
Visa. Imagem: hartono subagio/Pixabay
A Visa, gigante dos cartões, publicou um relatório nesta terça-feira (8) revelando que seus cartões vinculados a stablecoins estão entre as áreas que mais crescem em sua rede.
Como destaque, aponta para a existência de 160 programas de cartões ativos vinculados a essas criptomoedas no segundo trimestre e que o volume de pagamentos cresceu quase 200% em relação ao ano anterior.
A maior diferença, no entanto, fica para o volume de liquidações em stablecoins, que já equivale a US$ 20 bilhões por ano em uma projeção anual, mais de 15 vezes o volume registrado no ano anterior.
Apesar do crescimento do uso de cartões de stablecoins, também confirmado por outros estudos, a Visa destaca que essas operações são pequenas e trazem os seus próprios desafios.
Como exemplo, comenta que normalmente são usadas linhas de crédito de warehouse e securitização, de forma que a emissora do cartão pague à Visa antes de receber de seus clientes.
No entanto, essas linhas não costumam ser economicamente viáveis para atender operações que precisam de pouco capital, já que as liquidações acontecem até mesmo em finais de semana e feriados e os custos para estruturar uma linha tradicional são difíceis de justificar nesse tamanho.
“O resultado é que alguns programas em estágio inicial são limitados menos pela demanda ou pela infraestrutura da rede e mais pelo acesso a capital de giro estruturado de acordo com sua operação diária.”
Para resolver esse problema, a Visa dá destaque a uma solução criada pela Credit Coop, baseada em controle automatizado das garantias, em vez de transferências manuais, e análise de crédito verificada por dados de liquidação.
“Os recebíveis de liquidação passam pelo contrato inteligente Spigot da Credit Coop antes de chegarem à conta operacional do tomador, e o Spigot direciona automaticamente o pagamento a partir dos valores recebidos. A função será familiar para qualquer credor: ela reproduz uma lockbox operando sob um acordo de controle de conta de depósito (Deposit Account Control Agreement, DACA), mas aplicada programaticamente em vez de depender de transferências manuais.”
Segundo a Visa, essa infraestrutura já executou mais de 3.000 empréstimos e 9.000 pagamentos on-chain, com zero inadimplência, e esse modelo é economicamente viável para linhas de crédito menores.
Seguindo, a empresa destaca que o tamanho da linha, liberação de dinheiro e verificação dos pagamentos são definidos com base nos dados diários de liquidação da Visa e no histórico de pagamentos on-chain.
Um exemplo citado é o caso da Rain.
“Após receber o arquivo diário de liquidação da Visa, os fundos são transferidos da linha da Credit Coop para a Rain e, em seguida, para o endereço de liquidação da Visa. Conforme os titulares dos cartões efetuam os pagamentos, os valores passam automaticamente pelos contratos inteligentes da Rain até o Spigot, que paga os juros e recompõe a linha, permitindo que a linha de crédito continue funcionando de forma rotativa.”
Explicando seus próximos passos, a Visa aponta que o modelo acima permite uma maior eficiência de capital, exposição dimensionada corretamente e consistência.
“Em vez de sacar uma linha antecipadamente e manter capital ocioso entre os ciclos, o arquivo diário de liquidação de um programa pode disparar uma liberação de recursos no mesmo dia, exatamente no valor líquido devido, enviado ao endereço de liquidação da Visa.”
Dado isso, a gigante dos cartões diz esperar que mais programas sigam esse caminho e destaca que essa oportunidade merece a atenção de bancos, emissores e credores institucionais.
“Uma nova classe de ativos está adquirindo histórico de desempenho de forma pública, com seus resultados conciliados com dados de liquidação, e aqueles que fizerem parceria com a Visa podem estar bem posicionados para atender a esses programas à medida que amadurecem.”