Day trader acusado de sumir com meio milhão diz que não obrigou ninguém a dar dinheiro para ele

"Não foi apontada arma para a cabeça dos clientes (para investirem)", disse o day trader Bruno Cruz ao programa Tribuna da Massa, da Rede Massa, afiliada do SBT no Paraná.

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Day trader Bruno Cruz, acuado de não pagar investidores. Foto: Reprodução/YouTube
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Investidores do Paraná acusam o day trader paranaense Bruno Cruz, da empresa Exodus Trade (antiga Capital & Coaching), de sumir com cerca de meio milhão de reais. A informação é da reportagem do programa Tribuna da Massa, da Rede Massa, afiliada do SBT no Paraná.

De acordo com reportagem, exibida na tarde desta quarta-feira (9), Cruz captava dinheiro das pessoas e prometia retornos de até 30% ao mês. Esses lucros seriam obtidos por meio de operações diárias na Bolsa de Valores.

O Livecoins verificou no site da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) que Cruz e suas empresas não têm autorização para captar dinheiro de terceiros para fazer investimentos.

Investidores dizem que day trader depositou primeiras parcelas, mas depois deixou de pagar

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De acordo com os investidores ouvidos pela reportagem do SBT, o day trader geralmente pagava as primeiras três parcelas para os clientes. A partir da quarta, no entanto, o dinheiro não era mais depositado.

“Investi R$ 15 mil, ele me pagou os três primeiros meses, mas depois não pagou mais nada”, disse uma das pessoas ouvidas. “Falava que na semana seguinte iria pagar, deu um mês e dois, mas nada de devolver o dinheiro”, falou outra vítima.

Não apontei arma para a cabeça das pessoas para elas investirem, diz day trader

Cruz, que foi ouvido pelo programa do SBT, disse que não obrigou nenhuma pessoa a dar o dinheiro para ele. “Eles são meus sócios investidores, ninguém é cliente diretamente. Além disso, não foi apontada arma para a cabeça deles (para investirem)”, falou.

Ainda durante a conversa com a emissora, o day trader disse que não conseguiu devolver o dinheiro até agora por causa da instabilidade econômica gerada pela pandemia do coronavírus.

“Em nenhum momento fugi da responsabilidade e falei que não iria pagar, mas a situação atual para o Brasil é ruim, pois nós tivemos até agora a pandemia. Muitas pessoas vão alegar que isso é desculpa, mas não, pois é a realidade do mercado”, disse.

O day trader falou ainda que já está trabalhando para regularizar a dívida com as pessoas, mas que “não pode fazer milagre”.

“Me disponho a fazer operações ao vivo e provar o meu trabalho”, fala day trader

Ainda na reportagem, Cruz disse que garante seu trabalho. “Tenho como provar que a rentabilidade no day trade flutua mais e tem rentabilidade de 10%, 15% e 20%. Me disponho a fazer operações ao vivo perante o SBT e a quem for. Eu garanto o meu trabalho”.

O apresentador Eleandro Passaia, do programa Tribuna da Massa, topou o desafio. “Na minha opinião você está é de conversinha fiada. Agora, se você me provar aqui no estúdio que você está falando a verdade, vou te pedir desculpa ao vivo”.

Vale informar que conseguir lucro atuando como day trader é uma raridade no mercado, segundo pesquisa publicada neste mês pela FGV (Fundação Getúlio Vargas). De acordo com a instituição, que entrevistou quase 100 mil day traders entre 2013 e 2018, apenas 1% dos profissionais ouvidos (menos de 600 pessoas) não tiveram prejuízos nas operações.

Curitiba, a terra das pirâmides financeiras

Curitiba, que já foi conhecida como capital modelo e referência na luta contra a corrupção, tem sido inundada por supostos casos de golpes financeiros.

Ano passado, por exemplo, integrantes da Wolf Trade Club  – empresa que prometia lucros de 30% ao mês para investidores – foram provisoriamente presos por suspeita de prática de pirâmide financeira. A Polícia Civil do Paraná, na época, disse que o negócio deu um golpe de R$ 30 milhões.

Foi na capital paranaense também que as autoridades prenderam, no final do ano passado, supostos golpistas que prometiam rendimentos diários de 3% a 4% por meio de falsos investimentos em bitcoins. Eles teriam movimentado cerca de R$ 1,5 bilhão de forma ilegal.

Curitiba também é sede do Grupo Bitcoin Banco, fundado pelo empresário Claudio Oliveira, que já foi conhecido como “rei do bitcoin”. A empresa, suspeita de ser uma organização criminosa sofisticada, deve meio bilhão para 6,5 mil pessoas.

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Lucas Marins
Lucas Marins
Jornalista desde 2010. Escreve para Livecoins e UOL. Já foi repórter da Gazeta do Povo e da Agência Estadual de Notícias (AEN).
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