Ministério Público denuncia líderes da G44 Brasil por golpe de um bilhão de reais com criptomoedas e esmeraldas

Grupo usou falsa mineração de esmeraldas e moedas digitais para atrair investidores e lavar dinheiro com carros de luxo e mansões

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) apresentou uma denúncia contra seis integrantes da empresa G44 Brasil. O grupo responde por acusações de estelionato e lavagem de capitais após causar prejuízos na casa de um bilhão de reais.

A Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor protocolou a ação no fim do mês de janeiro, mas divulgou apenas no dia 26 de fevereiro. Os promotores pedem a condenação da cúpula, o confisco de bens e o pagamento de uma indenização na mesma proporção das perdas para as vítimas.

O esquema começou no ano de 2017 a partir de um escritório na cidade de Taguatinga. Os operadores atraíram investidores de vários estados brasileiros com a promessa de lucros irreais de até 11,5% ao mês.

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Promessas com mineração de esmeraldas e criptomoedas com ofertas de lucros fixos ao mês

A quadrilha usava um discurso sofisticado para convencer o público a assinar contratos de sociedade. Os líderes afirmavam que os rendimentos vinham de operações no mercado de criptomoedas e da mineração de pedras preciosas.

Os golpistas organizavam visitas guiadas a uma suposta mina de esmeraldas na cidade de Campos Verdes, em Goiás. A encenação servia para dar aparência de solidez ao negócio corporativo.

A investigação revelou que o lucro das operações não existia na vida prática. O dinheiro dos novos clientes servia apenas para pagar os investidores mais antigos, em um formato clássico de pirâmide financeira.

A empresa usava cartões pré-pagos chamados Zen Card para transferir os primeiros lucros e manter a farsa de sucesso. A denúncia aponta que a operadora desses cartões recebeu mais de 154 milhões de reais do esquema para gerenciar os pagamentos.

Colapso da pirâmide financeira e o rastro do dinheiro

A engrenagem da pirâmide financeira travou no mês de novembro de 2019. Os clientes pararam de receber os repasses e encontraram bloqueios para sacar o capital investido na plataforma.

Os diretores da companhia usaram a desculpa do risco de mercado para negar o ressarcimento aos usuários. O Ministério Público afirma que o negócio consistia apenas no recrutamento de pessoas, sem qualquer entrega de produto corporativo.

O rastreio de contas descobriu o destino de 600 milhões de reais desviados pela organização. Os líderes usaram parte desse montante para comprar carros de luxo, relógios de alto padrão e imóveis.

A lista de bens adquiridos com o capital das vítimas inclui uma casa de 2,6 milhões de reais em Goiânia. Os criminosos pagaram uma parcela expressiva desse valor com cédulas em espécie para dificultar o trabalho da polícia.

Manobras contra a fiscalização do Estado

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) tentou barrar a operação da G44 Brasil no ano de 2018. A autarquia aplicou multas e suspendeu as atividades do grupo por falta de licença para atuar no mercado financeiro.

Os fraudadores alteraram o contrato social da empresa e criaram uma holding para contornar a proibição do governo. O bando montou uma teia de empresas de fachada para continuar a captação de recursos nas ruas.

A rede de CNPJs envolvia nomes como G44 Mineração, Inoex Serviços Digitais e o ativo virtual chamado Goldário. A estrutura contava com um núcleo de comando e equipes focadas na ocultação de patrimônio por meio de testas de ferro.

Condenações em tribunais para os principais líderes

A Justiça Federal condenou os líderes da companhia em maio de 2024. O presidente Saleem Ahmed Zaheer recebeu uma pena de 14 anos de prisão, e a vice-presidente Joselita de Brito Escobar obteve uma sentença de oito anos.

Um terceiro operador, Olinto Ernandes Silva Magalhães, pegou três anos de reclusão por crimes contra o sistema financeiro. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) avaliou o caso no decorrer de 2024 e determinou uma mudança de jurisdição.

A corte superior decidiu que a G44 não atuava como instituição bancária, mas como um esquema de recrutamento ilícito. Essa decisão transferiu o processo para a Justiça Estadual, o que abriu caminho para esta nova ação do MPDFT.

A promotoria busca agora responsabilizar toda a rede de operadores pelos crimes de lavagem de capital. O processo tenta devolver o dinheiro para milhares de pessoas que perderam suas economias na promessa do lucro fácil.

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Bruno Costa
Bruno Costahttps://bruno-costa.com
Bruno Costa ingressou no jornalismo cripto quando o DeFi ainda era um experimento de nicho e, desde então, tornou-se uma das principais vozes brasileiras na cobertura de finanças descentralizadas e ativos digitais. Atualmente atua como Senior Content Manager na Starkware.co, uma empresa de PR e marketing focada em DeFi, NFTs e crescimento de comunidades Web3. Seu trabalho frequentemente explora como as economias de tokens podem impulsionar a inclusão financeira no país, conectando a adoção de blockchain à realidade local. Ele é Certified Bitcoin Professional (CBP), credenciado pelo CryptoCurrency Certification Consortium (C4). Graduado em Jornalismo pela Universidade Europeia, Bruno aprofundou sua expertise com formações como o curso DAO Fundamentals (EDU Trainings) e o Web3 Solidity Bootcamp (Metana). Sua cobertura inclui adoção de DeFi em mercados emergentes, cultura NFT na América Latina e análises de UX em aplicações descentralizadas. Entre suas principais competências estão reportagem investigativa, análise do mercado cripto, construção de narrativa e estratégia de conteúdo. No Brasil, o público o conhece por portais como Cointimes.com.br, onde é colaborador regular, além de suas reportagens investigativas que revelaram golpes no setor DeFi. Uma de suas séries chegou a contribuir para alertas regulatórios e maior fiscalização por parte da CVM. Seu guia sobre stablecoins alcançou mais de 50 mil leitores e foi referenciado por três grupos acadêmicos de pesquisa, enquanto sua consultoria para uma carteira DeFi ajudou a redesenhar o conteúdo de onboarding e atraiu mais de 10 mil novos usuários. Bruno já foi citado pelo Valor Econômico, fez coberturas presenciais na São Paulo NFT Expo e no Rio Blockchain Meetup, e participou de grandes eventos como a SP Tech Week e a Blockchain Conference Brasil, onde discutiu temas sobre regulação do DeFi, UX e inovação. Curioso e criativo, com um forte foco em conectar tecnologia e cultura, ele costuma lembrar colegas e leitores de que “Journalism should empower readers with clarity in a world full of crypto hype and misinformation.” Disclaimer: Todo o conteúdo aqui apresentado diz respeito a temas de criptomoedas, blockchain e Web3 e possui caráter exclusivamente informativo e educacional. Não constitui aconselhamento financeiro, de investimento ou jurídico. As análises refletem a experiência e a pesquisa pessoal do autor. O nome do autor é utilizado como pseudônimo. Sempre faça sua própria pesquisa (DYOR) antes de tomar decisões no ecossistema cripto.

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