
Timothy Massad, ex-presidente da CFTC. Fonte: YouTube/Reprodução.
Timothy Massad, ex-presidente da CFTC (Comissão de Negociação de Futuros de Commodities), acredita que os EUA criarão o seu próprio dólar digital mesmo com o assunto tendo forte oposição pública e política atualmente.
Em conversa com o CoinDesk, Massad afirmou que a criação de uma CBDC (sigla inglesa para Moeda Digital de Banco Central) está sendo discutida a portas fechadas.
Isso porque Donald Trump, presidente americano, proibiu a criação de uma CBDC no início de 2025, afirmando que isso ameaçaria a privacidade dos cidadãos americanos. Logo depois, Jerome Powell também afirmou que o Fed não criaria um dólar digital.
Além das questões de privacidade citadas por Trump, o próprio Fed já publicou um estudo sobre o tema ainda em 2022, citando riscos de quebras de bancos com uma possível corrida de saques para transformar dólares depositados em bancos nesta possível nova moeda.
As stablecoins estão atualizando a moeda americana, transformando-a em um ativo digital e transfronteiriço. No entanto, esses dólares digitais são emitidos por empresas privadas, limitando o papel estatal nessa revolução.
Segundo Timothy Massad, o governo americano está avançando na digitalização do dólar, mas isso está sendo feito a portas fechadas.
Como exemplo, o ex-presidente da CFTC comenta que os EUA estão participando do “Projeto Agora”, uma iniciativa liderada pelo BIS, onde bancos centrais da França (representando o Euro), Japão, Coreia, México, Suíça e Inglaterra também estão presentes.
O foco desse projeto explorar a tokenização e modernização de pagamentos internacionais entre bancos.
Ou seja, embora exista uma grande pressão pública e política contra a criação de uma CBDC, os EUA estariam trabalhando nos bastidores para não ficar para trás nessa corrida.
“Não temos um presidente de banco central que vá se expor publicamente para falar de CBDC no atacado ou no varejo, mas isso não significa que não estejamos analisando como criar uma”, explicou Massad.
Dado isso, a questão para os EUA ainda parece ser mais técnica do que política, ainda que exista uma forte pressão política contra a digitalização do dólar. O mesmo movimento deve acontecer em outros países.