
Pesquisador cita a possibilidade de que o ECDSA seja quebrado por IA antes de ser quebrado por computadores quânticos. Imagem: ChatGPT.
Justin Drake, pesquisador da Ethereum Foundation, publicou um apelo em suas redes sociais nesta quarta-feira (7), pedindo que a indústria de criptomoedas comece a se preparar para entrar em um “modo bunker”, ou seja, tomando medidas adicionais de segurança.
No texto, o especialista em segurança afirma que “os últimos dias foram um choque de humildade para nossa intuição matemática”. Como exemplo, ele cita a recente divulgação da OpenAI sobre a produção de centenas de resultados matemáticos complexos.
Outro tema abordado por Drake é o avanço da computação quântica, tema sobre o qual até mesmo a Europol publicou um relatório também nesta quarta-feira (7).
Iniciando seu texto, Justin Drake afirma que investidores e empresas do setor não devem ter pressa para agir, já que isso causaria mais danos do que benefícios, mas que todos devem começar a se preparar.
“Hoje, faço um apelo à indústria de blockchain para começar, com calma, a se preparar para o “modo bunker”. Minha recomendação pessoal é iniciar uma migração controlada e em massa dos ativos para novos endereços, ou seja, endereços cujas chaves públicas permaneçam ocultas por trás de um hash.”
Seguindo, o pesquisador cita a possibilidade de que o ECDSA (sigla inglesa para Algoritmo de Assinatura Digital de Curva Elíptica) seja quebrado antes do chamado “qday”, termo usado para descrever o momento em que computadores quânticos seriam suficientemente poderosos para quebrar esse algoritmo usado pelo Bitcoin.
No pior cenário, Drake fala que isso pode acontecer “em meses, não anos”.
“Os últimos dias foram um choque de humildade para nossa intuição matemática. Hipóteses mantidas por muito tempo e nunca questionadas caíram por terra. Isso inclui o limite de n log(n) para multiplicação de inteiros e a conjectura 3SUM. Olhando em retrospectiva, a inesperada refutação da conjectura de Erdős sobre distâncias unitárias, em maio, foi nosso primeiro sinal de alerta. O anúncio da OpenAI ontem deixou claro que a superinteligência matemática chegou. Dizem que há semanas em que acontecem décadas. Estamos prestes a viver semanas em que acontecerão séculos de progresso matemático. Será que nossas mágicas assinaturas ECDSA de 64 bytes são boas demais para ser verdade? Será que foi apenas segurança por obscuridade durante todo esse tempo? As curvas elípticas parecem especialmente vulneráveis à superinteligência. As curvas carregam uma estrutura rica, com espaço para truques sofisticados como Schoof, Frobenius e pairings. (Em contraste, as funções hash são projetadas para minimizar a estrutura algébrica.)”
Outro ponto citado em seu texto é sua experiência pessoal sobre governos censurando resultados acadêmicos de criptoanálise quântica.
Sua hipótese é que uma nova intervenção pode estar acontecendo nos bastidores, já que há poucos avanços criptográficos dentre os 722 resultados matemáticos publicados pela OpenAI.
Em outras palavras, Drake considera possível que existam avanços criptográficos que não estejam entre os resultados divulgados.
No início de seu texto, Justin Drake afirma que essa migração para o “modo bunker” deveria começar pelos maiores e mais sofisticados detentores de Bitcoin e outras criptomoedas do mercado.
Em suma, endereços de Bitcoin expõem sua chave pública ao assinar uma transação, enfraquecendo sua segurança em relação a ataques quânticos. Embora hoje isso não seja uma preocupação, isso pode ser explorado por computadores quânticos potentes no futuro ou, como Drake sugere, por IAs avançadas antes disso.
Como exemplo, um estudo publicado em maio pela Glassnode revelou que muitas das maiores corretoras de criptomoedas do mercado correm esse risco.
“Peço aos grandes e sofisticados participantes do mercado que deem o exemplo. A “risq list” do Project11 é um excelente rastreador de chaves públicas de BTC expostas. Binance, Bitbank, Robinhood, Bitfinex e Tether têm a oportunidade de reforçar sua custódia fria. No próximo mês, vou falar com instituições em Londres em uma sessão de perguntas e respostas ao vivo”, escreveu Drake.
Continuando, o pesquisador aponta que carteiras com menos de 50 bitcoins estariam protegidas em um primeiro momento. Isso porque Satoshi Nakamoto supostamente minerou cerca de 1,1 milhão de bitcoins para endereços P2PK (cuja chave pública está exposta mesmo sem realizar transações de saída).
Portanto, é natural imaginar que esses ataques, caso aconteçam, comecem por esses endereços, o que seria perceptível para todo o mercado.
“Novamente, por favor, não tenham pressa. Carteiras com menos de 50 BTC contam com uma proteção parcial do “escudo de Satoshi”, ou seja, seus 20 mil endereços expostos que possuem 50 BTC cada. Signatários críticos, como oráculos e conselhos de segurança de L2s, deveriam considerar a rotação das chaves públicas ECDSA a cada mensagem assinada e/ou o uso de múltiplas assinaturas com esquemas baseados em hash, como o SPHINCS.”
Por fim, Drake sugere o uso de “criptografia pós-IA”, ou seja, apostas em soluções de criptografia baseadas em hash, evitando completamente pressupostos matemáticos estruturados.