Suposta pirâmide com bitcoin que funcionava dentro de faculdade diz que foi vítima de fraude

Estimativa é que a dívida do "Projeto Rota 33", apontado pela Justiça como suposta pirâmide passe dos R$ 30 milhões

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Ricardo Sting, advogado do Projeto Rota 33. Reproduçao/YouTube.
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Assim como o Grupo Bitcoin Banco e supostos esquemas de pirâmide financeira, a exemplo da Binary Bit e da Wolf Trade Club, o Projeto Rota 33 – empresa de criptomoedas de Catanduva (SP) apontada pela Justiça como um esquema “Ponzi” – começou a justificar o atraso nos pagamentos com o discurso de que teria sido vítima de uma fraude.

Essa tal fraude, segundo vídeo divulgado pelo advogado Ricardo Sting, que defende tanto o Projeto Rota 33 como o idealizador da empresa (Thiago Troncoso), foi supostamente cometida por dois sócios do negócio – os empresários Lucas Furumoto e Jose Luis. Sting falou que eles teriam “surrupiado” bitcoins das contas do negócio. O advogado não informou o total, mas disse que foram “valores muito expressivos”.

A reportagem tentou localizar a defesa dos dois empresários apontados por Sting como responsáveis pelo suposto golpe, mas não encontrou ninguém.

Projeto Rota 33 afirma que fez auditoria com 40 mil páginas

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Sting disse ainda que a fraude foi descoberta graças a uma suposta “auditoria” interna, que teria gerado um super documento com 40 mil páginas que explicam “detalhadamente” como cada centavo teria saído dos cofres do negócio. Haja folêgo para ler o suposto relatório!

O advogado disse ainda que, apesar do suposto golpe dado pelos sócios, o empresário Thiago Troncoso vai arcar com todas as dívidas. Só não explicou como ele vai pagar os clientes, já que parte dos bitcoins da empresa, como Sting mesmo afirmou no vídeo, foi “roubado”.

Reprodução de uma entrevista feita com o empresário Thiago Troncoso/YouTube

Advogados ouvidos pela reportagem anteriormente e processos judiciais apontam que a dívida do Projeto Rota 33 é superior a R$ 30 milhões. Sting, no entanto, sustenta que é de apenas R$ 5 milhões.

Projeto Rota 33 criará fila de pagamentos

A empresa, ainda segundo Sting, vai organizar uma fila de pagamentos em janeiro de 2020. Aqueles clientes que ainda não receberam nada teriam prioridade para reaver os recursos investidos. Vale lembrar que o Grupo Bitcoin Banco, que está em processo de recuperação judicial e tem uma dívida de R$ 600 milhões, tentou fazer uma fila de pagamento, mas ela nunca foi cumprida.

“Com relação ao recebimento, a partir do dia 7 (de janeiro) todos receberão em sua caixa de email um comunicado por para comparecer à Rota 33 para poder combinar o seu respectivo recebimento”, disse Sting no vídeo.

A estimativa é que 700 pessoas teriam sido lesadas pelo Projeto Rota 33.

Veja vídeo com explicações do advogado do Projeto Rota 33:

Empresa não pagará mais 20%, diz advogado

Em entrevista ao portal Livecoins, o advogado também informou que a empresa não vai pagar os 20% acordados no início do contrato. Segundo ele, nunca foi prometido aos investidores um valor fixo ao mês, mas sim de 0% a 20% de rendimento mensal.

“Portanto, vamos devolver o que as pessoas investiram com ajuste apenas do juro real”, disse Sting.

A informação de que nunca houve promessa de lucro é contestada por investidores lesados e advogados que moveram ações. Na semana passada, a investidora Marlene Wolff, 49 anos, disse à reportagem do Livecoins que a empresa sempre garantiu rendimentos fixos e, por esse motivo, teria virado “febre” na cidade em Catanduva.

Projeto Rota 33 não tem autorização da CVM para ofertar contratos de investimento coletivo

Até novembro deste ano, o Projeto Rota 33 funcionou dentro da UniFroebel, instituição educacional que oferta cursos de graduação e pós-graduação. A “faculdade”, com sede em Catanduva, pertence ao empresário Thiago Troncoso. Hoje, a sede empresa de criptomoedas está no centro da cidade paulista.

Por causa dos atrasos, que começaram em outubro deste ano, há pelo menos 25 ações no Foro de Catanduva contra a empresa. A Justiça, em um caso, já determinou bloqueio de pelo menos R$ 1,4 milhão das contas do projeto, que nunca teve autorização da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) para ofertar contratos de investimento coletivo.

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Lucas Marins
Lucas Marins
Jornalista desde 2010. Escreve para Livecoins e UOL. Já foi repórter da Gazeta do Povo e da Agência Estadual de Notícias (AEN).
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