
Líder de negócio brasileiro diz que sua empresa vai fazer melhor adoção em massa da blockchain, mas não mostra como (Instagram)
Sob o comando de Rafael Mizukami, chamado pelos investidores do projeto de “Mizuka“, a Kotai Project tem anunciado entre brasileiros um estranho ICO para uma moeda própria, prometendo ser uma startup de criptomoedas que irá ultrapassar até a Binance.
Ao se comparar com a maior corretora do mundo, Mizuka diz em lives que sua empresa tem o mesmo potencial de crescimento, com sua criptomoeda em fase de pré-venda podendo crescer 30 vezes de acordo com suas projeções.
Sem mostrar provas de onde tira suas projeções em grandes lives que promove pelo YouTube, parece um menino sonhando acordado que conseguiu convencer alguns investidores a aportar dinheiro no negócio. Não está claro se há alguma base concreta ou apenas falácia.
Mas o alerta para o negócio Kotai se dá com as várias promessas de lucros disfarçadas de “oportunidade que você não pode perder”, indicativos de que a janela irá se fechar no início de março e até planos de dividendos mensais em um Plano Diamante.
Mizuka costuma indicar que até o final de 2026 sua criptomoeda deverá custar 1 centavo de dólar, enquanto na fase de ICO custaria entre US$ 0,00003 e US$ 0,00006, ou seja, revela um suposto gatilho de valorização de mais de 16.000% no pior cenário.
A promessa se dá quando ele diz que construirá uma nova blockchain, uma BET, uma corretora descentralizada e até uma forma mais fácil de se interagir com pagamentos em blockchain. Além disso, o CEO diz que o seu novo padrão de blockchain vai mudar a blockchain tradicional para um padrão elevado.
Mizuka costuma participar também de encontros com personalidades para supostas mentorias, como Eike Batista e Janguiê Diniz, reunindo fotos de uma suposta influência no mercado com seus “mentores”.
No final de dezembro de 2025, ele reuniu apoiadores em um evento presencial com palestrantes como Rocelo Lopes, Elídio Segundo, Rafael Castaneda, Denny Torres e outros.
No Instagram da Kotai, a empresa diz que opera no Brasil e tem um escritório em Florianópolis (SC). Alguns outros perfis ligados a divulgação do negócios dizem que o local central do negócio segue em Assunção (Paraguai), o que deixa muitos em dúvidas.
Além disso, o site oficial apontado pelo projeto indica que a sede principal está no Panamá, mostrando um terceiro país que poderia ser o centro de operações.
Mas em uma live recente com investidores, o criador do projeto disse que a sede da Kotai está nos EUA, o que ajuda a empresa a manter sua captação de novos investidores. Ou seja, não está claro aos investidores em qual país se encontra a sede, em caso de eventual pedido de suporte dos clientes.
Outro ponto que chama atenção no projeto para um enorme risco é o controle do contrato inteligente ainda em posse do seu criador. Como a programação do contrato não renunciou a posse de dono, quem criou o “Kotai” pode modificar as regras a qualquer momento.
No passado e em outros casos lamentáveis de terceiros, este é um dos pontos que levou aos piores golpes do mercado de criptomoedas, os chamados “rug pulls“, na tradução “puxada de tapete”.
Claro que não está claro se isso vai ocorrer no Kotai, mas a possibilidade existe com a brecha no código do projeto que se diz descentralizado, mas tem os tokens centralizados no criador do contrato. O SolidProof também mostra mais detalhes do token criado pela rede Polygon.
A reportagem não conseguiu o contato dos líderes do Kotai Project para manifestações, nem com o jurídico do projeto. O espaço segue em aberto para que a empresa se posicione aos investidores e mercado brasileiro.
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