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Governo Lula ainda não sabe como encaixar o IOF no bitcoin, criptomoedas e stablecoins

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Rumores de mercado ainda não confirmados pelo próprio Governo Lula indicam que uma possível cobrança de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para operações com bitcoin, criptomoedas e stablecoins. Divulgação do Valor Econômico nesta terça-feira (10) indica que obteve cópia de documento da Receita Federal do Brasil com a previsão de 3,5% de alíquota nas operações, que colocam os “ativos virtuais” como equivalentes ao câmbio.

A cobrança, contudo, ainda deve passar por um período de consulta pública, que abriria conversas com a população e participantes do mercado. Ou seja, o Governo Lula, com sua equipe do Ministério da Fazenda, ainda não sabem o melhor caminho para a tributação.

Muita gente interpreta esse movimento como um gesto de abertura ou diálogo institucional. Na prática, não é disso que se trata. Consulta pública, nesse contexto, é instrumento técnico. E também jurídico“, disse ao Livecoins a contadora especializada em criptomoedas, Ana Paula Rabello (Declarando Bitcoin).

Confirmando que o documento oficial ainda não é de conhecimento público, Rabello indica que o governo terá pela frente uma dificuldade real de enquadrar o bitcoin e demais criptomoedas em um imposto que nasceu para tratar de operações financeiras tradicionais.

Além disso, a contadora indica que o governo terá de convencer o mercado cripto que sua decisão não nasce frágil.

O primeiro desafio é conceitual. Qual operação com cripto seria considerada fato gerador do IOF? Sem uma resposta objetiva e bem delimitada, qualquer norma nasce frágil. E norma frágil em matéria tributária costuma produzir dois efeitos previsíveis: autuação e judicialização“, acrescenta.

Quem vai cobrar o IOF de criptomoedas dos brasileiros?

Com vários atores em um mercado crescente, com corretoras, bancos, custodiadoras e muitos outros negócios, o governo também terá de colocar a cobrança do IOF sobre a responsabilidade de alguém, revela Rabello.

O ecossistema cripto envolve múltiplos agentes, muitas vezes localizados fora do Brasil. Uma redação mal feita pode gerar responsabilidade difusa, sobreposição de obrigações ou simplesmente inviabilizar o cumprimento da norma“, indica para a reportagem.

Desta forma, a consulta pública chega como blindagem jurídica para que o governo elabore uma norma sem furos, de forma incontestável. Ou seja, o próprio mercado deverá ensinar a equipe econômica qual o melhor caminho para a cobrança vindoura.

Para a contadora, a consulta pública indica que a cobrança chegará, e que o Estado brasileiro apenas que encaixar ele da melhor forma.

O fato de o tema estar em consulta pública não significa que a tributação não vá acontecer. Significa que o Estado ainda está tentando fazer o IOF caber juridicamente em operações que não foram pensadas para ele“, finaliza Rabello.

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Bruno Costa

Bruno Costa ingressou no jornalismo cripto quando o DeFi ainda era um experimento de nicho e, desde então, tornou-se uma das principais vozes brasileiras na cobertura de finanças descentralizadas e ativos digitais. Atualmente atua como Senior Content Manager na Starkware.co, uma empresa de PR e marketing focada em DeFi, NFTs e crescimento de comunidades Web3. Seu trabalho frequentemente explora como as economias de tokens podem impulsionar a inclusão financeira no país, conectando a adoção de blockchain à realidade local. Ele é Certified Bitcoin Professional (CBP), credenciado pelo CryptoCurrency Certification Consortium (C4). Graduado em Jornalismo pela Universidade Europeia, Bruno aprofundou sua expertise com formações como o curso DAO Fundamentals (EDU Trainings) e o Web3 Solidity Bootcamp (Metana). Sua cobertura inclui adoção de DeFi em mercados emergentes, cultura NFT na América Latina e análises de UX em aplicações descentralizadas. Entre suas principais competências estão reportagem investigativa, análise do mercado cripto, construção de narrativa e estratégia de conteúdo. No Brasil, o público o conhece por portais como Cointimes.com.br, onde é colaborador regular, além de suas reportagens investigativas que revelaram golpes no setor DeFi. Uma de suas séries chegou a contribuir para alertas regulatórios e maior fiscalização por parte da CVM. Seu guia sobre stablecoins alcançou mais de 50 mil leitores e foi referenciado por três grupos acadêmicos de pesquisa, enquanto sua consultoria para uma carteira DeFi ajudou a redesenhar o conteúdo de onboarding e atraiu mais de 10 mil novos usuários. Bruno já foi citado pelo Valor Econômico, fez coberturas presenciais na São Paulo NFT Expo e no Rio Blockchain Meetup, e participou de grandes eventos como a SP Tech Week e a Blockchain Conference Brasil, onde discutiu temas sobre regulação do DeFi, UX e inovação. Curioso e criativo, com um forte foco em conectar tecnologia e cultura, ele costuma lembrar colegas e leitores de que “Journalism should empower readers with clarity in a world full of crypto hype and misinformation.” Disclaimer: Todo o conteúdo aqui apresentado diz respeito a temas de criptomoedas, blockchain e Web3 e possui caráter exclusivamente informativo e educacional. Não constitui aconselhamento financeiro, de investimento ou jurídico. As análises refletem a experiência e a pesquisa pessoal do autor. O nome do autor é utilizado como pseudônimo. Sempre faça sua própria pesquisa (DYOR) antes de tomar decisões no ecossistema cripto.

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Autor:
Bruno Costa
Tags: ImpostoIOF