Governo Lula ainda não sabe como encaixar o IOF no bitcoin, criptomoedas e stablecoins
10/02/2026 14:15 14:15
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(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Rumores de mercado ainda não confirmados pelo próprio Governo Lula indicam que uma possível cobrança de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para operações com bitcoin, criptomoedas e stablecoins. Divulgação do Valor Econômico nesta terça-feira (10) indica que obteve cópia de documento da Receita Federal do Brasil com a previsão de 3,5% de alíquota nas operações, que colocam os “ativos virtuais” como equivalentes ao câmbio.
A cobrança, contudo, ainda deve passar por um período de consulta pública, que abriria conversas com a população e participantes do mercado. Ou seja, o Governo Lula, com sua equipe do Ministério da Fazenda, ainda não sabem o melhor caminho para a tributação.
“Muita gente interpreta esse movimento como um gesto de abertura ou diálogo institucional. Na prática, não é disso que se trata. Consulta pública, nesse contexto, é instrumento técnico. E também jurídico“, disse ao Livecoins a contadora especializada em criptomoedas, Ana Paula Rabello (Declarando Bitcoin).
Confirmando que o documento oficial ainda não é de conhecimento público, Rabello indica que o governo terá pela frente uma dificuldade real de enquadrar o bitcoin e demais criptomoedas em um imposto que nasceu para tratar de operações financeiras tradicionais.
Além disso, a contadora indica que o governo terá de convencer o mercado cripto que sua decisão não nasce frágil.
“O primeiro desafio é conceitual. Qual operação com cripto seria considerada fato gerador do IOF? Sem uma resposta objetiva e bem delimitada, qualquer norma nasce frágil. E norma frágil em matéria tributária costuma produzir dois efeitos previsíveis: autuação e judicialização“, acrescenta.
Quem vai cobrar o IOF de criptomoedas dos brasileiros?
Com vários atores em um mercado crescente, com corretoras, bancos, custodiadoras e muitos outros negócios, o governo também terá de colocar a cobrança do IOF sobre a responsabilidade de alguém, revela Rabello.
“O ecossistema cripto envolve múltiplos agentes, muitas vezes localizados fora do Brasil. Uma redação mal feita pode gerar responsabilidade difusa, sobreposição de obrigações ou simplesmente inviabilizar o cumprimento da norma“, indica para a reportagem.
Desta forma, a consulta pública chega como blindagem jurídica para que o governo elabore uma norma sem furos, de forma incontestável. Ou seja, o próprio mercado deverá ensinar a equipe econômica qual o melhor caminho para a cobrança vindoura.
Para a contadora, a consulta pública indica que a cobrança chegará, e que o Estado brasileiro apenas que encaixar ele da melhor forma.
“O fato de o tema estar em consulta pública não significa que a tributação não vá acontecer. Significa que o Estado ainda está tentando fazer o IOF caber juridicamente em operações que não foram pensadas para ele“, finaliza Rabello.
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Bruno Costa
Bruno Costa ingressou no jornalismo cripto quando o DeFi ainda era um experimento de nicho e, desde então, tornou-se uma das principais vozes brasileiras na cobertura de finanças descentralizadas e ativos digitais. Atualmente atua como Senior Content Manager na Starkware.co, uma empresa de PR e marketing focada em DeFi, NFTs e crescimento de comunidades Web3. Seu trabalho frequentemente explora como as economias de tokens podem impulsionar a inclusão financeira no país, conectando a adoção de blockchain à realidade local. Ele é Certified Bitcoin Professional (CBP), credenciado pelo CryptoCurrency Certification Consortium (C4). Graduado em Jornalismo pela Universidade Europeia, Bruno aprofundou sua expertise com formações como o curso DAO Fundamentals (EDU Trainings) e o Web3 Solidity Bootcamp (Metana). Sua cobertura inclui adoção de DeFi em mercados emergentes, cultura NFT na América Latina e análises de UX em aplicações descentralizadas. Entre suas principais competências estão reportagem investigativa, análise do mercado cripto, construção de narrativa e estratégia de conteúdo. No Brasil, o público o conhece por portais como Cointimes.com.br, onde é colaborador regular, além de suas reportagens investigativas que revelaram golpes no setor DeFi. Uma de suas séries chegou a contribuir para alertas regulatórios e maior fiscalização por parte da CVM. Seu guia sobre stablecoins alcançou mais de 50 mil leitores e foi referenciado por três grupos acadêmicos de pesquisa, enquanto sua consultoria para uma carteira DeFi ajudou a redesenhar o conteúdo de onboarding e atraiu mais de 10 mil novos usuários. Bruno já foi citado pelo Valor Econômico, fez coberturas presenciais na São Paulo NFT Expo e no Rio Blockchain Meetup, e participou de grandes eventos como a SP Tech Week e a Blockchain Conference Brasil, onde discutiu temas sobre regulação do DeFi, UX e inovação. Curioso e criativo, com um forte foco em conectar tecnologia e cultura, ele costuma lembrar colegas e leitores de que “Journalism should empower readers with clarity in a world full of crypto hype and misinformation.” Disclaimer: Todo o conteúdo aqui apresentado diz respeito a temas de criptomoedas, blockchain e Web3 e possui caráter exclusivamente informativo e educacional. Não constitui aconselhamento financeiro, de investimento ou jurídico. As análises refletem a experiência e a pesquisa pessoal do autor. O nome do autor é utilizado como pseudônimo. Sempre faça sua própria pesquisa (DYOR) antes de tomar decisões no ecossistema cripto.
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