A Mara Holdings (NASDAQ: MARA), uma das maiores mineradoras do mundo, anunciou nesta quinta-feira (26) a venda de 15.133 bitcoins por US$ 1,1 bilhão. A decisão afetou o preço da criptomoeda, que volta a operar abaixo dos US$ 70.000 enquanto perde 3,1% de seu valor nas últimas 24 horas.
O choque só não foi maior porque a mineradora já havia anunciado no início do mês que estava pensando em vender parte de suas moedas.
Até então, a Mara possuía a segunda maior reserva de Bitcoin do mundo, ficando atrás somente da Strategy de Michael Saylor. Após a venda, ela cede sua posição para a Twenty One Capital.
Mineradora vendeu bitcoins para pagar dívidas com descontos
Em nota publicada em seu site, a Mara Holdings explica que as vendas de Bitcoin ocorreram entre os dias 4 e 25 de março. O objetivo é a recompra de notas conversíveis com um desconto aproximado de 9% (US$ 88,1 milhões) e a redução da dívida da empresa.
“Hoje, a MARA anunciou a recompra de cerca de US$ 1 bilhão em notas conversíveis com um desconto de aproximadamente 9% em relação ao valor de face.”
“Redução de cerca de 30% da dívida conversível. Aproximadamente US$ 88 milhões em valor capturado. Nenhuma exposição futura à diluição nas notas recompradas”, explicou a mineradora em suas redes sociais. “Financiado por vendas de BTC, e não via ATM.”

Anteriormente, a empresa mantinha 53.822 bitcoins em caixa. As moedas estavam sendo acumuladas desde o final de 2020. Além de ter sido uma das primeiras vendas da história da companhia, esta também foi a maior.

Ao contrário de outras empresas como Strategy e Twenty One Capital, a Mara não se posiciona como uma tesouraria de Bitcoin.
Além das questões da dívida, a mineradora também menciona uma possível expansão para o setor de IA como justificativa da venda.
“Nossa decisão de vender uma parte de nossas reservas de bitcoin reflete um movimento estratégico de alocação de capital projetado para fortalecer nosso balanço e posicionar a empresa para crescimento de longo prazo.”
“Ao retirar mais de US$ 1 bilhão em valor de face de dívida com desconto, capturamos aproximadamente US$ 88 milhões em valor que, de outra forma, teria sido perdido, reduzimos a potencial diluição dos acionistas e utilizamos nossas reservas de bitcoin para reduzir significativamente a alavancagem do balanço em nossos próprios termos”, disse Fred Thiel, presidente do conselho e diretor executivo da MARA. “Essa transação aumenta a flexibilidade financeira e amplia as opções estratégicas à medida que expandimos além da mineração pura de bitcoin para infraestrutura de energia digital e IA/HPC.”
Mara ainda mantém dívidas de US$ 2,3 bilhões e pode despejar mais bitcoins no mercado
Após vender parte de suas reservas, hoje a Mara Holdings mantém 38.689 bitcoins em caixa. A quantia é equivalente a US$ 2,7 bilhões na cotação atual.
Por outro lado, a mineradora ainda mantém uma dívida de U$ 2,3 bilhões.

Ou seja, se eles acreditaram que seria melhor obter 9% de desconto ao quitar parte dessas dívidas, isso é um sinal de que eles não estão confiantes de que o Bitcoin passará por uma valorização desta mesma porcentagem.
Portanto, é possível imaginar um cenário no qual a mineradora acelera as vendas de seus bitcoins para continuar diminuindo suas dívidas ou quitá-las completamente.
Outro ponto que justificaria um novo despejo foi a resposta do mercado. Enquanto o Bitcoin opera em queda de 3,1% nas últimas 24 horas, as ações da Mara abrem o dia em alta de 10,6%.

