Unick Forex lavou R$ 40 milhões com terrenos, hotéis e apartamentos de luxo, segundo PF

A suposta pirâmide financeira pagou R$ 15 milhões em um hotel em Bragança Paulista (SP).

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Espaço de lazer do hotel comprado pelo ex-diretor jurídico da Unick Forex. Imagem: reprodução.
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Os membros da Unick Forex criaram um complexo mecanismo para lavar o dinheiro captado de forma ilegal dos investidores. Um dos meios utilizados para ocultar a grana, segundo a PF (Polícia Federal), foi a aquisição de imóveis e terras.

Só entre novembro 2018 e agosto de 2019, segundo relatório da PF que a reportagem do Livecoins teve acesso, o empresário Leidimar Lopes (criador da suposta pirâmide) e seus comparsas gastaram cerca de R$ 40 milhões na compra de imóveis de luxo, chácaras, prédios e até um hotel.

Com esse montante milionário – maior que o PIB de muitos municípios brasileiros – daria para construir pouco mais de 700 casas populares no Paraná, cada uma com 35 metros quadrados, dois quartos, sala, cozinha, banheiro e área de serviço externo.

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“Tudo o que movia a organização criminosa era o auferimento de vantagens financeiras, as quais, sabiam, não seriam eternas, e que, devido à origem ilícita como eram obtidas, deveriam ser guarnecidas, nos moldes que conhecemos como sendo de mecanismos de lavagem de dinheiro, por isso a compra de imóveis, a compra de bens móveis, entre outras ações de guarnecimento de patrimônio (…)”, disse a PF no relatório.

Ex-diretor jurídico comprou hotel de R$ 15 milhões, segundo PF

O imóvel mais caro identificado pela PF custou R$ 15 milhões e foi adquirido pelo ex-diretor jurídico da Unick Forex, Fernando Lusvarghi, por meio de sua empresa, a S.A Capital. É um hotel com 2,4 mil metros quadrados em Bragança Paulista (SP), município onde o advogado vive.

Além do hotel, outros 11 imóveis foram comprados pela esposa do ex-diretor jurídico, a empresária Isabel Cristina do Prado Lusvarghi. Oito deles foram avaliados em R$ 8 milhões, segundo o relatório. A PF não encontrou o valor dos outros três.

Vale lembrar que em outubro do ano passado, o desembargador Leandro Paulsen, do Tribunal Regional Federal da 4ª região, mencionou que a PF havia descoberto que Lusvarghi estaria colocando bens em nome de terceiros.

A reportagem questionou Lusvarghi – que nesta semana falou que quer mudar “sua imagem e mostrar que é bom profissional” –  sobre os imóveis. Ele disse que o hotel na verdade pertence a sua esposa e está declarado, assim como os outros imóveis citados pela PF.

Questionado sobre o relatório que a reportagem teve acesso, que diz o contrário do que ele falou, Lusvarghi disse que não “seria coerente comentar, pois o processo ainda segue em segredo de justiça”.

Lusvarghi falou também que nem ele e nem a esposa sua esposa realizaram “lavagem de dinheiro para ninguém, muito menos para o grupo Unick”. 

Cobertura de luxo e uma chácara para garantir o futuro das filhas

Outro imóvel que consta no relatório da PF é uma cobertura com 524 metros quadrados e cinco vagas de garagem. O imóvel fica em Caxias do Sul (RS) e foi comprado por Leidimar Lopes para suas duas filhas. O valor não foi mencionado pela PF.

Uma das filhas do empresário é Ana Carolina de Oliveira, ré no processo que corre na Justiça. Ana fazia parte da administração da Unick Forex e era responsável pelo controle das contas bancárias do grupo.

“É um bem, uma garantia futura para as minhas filhas”, disse a esposa de Leidimar Lopes, Gislaine Gonçalves de Oliveira, no relatório da PF.

Prédio onde fica a cobertura das filhas de Leidimar Lopes. Imagem: reprodução/processo.

Além da cobertura de luxo, Lopes também colocou no nome de Ana outros três terrenos localizados nas zonas rurais de municípios do Rio Grande do Sul. Juntos, eles somam R$ 3,7 milhões.

Só um terreno em Cacimbas, distrito de Mostardas (RS), custou a bagatela de R$ 1,5 milhão. O local tem 2,3 mil hectares, o que equivale a pouco mais de 2 mil campos de futebol.

Terreno adquirido por advogada da Unick Forex custou R$ 1,6 milhão

Os outros imóveis e terrenos usados para lavar dinheiro, segundo a PF, foram adquiridos pelos demais “cabeças” do grupo.

Fernando Salonon (advogado); Alberi Pinheiro Lopes (pai de Leidimar Lopes); Caren Greff de Oliveira (advogada e responsável pela empresa de fachada Vega Brasil, usada para lavar dinheiro); e Euler Silva Machado (dono da empresa Dox Pay Banco Digital, também de fechada) são alguns deles.

Um dos terrenos que pertenciam a Caren, por exemplo, custou R$ 1,6 milhão. O espaço, com área de 1,4 milhão de metros quadrados, fica no distrito de Jaquirana, em São Francisco de Paula (RS).

Livecoins revela informações sobre a queda da Unick Forex

Desde o final de abril, o Livecoins vem publicando reportagens sobre a investigação que levou à queda da Unick Forex. Os textos da série especial podem ser lidos no #UnickLeaks.

A Unick Forex foi fundada pelo empresário Leidimar Lopes e prometia rendimentos de até 3% ao dia para os investidores. Esses lucros seriam obtidos por meio de investimentos no mercado Forex (foreign exchange) e em criptomoedas.

A empresa nunca teve autorização da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) para ofertar contratos de investimento coletivo. Segundo processo que corre na Justiça, a empresa captou de forma ilegal quase R$ 30 bilhões.

No final do ano passado, a Polícia Federal, no âmbito da Operação Lamanai, desmantelou o suposto esquema de pirâmide financeira e prendeu os integrantes do grupo. Alguns deles, por causa do coronavírus, hoje cumprem prisão domiciliar monitorados por tornozeleira eletrônica.

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Lucas Marins
Lucas Marins
Jornalista desde 2010. Escreve para Livecoins e UOL. Já foi repórter da Gazeta do Povo e da Agência Estadual de Notícias (AEN).

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