Criador do Ethereum critica uso obrigatório de Bitcoin em El Salvador

O mês de setembro foi marcado por dois lados da mesma moeda, enquanto a China bania o Bitcoin, El Salvador o adotava. Isso deixa os cidadãos, de ambos países, sob o mesmo teto: não são livres para escolher qual moeda usar.

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Na tarde da última sexta-feira (8), Vitalik Buterin, criador do Ethereum, deixou um comentário em uma discussão no Reddit sobre a adoção do Bitcoin em El Salvador. Segundo ele, obrigar as pessoas a aceitarem a criptomoeda é contra os ideais de liberdade das criptomoedas.

A conversa começou com uma opinião “impopular”, em que cita o lado perverso de Nayib Bukele, autointitulado “o ditador mais legal do mundo” em seu Twitter.

Eticamente, obrigar as pessoas a aceitarem bitcoin como forma de pagamento está bem perto de proibir o seu uso. Além disso, hoje o sucesso ou falha das políticas implementadas por El Salvador pode ter forte impacto no Bitcoin conforme outros países pensam em adotá-lo.

Curso forçado

O tópico, intitulado de “Opinião impopular: O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, não deve ser elogiado pela comunidade de criptomoedas” foi iniciado pelo usuário Acceptable_Novel8200, alegando que as ações de Bukele mancharão as criptos de alguma forma.

Dentre os principais tópicos abordados, estão críticas apresentadas pelo artigo “Nayib Bukele está destruindo a democracia em El Salvador”, do The Economist, artigo que destaca o contraste entre as faces tecnológica e antiquada do presidente, chamando-o de “caudilho”.

Ele cita o uso de soldados armados para intimidar legisladores para aprovar uma proposta de combate ao crime, a demissão de juízes por fantoches, bem como seus ataques a mídia e uma alteração na lei que agora permite que ele possa concorrer a reeleição.

Surpreendentemente, o fundador do Ethereum, Vitalik Buterin, entrou na discussão para apoiar estas críticas e adicionar outras.

Segundo Vitalik, além de ser perigoso forçar as pessoas a usarem o Bitcoin sem uma educação prévia, isso também é contra os ideais de liberdade das criptomoedas.

“Nada impopular sobre esta opinião. Tornar obrigatório que negócios aceitem uma criptomoeda específica é contrário aos ideais de liberdade que supostamente são tão importantes para o cripto-espaço. Além disso, essa tática de levar o BTC para milhões de pessoas em El Salvador paralelamente, quase sem nenhuma tentativa de educação prévia, é imprudente e arrisca que um grande número de pessoas inocentes sejam hackeadas ou enganadas. Todos deveriam se envergonhar (ok, certo, vou nomear os principais responsáveis: os maximalistas do Bitcoin deveriam se envergonhar) por estarem elogiando [o presidente de El Salvador] sem fazer críticas.”, disse Vitalik Buterin.

Servindo de exemplo

O pioneirismo de El Salvador gera mais peso ainda sobre a adoção do Bitcoin. O tema foi abordado por Alexander Höptner, CEO da BitMEX, após dizer que acredita que 5 países adotarão o Bitcoin até o final de 2022.

Segundo Höptner, as práticas de El Salvador terão forte impacto no Bitcoin na decisão de outros países que pensam em tomar a mesma decisão. Esta ideia vai de encontro com a de Vitalik, preocupado que os cidadãos não estejam educados para esta tecnologia.

Além disso, caso o Bitcoin falhe em El Salvador, colocarão a culpa no Bitcoin e não nas políticas implementadas pelo seu presidente.

Maximalistas do Bitcoin

O termo “Bitcoin maximalist”, ou maximalista do Bitcoin em tradução literal, foi cunhado pelo próprio Vitalik ao criticar a ideia de um monopólio no setor de criptomoedas, conforme usuários dizem que o Bitcoin é a única moeda possível.

Vitalik focou especialmente neste grupo, dizendo que eles deveriam se envergonhar por bater palmas para algo contrário aos ideais das criptomoedas. Afinal, agora os cidadãos de El Salvador são obrigados por lei a aceitarem bitcoin ao vender um produto ou serviço.

Se você mudar “Bitcoin” por “Bitcoin Cash” nesta lei, é claro que estes maximalistas seriam, de imediato, totalmente contra a obrigação de receber tal moeda.

Dois lados da mesma moeda

O mês de setembro foi marcado por dois lados da mesma moeda, enquanto a China bania o Bitcoin, El Salvador o adotava. Isso deixa os cidadãos, de ambos países, sob o mesmo teto: não são livres para escolher qual moeda usar.

Já outros países, como os EUA, parecem estar buscando um meio-termo, ainda que lentamente. Trabalhando sem intenção de banir o Bitcoin, ou outras criptomoedas, apenas com o intuito de educar seus cidadãos para que eles possam fazer escolhas por si próprios.

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Henrique Kalashnikov
Há mais de 5 anos trabalhando com criptomoedas, hoje escrevo artigos e notícias para o Livecoins.
Bitcoin em alta. Imagem: ShutterStock

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