
Relatório aponta que países latinos possuem diferentes motivos para adotar stablecoins. Imagem: Rain/Reprodução.
Um relatório publicado pela Rain na sexta-feira (12) revela que a América Latina já moveu US$ 1,5 trilhão em criptomoedas nos últimos três anos. Grande parte dessas transações foi realizada em stablecoins de dólar.
O texto aponta três motivos para essa adoção, incluindo instabilidade cambial, taxas altas do mercado tradicional e acesso bancário limitado.
No entanto, cada país é um caso. No Brasil, por exemplo, o interesse pelas stablecoins não estaria ligado à inflação ou falta de acesso bancário, mas sim por atividades comerciais e avanços regulatórios.
O relatório estima que 57,5 milhões de pessoas detenham criptomoedas na América Latina, representando uma adoção de 12% em relação à população total da região.
Seguindo, o texto aponta que as stablecoins representam grande parte do volume transacionado nesses países. Isso porque essas moedas resolvem problemas de inflação, custo e tempo de remessas internacionais, e acesso fácil ao dólar.
Força nº 1: Instabilidade cambial e acesso ao dólar. A principal busca por stablecoins seria uma proteção contra a hiperinflação. Dentre os exemplos citados estão o peso argentino, que perdeu 99% de seu valor frente ao dólar nas últimas décadas, bem como o governo boliviano quase zerando suas reservas de dólar, tendo impacto até mesmo na importação de combustíveis.
Força nº 2: Altas taxas e fricção em pagamentos internacionais. Neste ponto, o relatório destaca que as stablecoins estão ganhando espaço em remessas internacionais, já que conseguem diminuir as taxas de transação em até 92% em comparação com serviços tradicionais, além de reduzir o tempo de compensação.
Força nº 3: Acesso bancário limitado. Por fim, o texto aponta que 122 milhões de latinos não possuem acesso a uma conta bancária, incluindo 47% dos mexicanos e 43% dos colombianos.
“A América Latina movimentou US$ 1,5 trilhão on-chain em três anos. A maior parte disso em stablecoins. Hoje publicamos o relatório State of Stablecoins in Latin America. A conclusão: a adoção é estrutural, não especulativa. E as empresas que estão impulsionando isso são locais.”
No caso do Brasil, a Rain aponta que 93% da população já utiliza o Pix. Além disso, o país também não sabe o que é hiperinflação desde a implementação do plano real em 1994.
Dado isso, a adoção das stablecoins no Brasil é alta, mas os motivos são diferentes de outros países latinos.
“O Brasil tem o maior e mais estruturalmente avançado mercado de stablecoins da região. Stablecoins representam aproximadamente 90% do volume total de transações cripto no país. Diferentemente de mercados impulsionados principalmente pela inflação, a adoção no Brasil resulta de uma mudança estrutural mais consolidada na economia.”
O texto aponta que uma parcela significativa do volume está associada a atividades comerciais, principalmente em importação, exportação e serviços remotos.
“Transferências bancárias tradicionais carregam spreads cambiais e atrasos de liquidação que as stablecoins reduzem de forma relevante. A disponibilidade do Pix, que registrou aumento de 53% no volume de pagamentos em 2024, também criou uma base para integração com stablecoins.”
Finalizando, o relatório também dá destaque para a regulação no país, tanto para prestadores de serviços de ativos virtuais (VASPs) quanto para a própria classificação de transferências internacionais com stablecoins como operações de câmbio.
No entanto, também destaca um possível aumento no IOF sobre essas operações, o que diminuiria a vantagem dessa tecnologia.