
Investigador comenta que não tinha garantia que seu dinheiro seria devolvido pelo golpista após se passar por cliente. Imagem: RDNE Stock project/Pexels.
ZachXBT, famoso investigador do mercado de criptomoedas, publicou um relato em suas redes sociais nesta segunda-feira (5) contando como se infiltrou em um sindicato do crime organizado chinês que lavou mais de US$ 1 bilhão em criptomoedas para hackers norte-coreanos.
Explicando como chegou aos lavadores de dinheiro, Zach afirma ter observado um padrão em mais de 15 contas que solicitaram ajuda em grupos públicos do Telegram e Discord pouco após o hack da Bybit.
Após isso, o investigador fingiu ser um cliente para obter detalhes sobre o funcionamento da operação.
Para que seu papel de cliente fosse convincente, ZachXBT afirma ter convertido US$ 349,7 milhões em USDC para um novo endereço para testar o serviço de lavagem de dinheiro desse sindicato do crime organizado chinês.
O suspeito lhe atendeu pelo nome de Jimmy Green no Telegram e, como pode ser visto nas capturas de tela apresentadas por Zach, achou o valor muito baixo.
“— Apenas 100 ETH?”, questionou Green.
“— Sim, uma quantia pequena para eu testar seu serviço, depois aumentamos”, respondeu Zach.
Após várias transações, Zach conseguiu criar um mapeamento de transações, mostrando que os serviços de ‘Jimmy Green’ também foram usados pelos hackers norte-coreanos para lavar os fundos roubados da Bybit.
Questionado se possuía uma equipe grande, o chinês afirma que sim, com especialização em lavagem de criptomoedas, isolamento e prevenção de congelamento.
“Os estrangeiros nos pediram recentemente para fazermos uma pausa de dez dias. Temos muitos USDT. Como a moeda norte-coreana foi suspensa por dez dias, a equipe precisa de mais trabalho. A equipe preparou US$ 1 milhão e está pronta para começar a trabalhar a qualquer momento!”, escreveu Green em outras mensagens.
Tendo ganho a confiança do chinês, Zach afirma que, após isso, ele começou a falar sobre a movimentação dos fundos da Bybit para os hackers norte-coreanos sem nem mesmo precisar fazer perguntas sobre o tema.
Na sequência, Green também enviou fotos para Zach, onde o lavador de fundos mostrava a sua janta e também o convidava para uma partida de Mahjong.
“Em uma ocasião, em 12 de março de 2025, Jimmy compartilhou uma captura de tela mostrando que estava fazendo uma transferência entre blockchains. Consegui relacioná-la, pelos valores e pelo horário, a uma transação no explorador da THORChain que correspondia a uma ordem criada poucos minutos depois de sua mensagem.”
Seguindo, Zach afirma que Green também compartilhou três endereços de Solana, também ligados ao hack da Bybit, e que US$ 442 mil em USDT ligados a esse esquema foram posteriormente congelados pela Tether.
Além disso, eles também conversaram sobre casos de lavagem ligados à Huione Guarantee, já derrubada pelos EUA, e do hack da Poloniex.
Com tantas informações reunidas ao longo da conversa, o investigador conseguiu montar um grande gráfico mostrando o caminho de diversas transações. Algumas delas, como podem ser vistas abaixo, foram parar em corretoras centralizadas, mas continuaram se movendo até um único endereço final de consolidação.
Finalizando seu relato, Zach diz esperar continuar recebendo subsídios de fundações e doações de indivíduos para dar sequência ao seu trabalho.
“Isso me permite assumir riscos maiores em casos específicos que outras pessoas talvez não considerem viáveis”, explica o investigador, notando que não pode falar sobre o assunto anteriormente devido às investigações em andamento.
“Neste caso, adiantei US$ 349,7 mil e perdi 5% em cada ordem, sem nenhuma garantia de que Jimmy não desapareceria com os fundos e assumindo um nível desconhecido de risco pessoal por lidar com o sindicato.”