
Desenvolvedor. Fonte: Midjourney.
Dados da Artemis, publicados pela CoinDesk, revelam que desenvolvedores de criptomoedas estão abandonando o setor para migrar para IA. O dado mais relevante fica para a redução de 75% no número de commits (alterações de código) em relação ao início de 2025, saindo de 850 mil para 210 mil.
No caso do Ethereum, por exemplo, o número semanal de desenvolvedores ativos caiu 34% em três meses, ficando com 2.811 profissionais. Já na Solana, a queda foi de 40%, ficando com 942 desenvolvedores.
Um relatório publicado em 2025 apontava que Ethereum e Solana eram os dois ecossistemas com o maior número de desenvolvedores ativos naquele ano.
As maiores perdas, no entanto, aconteceram em outros ecossistemas. Enquanto a Base perdeu 52% dos desenvolvedores, ficando com somente 378 ativos, a Aptos perdeu 60%.
Em número de commits, Celo teve uma queda de 52%, enquanto na BNB a redução foi de 85%.
Se o setor de criptomoedas está perdendo desenvolvedores, outro está ganhando. Segundo o estudo, muitos deles migraram para o campo de Inteligência Artificial (IA).
Como exemplo, é destacado que hoje existem 4,3 milhões de repositórios ligados à IA no GitHub, apresentando um crescimento de 178% ano a ano.
Sendo mais específico, a CoinDesk aponta que repositórios que usam Jupyter Notebooks cresceram 75%, já repositórios com Dockerfiles cresceram 120%. Já a linguagem de programação TypeScript superou Python e JavaScript no GitHub após ganhar 1 milhão de contribuidores no último ano.
Dentro do mercado de criptomoedas, a única categoria que apresentou crescimento foi a de infraestrutura de carteiras, subindo 6%.
Um dos motivos desta migração é a queda acentuada do mercado. Isso porque o setor perdeu US$ 1,9 trilhão desde seu pico em outubro, representando uma baixa de 45%.
Por outro lado, IAs estão ganhando cada vez mais popularidade tanto pela facilidade de uso e agilização de trabalho quanto pela própria demanda por tais ferramentas.
Enquanto desenvolvedores estão migrando para o setor de IA recentemente, grandes mineradoras de Bitcoin iniciaram essa jornada ainda em 2023.
O fluxo continuou nos anos seguintes. Além da Hut 8, outros nomes famosos do mercado, como Nothern Data Group e Core Scientific, também mesclaram suas atividades ou passaram a se dedicar por completo para atender à demanda das IAs.
Um estudo publicado pela Bloomberg na semana passada afirma que isso pode impactar o preço do Bitcoin e outras criptomoedas. Isso porque hoje tais mineradoras mantêm US$ 8 bilhões em Bitcoin em suas reservas.
A Mara Holdings, que mantém 53.822 bitcoins (US$ 3,8 bilhões) em caixa, afirmou recentemente que poderá vender suas moedas caso julgue necessário. Dentre as empresas públicas, eles só ficam atrás da Strategy de Michael Saylor em número de bitcoins.
Outras empresas em destaque são Riot (18 mil bitcoins), Hut 8 (13,7 mil bitcoins), CleanSpark (13,5 mil bitcoins) e Galaxy (6,8 mil bitcoins).
“Se você é um minerador de Bitcoin e pudesse estalar os dedos e anunciar um cliente, um dos cinco maiores hyperscalers assumiu todas as suas operações de mineração, jogou fora todos os equipamentos de mineração e instalou um data center para IA, você teria um múltiplo de 5 vezes nas suas ações”, disse Kevin O’Leary para a Bloomberg.
“Isso não significa que a demanda por Bitcoin diminui, apenas que há um retorno melhor.”
O movimento observado nas mineradoras agora se repete entre desenvolvedores, atraídos por retornos financeiros maiores no setor de IA.
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