Justiça aceita pedido de recuperação judicial da BWA Brasil, suspeita de golpe com bitcoin

Com a decisão, a BWA se tornou a segunda empresa suspeita de fraude com criptomoedas a conseguir na Justiça o direito de tentar evitar um processo de falência.

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A 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo aceitou o pedido de recuperação judicial da BWA Brasil. A empresa, sediada em Santos, é suspeita de aplicar um golpe de pirâmide financeira associado a bitcoins.

“Em primeiro plano, visto que, estando presentes, ao menos em um exame formal, os requisitos legais, defiro o processamento da recuperação judicial de BWA BRASILTECNOLOGIA DIGITAL LTDA., pessoa jurídica de direito privado, com endereço na RuaCarneiro da Cunha, 167, Conjunto 28, Vila da Saúde, São Paulo/SP, CEP: 04144-000, inscrita no CNPJ/MF sob o nº 27.873.394/0001-49”, disse o magistrado.

Com a decisão, publicada na quarta-feira (8), a BWA se tornou a segunda empresa suspeita de fraude com criptomoedas a conseguir na Justiça brasileira o direito de tentar evitar um processo de falência. A primeira a alcançar tal feito foi o Grupo Bitcoin Bitcoin, de Curitiba (PR), que tem uma dívida bilionária com 6,5 mil investidores.

BWA deve R$ 295 milhões para credores

A dívida da BWA Brasil é de R$ 295 milhões, segundo lista de credores divulgada no processo. Em nota compartilhada ontem com clientes, a empresa – que é suspeita de ter enviado o dinheiro dos investidores para o exterior – disse que não tem recursos para pagar o que deve.

Por isso, a recuperação judicial seria a única forma de pagar todo mundo, informou o negócio.

“Gostaríamos de esclarecer que a recuperação judicial é a medida mais adequada, tendo em vista que o objetivo principal é dar continuidade ao nosso esforço de reestruturação. Objetivamos a busca de uma solução defiitiva e transparente para o retorno ao nosso equilíbrio econômico”.

A fim de esclarecer outros pontos, a BWA informou ainda na nota que fará uma reunião no dia 17 de julho para apresentar o plano de reestruturação.

Recuperação judicial da BWA ficará a cargo de administradora judicial da Telexfree

A administradora judicial da BWA Brasil será a Laspro Consultores. Conforme apurou o Livecoins, a empresa – com sede em São Paulo – é a mesma que cuida do processo de falência da Telexfree, pirâmide financeira da área de telefonia digital.

Na decisão sobre a recuperação judicial, ficou determinado que a BWA deve apresentar relatórios mensais sobre as atividades. No entanto, o primeiro relatório precisa ser entregue já nos próximos 15 dias, contendo todo o passivo extraconcursal do negócio.

Vale lembrar que, de acordo com o processo de recuperação judicial, todas as ações movidas por investidores da empresa serão suspensas. Só no Tribunal de Justiça de São Paulo, de acordo com consulta feita pelo Livecoins, a empresa responde a quase 200 processos.

Histórico da BWA Brasil

A BWA Brasil, com sede em Santos, prometia rendimentos mensais fixos em operações com criptomoedas. O negócio pertence ao empresário Paulo Bilibio, que ficou conhecido por ter sido sequestrado por policiais.

Desde o final do ano passado, no entanto, a empresa deixou de pagar os investidores. Por causa disso, a suposta pirâmide financeira responde a uma enxurrada de processos na Justiça de São Paulo, além de ser alvo de investigação da Polícia Civil.

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Lucas Marins
Lucas Marins
Jornalista desde 2010. Escreve para Livecoins e UOL. Já foi repórter da Gazeta do Povo e da Agência Estadual de Notícias (AEN).
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