
Foto do BRICS/Reprodução
O Banco Central do Brasil (BCB) optou por não se manifestar oficialmente sobre a recente proposta de integração entre as moedas digitais dos países membros do BRICS, deixando um suspense se planeja ou não avançar com o Drex no comércio internacional.
A agência internacional de notícias Reuters procurou a autoridade monetária brasileira para comentar a iniciativa liderada pela Índia, mas não obteve resposta até o fechamento da reportagem na segunda-feira (19).
A proposta, articulada pelo Banco da Reserva da Índia (RBI), sugere que a conexão entre as Moedas Digitais de Banco Central (CBDCs) entre na pauta oficial da cúpula do bloco em 2026.
O Brasil, que presidiu o grupo em 2025, evitou o debate naquele ano, mas deve participar das novas conversas do bloco.
Vale destacar que a ausência de um posicionamento claro de Brasília ocorre em um momento delicado da geopolítica financeira.
Isso porque, o projeto visa facilitar pagamentos transfronteiriços e reduzir a dependência do dólar norte-americano (USD) nas trocas comerciais entre os países emergentes.
O Drex, versão tokenizada do real em desenvolvimento pelo Banco Central, possui características técnicas que permitiriam, em tese, a interoperabilidade com outros sistemas soberanos.
No entanto, a autarquia brasileira tem mantido foco nos testes de privacidade e programabilidade interna, sem detalhar planos concretos para conexões internacionais imediatas via BRICS. Além disso, o Bacen abandonou uma proposta recente com blockchain, alterando os rumos de uma versão final da moeda nacional em versão digital.
A cautela brasileira pode refletir a preocupação com possíveis retaliações comerciais. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já alertou que países que buscarem ativamente contornar o uso do dólar poderão enfrentar tarifas e barreiras econômicas.
Além do Brasil, os bancos centrais da Rússia e da África do Sul também declinaram comentar o assunto quando procurados pela Reuters.
Apenas o Banco Popular da China respondeu brevemente, informando não ter dados a compartilhar sobre o tema no momento.
Atualmente na presidência do BRICS em 2026, a Índia deve sediar as conversas entre os países membros do bloco.
Assim, a proposta indiana defende que a interligação das CBDCs agilizaria o financiamento do comércio exterior e simplificaria gastos com turismo entre os membros.
Para isso, seria necessário estabelecer padrões comuns de tecnologia e regras de governança que garantam a segurança das transações.
O modelo em discussão contempla ainda o uso de swaps cambiais bilaterais para liquidar eventuais desequilíbrios na balança comercial.
Por fim, o silêncio do BC brasileiro deixa em aberto qual será a postura diplomática e técnica do país sobre o tema. Agora, o mercado aguarda sinais se o Drex servirá apenas como infraestrutura doméstica ou se comporá a espinha dorsal de um novo sistema de pagamentos global alternativo ao SWIFT e ao Dólar dos EUA.
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