Em um relatório de 148 páginas publicado nesta terça-feira (4), a ARK Invest analisou diversos setores promissores para os próximos anos, incluindo agentes de IA, táxis robôs, logística autônoma, energia, robótica, foguetes reutilizáveis, stablecoins e, claro, o Bitcoin.
A gestora colocou três alvos para a maior criptomoeda do mercado em 2030, variando entre US$ 300.000 no pior cenário e US$ 1,5 milhão no melhor. No ano passado, a ARK apontou que o BTC pode chegar a US$ 243.000 em 2025.
Conforme pode ser visto na imagem acima, a gestora nota que o Bitcoin tem diversos casos de uso que justificariam o aumento de sua demanda.
Isso inclui investimentos institucionais, ouro digital, refúgio seguro em mercados emergentes, tesouro de países, tesouraria corporativa e serviços financeiros nativos.
Em relação ao presente, o estudo dá destaque para o crescimento no número de bitcoins mantidos por empresas públicas, dobrando de valor em relação ao ano anterior.
“Setenta e quatro empresas públicas agora possuem bitcoin em seus balanços patrimoniais. O valor nos balanços corporativos quintuplicou no último ano, passando de US$ 11 bilhões em 2023 para US$ 55 bilhões.”
Indo além, a gestora também nota que o Bitcoin absorveu vendas gigantes em 2024. Além dos 50.000 bitcoins vendidos pela Alemanha, o gráfico também mostra os 109.000 bitcoins distribuídos pela extinta corretora Mt. Gox, bem como algumas vendas feitas pelo governo americano.
Mesmo com toda essa pressão vendedora, o Bitcoin fechou o ano com alta de 128% contra o dólar americano.
Ainda sobre o Bitcoin, a gestora também mostra que o hash rate dos mineradores continua atingindo novos recordes apesar da diminuição da recompensa pelo halving. Outro ponto é o crescimento dos ETFs de Bitcoin, que em seu primeiro ano já superaram ETFs de ouro.
Stablecoins ultrapassam volume da Visa pela primeira vez na história
Outro destaque do relatório da ARK Invest fica para as stablecoins. Segundo a gestora, essa é a primeira vez que as stablecoins fecham um ano com um volume de transações maior que o da Visa.
“Em 2024, o valor anualizado das transações de stablecoins atingiu US$ 15,6 trilhões — aproximadamente 119% e 200% dos valores processados pela Visa e Mastercard, respectivamente.”
“O número de transações atingiu 110 milhões por mês, cerca de 0,41% e 0,72% do volume processado pela Visa e Mastercard, respectivamente. Em outras palavras, o valor das transações de stablecoins é muito maior do que o das transações da Visa e Mastercard”, escreveu a gestora.
Embora o volume transacionado de stablecoins tenha se mantido nas redes Ethereum e Tron, o estudo mostra um crescimento nas redes Solana e Base para este fim.
Enquanto Tether (USDT) e USD Coin (USDC) seguem dominando o setor, a gestora aponta que a Ethena USDe (USDe) surgiu como um forte competidor devido ao seu modelo diferenciado de suas concorrentes.
Extenso, o relatório apresenta diversos outros dados curiosos sobre essa indústria.
Como exemplo, é destacado que a Tether lucrou US$ 5,2 bilhões em 2024, sendo maior que os lucros individuais da Visa, Mastercard, Goldman Sachs, e diversas outras gigantes do setor financeiro tradicional no mesmo período.
Como comparação, a ARK aponta que a Tether emprega menos de 200 pessoas, já JP Morgan e Berkshire Hathaway têm mais de 300.000 empregados cada.
Ainda sobre o setor de criptomoedas, a gestora também fala sobre mercados de previsões, liderados pela Polymarket, soluções de segunda camada, DeFi, staking e restaking, dentre outros.
Por fim, saindo dessa indústria, a ARK também aborda outras tendências que parecem futuristas, mas que estão em forte desenvolvimento e implementação. Isso inclui táxis robôs, uso de drones autônomos para entregas, robótica, foguetes que dão ré e, claro, energia para sustentar todos esses avanços.