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Day trader acusado de sumir com meio milhão diz que não obrigou ninguém a dar dinheiro para ele

"Não foi apontada arma para a cabeça dos clientes (para investirem)", disse o day trader Bruno Cruz ao programa Tribuna da Massa, da Rede Massa, afiliada do SBT no Paraná.

Investidores do Paraná acusam o day trader paranaense Bruno Cruz, da empresa Exodus Trade (antiga Capital & Coaching), de sumir com cerca de meio milhão de reais. A informação é da reportagem do programa Tribuna da Massa, da Rede Massa, afiliada do SBT no Paraná.

De acordo com reportagem, exibida na tarde desta quarta-feira (9), Cruz captava dinheiro das pessoas e prometia retornos de até 30% ao mês. Esses lucros seriam obtidos por meio de operações diárias na Bolsa de Valores.

O Livecoins verificou no site da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) que Cruz e suas empresas não têm autorização para captar dinheiro de terceiros para fazer investimentos.

Investidores dizem que day trader depositou primeiras parcelas, mas depois deixou de pagar

De acordo com os investidores ouvidos pela reportagem do SBT, o day trader geralmente pagava as primeiras três parcelas para os clientes. A partir da quarta, no entanto, o dinheiro não era mais depositado.

“Investi R$ 15 mil, ele me pagou os três primeiros meses, mas depois não pagou mais nada”, disse uma das pessoas ouvidas. “Falava que na semana seguinte iria pagar, deu um mês e dois, mas nada de devolver o dinheiro”, falou outra vítima.

Não apontei arma para a cabeça das pessoas para elas investirem, diz day trader

Cruz, que foi ouvido pelo programa do SBT, disse que não obrigou nenhuma pessoa a dar o dinheiro para ele. “Eles são meus sócios investidores, ninguém é cliente diretamente. Além disso, não foi apontada arma para a cabeça deles (para investirem)”, falou.

Ainda durante a conversa com a emissora, o day trader disse que não conseguiu devolver o dinheiro até agora por causa da instabilidade econômica gerada pela pandemia do coronavírus.

“Em nenhum momento fugi da responsabilidade e falei que não iria pagar, mas a situação atual para o Brasil é ruim, pois nós tivemos até agora a pandemia. Muitas pessoas vão alegar que isso é desculpa, mas não, pois é a realidade do mercado”, disse.

O day trader falou ainda que já está trabalhando para regularizar a dívida com as pessoas, mas que “não pode fazer milagre”.

“Me disponho a fazer operações ao vivo e provar o meu trabalho”, fala day trader

Ainda na reportagem, Cruz disse que garante seu trabalho. “Tenho como provar que a rentabilidade no day trade flutua mais e tem rentabilidade de 10%, 15% e 20%. Me disponho a fazer operações ao vivo perante o SBT e a quem for. Eu garanto o meu trabalho”.

O apresentador Eleandro Passaia, do programa Tribuna da Massa, topou o desafio. “Na minha opinião você está é de conversinha fiada. Agora, se você me provar aqui no estúdio que você está falando a verdade, vou te pedir desculpa ao vivo”.

Vale informar que conseguir lucro atuando como day trader é uma raridade no mercado, segundo pesquisa publicada neste mês pela FGV (Fundação Getúlio Vargas). De acordo com a instituição, que entrevistou quase 100 mil day traders entre 2013 e 2018, apenas 1% dos profissionais ouvidos (menos de 600 pessoas) não tiveram prejuízos nas operações.

Curitiba, a terra das pirâmides financeiras

Curitiba, que já foi conhecida como capital modelo e referência na luta contra a corrupção, tem sido inundada por supostos casos de golpes financeiros.

Ano passado, por exemplo, integrantes da Wolf Trade Club  – empresa que prometia lucros de 30% ao mês para investidores – foram provisoriamente presos por suspeita de prática de pirâmide financeira. A Polícia Civil do Paraná, na época, disse que o negócio deu um golpe de R$ 30 milhões.

Foi na capital paranaense também que as autoridades prenderam, no final do ano passado, supostos golpistas que prometiam rendimentos diários de 3% a 4% por meio de falsos investimentos em bitcoins. Eles teriam movimentado cerca de R$ 1,5 bilhão de forma ilegal.

Curitiba também é sede do Grupo Bitcoin Banco, fundado pelo empresário Claudio Oliveira, que já foi conhecido como “rei do bitcoin”. A empresa, suspeita de ser uma organização criminosa sofisticada, deve meio bilhão para 6,5 mil pessoas.