Comprar Ethereum Classic é servir de liquidez para minerador

Ethereum Classic é o maior exemplo de que o mercado de criptomoedas vale mais que deveria

Ethereum Classic (ETC).
Ethereum Classic (ETC).

Embora o Proof-of-Work do Ethereum Classic seja mais dinâmico do que o do Bitcoin, resistente a ASICs e tendo maior descentralização, acreditar que isso será suficiente para dar vida ao ETC é um grande erro.

O principal motivo é que estas chamadas criptomoedas inteligentes dependem de projetos externos para crescer, mais de do que de si próprias, e o ETC não possui nenhum esboço de ecossistema.

Como comparação, o Ethereum (ETH) possui 59 bilhões de TVL (sigla em inglês para valor total bloqueado), quase 1/3 de seu valor de mercado. Já o ETC possui apenas 200 mil, um valor 42.500 vezes menor que seu market cap.

Em outros números, este valor corresponde a um ou dois NFTs da Bored Ape Yatch Club (BAYC), dos 10.000 encontrados no Ethereum.

Por que estes valores são importantes?

Conforme o Ethereum (ETH) é tido como a próxima loja de aplicativos, frase dita por um diretor da Microsoft, seus rivais precisam ter um forte ecossistema. Quanto ao Ethereum Classic (ETC), é difícil imaginar que exista um.

Além do TVL, mencionado acima, o ETH também possui US$ 32 bilhões em Tether (USDT), além outros bilhões de outras stablecoins, tokens do metaverso, DeFi, coleções de NFTs e tantos outros projetos que dependem de sua segurança.

Sendo assim, enquanto o Ethereum possui uma grande demanda por Ether (ETH) devido a projetos externos, o ETC é um grande nada que vale US$ 8,5 bilhões, chegando até aqui por acompanhar as flutuações do Bitcoin.

Tal diferença entre os “dois irmãos” pode ser vista em sites que mostram estatísticas em tempo real. Enquanto o ETH enche seus blocos com mais 200 transações, o ETC gera vários sem nenhuma.

Estado da rede do Ethereum (ETH). Fonte: Ethstats.
Estado da rede do Ethereum Classic (ETC). Fonte: 2miners.

Únicos interessados no ETC são mineradores

No início deste mês, a Bitmain colocou a venda a sua Antminer E9, equipamento equivalente a 28 RTX 3080, podendo ser usado tanto em ETH quanto ETC. Dias depois, novas datas sobre a migração do Ethereum para PoS surgiram, provavelmente espantando potenciais compradores.

Já nesta terça-feira (26), a Antpool, subsidiária da Bitmain, anunciou um investimento de US$ 10 milhões no ecossistema do Ethereum Classic.

Além do conflito de interesses com Antminer E9, vale lembrar que a Antpool cobra 3% de taxa de seus mineradores de ETC. Portanto, quanto maior o preço do ETC, mais rápido será seu retorno.

Também vale lembrar que esta mesma empresa apoiou veemente o maior clone do Bitcoin, o Bitcoin Cash (BCH), hoje quase morto, atrás até mesmo do ETC.

Deixando os peixes grandes de lado, os únicos que possuem interesse no Ethereum Classic são os mineradores. Afinal estes recebem 2,56 ETC (~R$ 550) por bloco — mesmo que vazio — totalizando mais de R$ 3 milhões de receita diária.

Portanto, comprar ETC é servir de liquidez para mineradores e pools. Afinal, sua blockchain é um navio abandonado pelo seu antigo capitão e já sofreu dois bombardeios desde então.

Ecossistema do Ethereum Classic pode crescer?

É difícil imaginar que algum projeto queira migrar para uma criptomoeda com os velhos problemas que o Ethereum está tentando resolver ao migrar para Proof-of-Stake (PoS). Sendo a falta de escalabilidade o principal deles, além da inflação e a falta do nome Vitalik Buterin no projeto.

Caso algo dê errado na atualização do Ethereum, nem assim o ETC será destino. Sendo provável que projetos migrem para outras (ADA, SOL, AVAX, TRON, BSC…), usadas como alternativa ao ETH.

Por fim, ver uma blockchain inteligente tão vazia valer 8 bilhões de dólares, sendo a 19.ª maior do mercado, é motivo suficiente para acreditar que há algo de errado nesta equação. Em outras palavras, este é um ótimo exemplo de como o mercado de criptomoedas ainda está valendo mais que deveria, apesar da grande queda de preços desde novembro do ano passado.

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Henrique Kalashnikov
Formado em desenvolvimento web há mais de 20 anos, Henrique Kalashnikov encontrou-se com o Bitcoin em 2016 e desde então está desvendando seus pormenores. Tradutor de mais de 100 documentos sobre criptomoedas alternativas, também já teve uma pequena fazenda de mineração com mais de 50 placas de vídeo. Atualmente segue acompanhando as tendências do setor, usando seu conhecimento para entregar bons conteúdos aos leitores do Livecoins.

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