui caráter exclusivamente informativo e educacional. Não constitui aconselhamento financeiro, de investimento ou jurídico. As análises refletem a experiência e a pesquisa pessoal do autor. O nome do autor é utilizado como pseudônimo. Sempre faça sua própria pesquisa (DYOR) antes de tomar decisões no ecossistema cripto.

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